
“Dentre os mecanismos de apropriação do conhecimento, a proteção de uma invenção por meio de patentes soa como a forma mais eficaz. Uma idéia patenteada tem garantia legal de que terceiros não farão uso de suas aplicações sem consentimento do seu proprietário. Mas será que proteger uma idéia e excluir seu uso por terceiros é de fato a única forma de capturar seu valor?”
Marcelo Mattioli e Eduardo Toma fizeram esta pergunta no artigo Proteção, Apropriação e Gestão de Ativos Intelectuais, publicado hoje no Radar do Inovação.
Eles nos contam que nem só de patente vive a PI. Comentam do conhecimento tácito, que muitas vezes vale mais que o explícito, segredo industrial e até de situações em que a geração de valor está no compartilhamento do conhecimento, e não na sua proteção, como na cadeia de sistemas open source. Outro exemplo é o das estratégias de time-to-market acelerado, em que é mais importante estar continuamente na frente dos concorrentes, que proteger o conhecimento, nos casos em que o ciclo de vida dos produtos é muito curto.
Mas a contribuição mais importante do artigo, na minha opinião, está na proposta de um modelo para gestão de ativos tecnológicos (a figura do framework é bem marcante, tem a forma de hexágono). Eles chegarem nesta forma após intenso estudo da área e entrevistas com gestores de PI de grandes empresas nacionais e multinacionais.
A mensagem, no fim das contas, é que muito mais importante que patentes ou qualquer outra forma de apropriação do conhecimento é a inteligência na forma de geri-los que faz toda a diferença. Vale a leitura!
Clique aqui para baixar o artigo (PDF, 15 págs.)
20 de Abril de 2009 às 20:25
Felipe Matos
Está marcado o primeiro evento Falaii, cujo tema será “Dinâmica da Inovação e Negócios Inovadores“.
Esta primeira apresentação visa discutir o contexto da inovação e introduzir conceitos iniciais da gestão de tecnologias e inovação tecnológica. Serão abordados tópicos como a dinâmica da inovação, oportunidades de negócios tecnológicos e modelos de inovação aberta, ilustrados em cases nacionais e internacionais.
Para iniciar a discussão deste tema aqui no Blog, deixamos a seguinte pergunta: Porque as empresas buscam inovar constantemente?
Para fazer a inscrição basta preencher o formulário online.
Dinâmica da Inovação e Negócios Inovadores
Data: 5 de maio de 2009
Horário: 12h30 às 13h30
Local: Instituto Inovação - Av. Romeu Tórtima, 699
Tel: 3289-0353
A lista de doações será entregue por email para os inscritos, lembrando que a doação é necessária para participação do evento.
15 de Abril de 2009 às 17:15
Mara
Com milhares de engenheiros espalhados pelo mundo, o Google é uma fábrica de inovações. A empresa começou sua saga se estabelecendo como um excelente motor de buscas, e aos poucos foi lançando novos produtos que, devido à sua qualidade, rapidamente dominaram seus nichos. Foi assim com o Gmail, o Google Maps, o Google Docs, entre outros.
Agora lançaram mais um, e esse tem tudo pra ser um sucesso no ambiente corporativo: Google Moderator. Criado nos famosos 20% de tempo livre, o aplicativo foi pensado como uma solução simples para um problema simples.
“No Google, nós temos muitas palestras, mas como o número de participantes aumentou, a parte de perguntas e respostas não estava sendo possível. Nunca havia tempo para todas as questões, e não estava claro se as melhores perguntas é que eram respondidas. Além disso, a participação de pessoas fora de Mountain View não se fazia possível.”
Para resolver essa questão o engenheiro Taliver Heath criou um sisteminha simples onde todos podem mandar perguntas e votar nas perguntas enviadas por outras pessoas.

Há alguns dias escrevemos sobre ferramentas para gestão de idéias e essa é exatamente umas das funcionalidades que a nova ferramenta do Google pretende abranger. É o Google fornecendo - “sem querer” - ferramentas para gestão da inovação aberta (Open Innovation).
Será que as empresas que desenvolvem essas ferramentas estão prontas para concorrer com o Google e sua política de fornecer tudo de graça? Tá certo que o Moderator ainda é bem limitado, mas a tendência é que ele evolua rapidamente.
Essa é uma questão que todas as empresas que trabalham com software devem começar a se perguntar: “e quando o Google chegar no meu nicho, o que vai ser de mim?” E que fique claro que não são só essas empresas que estão ameaçadas. A missão de organizar toda a informação do mundo é abrangente o suficiente para deixar muita gente preocupada.
14 de Abril de 2009 às 20:54
Bruno Brant

No próximo mês será inaugurado na unidade de Campinas do Instituto Inovação o evento Falaii, um fórum informal de discussão de inovação. O evento será mensal e compreenderá palestras sobre diversos temas relacionados à inovação (Gestão da Inovação, Estratégia, Cultura, Processos, Inovação Aberta, Sustentabilidade entre outros), seguidas de bate-papo com direito a lanche com os participantes.
Para participar basta:
Mensalmente iremos publicar maiores informações sobre cada edição aqui no Blog do Instituto Inovação. Para cada tema iremos publicar um breve texto para adiantar o conteúdo a ser abordado e viabilizar uma discussão pré- e pós- evento!
Todos estão convidados a participar das discussões no Blog assim como das palestras.
6 de Abril de 2009 às 18:16
Mara
Quando eu fazia faculdade de Administração na UFMG, eu tive um grande privilégio de conviver com muitos economistas, ou futuros economistas. Havia um certa rivalidade entre os cursos e alguns dos meus colegas menosprezavam o pessoal da Economia. Seriam teóricos, bitolados, nerds, etc.
Eu, ao contrário, sempre tive inveja destes seres tão peculiares.
Cite um grande administrador.
- Taylor? Engenheiro.
- Ford? Engenheiro.
- Mayo? Engenheiro ou Psicólogo… sei lá.
- Jack Welch? Engenheiro.
Agora cite um grande economista.
Adam Smith, Keynes, Marx, Pedro Malan (ops… este é engenheiro), Schumpeter… e por aí vai.
Um dos conceitos mais bacanas que que aprendi com um economista é o tal do proxy. Outro dia, o Saddi, futuro economista e ex-estagiário do Instituto Inovação, estava me falando dos tais dos proxys.
Proxy é o seguinte: se não existe algum indicador que meça determinado fenômeno, existirá outro indicador cuja correlação com o fenômeno é alta então podemos usá-lo como um indicador aproximado. Vejamos:
- Produção de papelão nas indústrias é um proxy da atividade industrial.
- Taxa de repetência escolar é um proxy da qualidade da educação.
- Percentual de cheques sem fundos é um proxy do endividamento da população.
- Busca pela palavra “inovação” no Google é um proxy de onde está a Inovação (veja post).
Uma das discussões mais polêmicas que temos no nosso dia a dia é aquela acerca do indicador de inovação. Bem, minha conclusão é que não existe um indicador de inovação, mas um montão de proxys. Vejamos:
Para um país ou região:
- Quantidade de patentes.
- Quantidade de publicações científicas.
- Quantidade de mestres e doutores.
- Balança comercial de royalties.
- Dinheiro (ou percentual do PIB) investidos em P&D.
- Quantidade de contratos de cooperação universidade-empresa.
- Quantidade de incubadoras (ou de empresas incubadas).
- Etc.
Para uma empresa/instituição:
- Quantidade de patentes.
- Receita com produtos novos.
- Quantidade de produtos novos.
- Despesas com P&D.
- Quantidade de pesquisadores.
- Quantidade de projetos de inovação.
- Ganho de produtividade.
- Etc.
E aí? Não ficou mais simples discutir os proxys do que os indicadores? Nem sempre os economistas complicam as coisas.
Quem quiser contribuir com mais proxys, seja bem-vindo.
3 de Abril de 2009 às 15:26
Leonardo Lage

Depois da criação de Lei de Inovação, em 2005, as universidades e centros de pesquisa brasileiros criaram os chamados NITs, ou Núcleos de Inovação Tecnológica. O objetivo dos NITs é cuidar das tecnologias desenvolvidas internamente, das questões de propriedade intelectual e, especialmente, transferência de tecnologia. Trocando em miúdos, é papel dos NITs levar as tecnologias dos centros de pesquisa ao mercado.
O Fortec, sigla para Fórum Nacional de Gestores de Inovação, é a instituição que representa todos estes NITs. Eles estarão reunidos dias 27, 28 e 29 de abril em Campinas para o IIIº Encontro do Fortec.
Neste ano, o Instituto Inovação é patrocinador do evento e organizador da Mostra de Tecnologias, um evento paralelo que ocorrerá no dia 27, apresentando tecnologias dos NITs de todo o Brasil para empresas interessadas em seu licenciamento. O objetivo é promover uma maior aproximação entre os NITs e o setor empresarial, através da apresentação de tecnologias inovadoras e de impacto no mercado, que serão selecionados pela equipe do Instituto Inovação, em conjunto com o Fortec.
Elas estarão disponíveis para consulta online e impressão de descritivos em quiosques no local do evento, que vai oferecer ainda um brunch (lanche reforçado) aos participantes.
Empresas interessadas, poderão fazer sua inscrição pelo site do Fortec.
NITs que queiram submeter suas tecnologias para a mostra: acessem o formulário online!
1 de Abril de 2009 às 19:51
Felipe Matos
Assim como as grandes empresas deviam ter um Gerente de Inovação que possui uma visão global da organização, seus recursos e problemas, um país também devia ter tal cargo. Isso se faz necessário especialmente nos momentos de crise, quando algumas empresas tendem a diminuir seus investimentos em P&D e fugir de riscos.
Essa é a idéia defendida por Thomas Kuczmarski em seu artigo intitulado “Obama Needs a Secretary of Innovation” (link) que foi publicado na BusinessWeek.
Esse ministro da inovação teria duas funções principais:
- Liderar um processo sistemático de inovação nacional;
- Criar e manter uma mentalidade de inovação, que a estimule no setor privado.
Vale lembrar que é importante que esse não seja apenas mais um cargo burocrático. Esse ministro teria de exercer um papel determinante: coordenar esforços interdepartamentais a fim de gerar inovações sistematicamente e ajudar, assim, que a nação alcance seus objetivos estratégicos.
Você concorda? Ou esse seria só mais um cargo de nome bonito pegando carona na grande febre que a palavra inovação se tornou? Os ministérios de Ciência e Tecnologia já assumem (ou deviam assumir) esse papel? Deixe sua opinião nos comentários…
18 de Fevereiro de 2009 às 19:04
Bruno Brant
O dia amanheceu muito bonito em Bogotá, mas frio. 8:00 da manhã começaram a chegar no Tecnoparque pesquisadores e representantes de nada menos que 11 universidades de Bogotá. É realmente muito interessante conduzir um encontro como esse.
Tudo começa com um pouco de desconfiança, mas nada que os mineiros, já habituados com ela, não tirem de letra. Apresentando um pouquinho da experiência e das aprendizagens que tivemos no Brasil eles já começam a se interessar. Quando todos vão se apresentando as surpresas vão se revelando, pessoas e tecnologias muito interessantes. E assim segue por toda a manhã, que vai esquentando, em todos os sentidos…
O programa DAVINCI é um projeto da Alcaydia de Bogotá para estimular a inovação tecnológica. Nesse programa capacitações de agentes, diligências, EMBATE e outras ações ajudam a promover a cultura e “Mostrar a cara da inovação na Colômbia” como diz o Sr. Ricardo Venegas – Sub-diretor de Inovação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Esse projeto está sendo conduzido pela Inventta Colômbia em parceria com o CREAME.
O primeiro dia já serviu para perceber várias coisas sobre o cenário em Bogotá: o governo promovendo uma iniciativa integrada, maturidade de algumas instituições como o Tecnoparque (que recebeu o EMBATE, e tem atuado na promoção da inovação entre empreendedores), o potencial das tecnologias que estão sendo desenvolvidas, a experiência e empenho de alguns pesquisadores… é um cenário empolgante, onde muito ainda precisa ser feito, mas muitas pessoas estão dispostas a pôr a mão na massa.
11 de Fevereiro de 2009 às 13:15
Renata Horta
Eu poderia dizer também que não podemos olhar só a ponta do iceberg ou fazer qualquer outra analogia que indique que uma análise mais minuciosa se faz necessária.
Num excelente artigo que saiu esses dias no Radar do Inovação a Renata Horta juntamente com outros autores explica os diferentes níveis da cultura organizacional e como não podemos nos ater apenas à parte aparente dessa cultura quando queremos avaliar o quanto uma empresa é inovadora.
Os três níveis da cultura organizacional
A idéia do artigo é que não adianta intervir apenas nos artefatos ou nos valores. Uma cultura inovadora possui pressupostos que a sustentam e os líderes devem estar a atentos a esses pressupostos e à sua capacidade de influenciá-los (modificando assim toda a cultura da organização).
Através de cases, que são na verdade contra-exemplos, o artigo aponta ainda algumas barreiras culturais que, mesmo tendo sido percebidas pelos gestores, não puderam ser superadas por exigerem modificações exatamente nesses níveis mais profundos da cultura.
Link para o artigo: Cultura Organizacional e Gestão da Inovação Tecnológica
6 de Fevereiro de 2009 às 14:50
Bruno Brant
Acabei de assistir um vídeo muito bem bolado e que faz pensar. Chama-se “A História das Coisas” (The Story of Stuff, em inglês). Ele foi feito pela especialista em sustentabilidade norte-americana Annie Leonard e fala de maneira lúdica, simples e bem didática do colapso do planeta pela via do atual sistema de consumo.
Annie fala de cada elo da cadeia do nosso sistema de produção: extração, produção, distribuição, consumo e descarte. Todo processo é desenhado, literalmente, num contraste entre a forma simples e lúdica com uma mensagem complexa e nem um pouco divertida.
Particularmente fiquei transtornado com o fato de para cada 1kg de lixo que nós consumidores geramos, 70 Kg são gerados nos elos anteriores da cadeia de produção. É por isso que a reciclagem do lixo doméstico está muito, muito longe de ser uma solução definitiva ou para o problema.

É por isso que é tão importante o tema da sustentabilidade, em todos os níveis. E para ser sustentáveis, precisamos mudar o sistema e as tecnologias em que ele se baseia. Precisamos inovar. INOVAÇÃO é uma das chaves para resolvermos esta equação.
Uma pergunta óbvia que me veio à cabeça depois de assistir a um vídeo assim é o que podemos fazer para mudar a situação. Pensei logo em algumas iniciativas do Instituto Inovação a respeito e tive algumas idéias em mais coisas que poderíamos fazer.
Várias das empresas do grupo Instituto Inovação se dedicam a inovações sustentáveis, ou que contribuem para a economia de recursos naturais, como a Verti Ecotecnologias, que desenvolve novas tecnologias para a solução de problemas ambientais industriais; a Ecovec, que economiza recursos e inseticidas ao proporcionar o monitoramento inteligente do mosquito da dengue; a Rizoflora, que cria biocontroladores naturais para pragas agrícolas, que substituem agrotóxicos, entre outras.
Além disso, o Instituto Inovação presta serviços para empresas na busca de tecnologias que podem contribuir para a sustentabilidade de seus processos produtivos. A maioria destas buscas é confidencial, mas um bom exemplo público foi o mapeamento de tecnologias na área de energias alternativas e renováveis que fizemos para a Petrobras.
Vale dizer também que estabelecemos como visão de longo prazo “ser sustentáveis em todas as dimensões”, incluindo aí as dimensões humana, social e ambiental, além da econômica. É bom pensar que estamos trabalhando para melhorar esse problema. E importante que continuamos pensando em como poder fazer muito mais. E sim, nós podemos! (E espero que o Obama também possa!)
Abaixo, a versão dublada do vídeo, em baixa resolução. Uma versão de alta qualidade e com legendas pode ser vista no site internacional da iniciativa.
13 de Janeiro de 2009 às 20:03
Felipe Matos
Próximas Publicações
Publicações anteriores