Tendências que inspiram

Uma boa dica para aqueles que trabalham com o desenvolvimento de novos produtos ou serviços é o site Trendwatching. Anualmente eles publicam um “Trend Report”, um completíssimo e inspirador relatório. Na lista das empresas que compram regularmente esse relatório estão: Google, Natura, Lego, Apple, Rede Globo e Disney.

Além desse relatório anual, que é pago, eles publicam mensalmente um briefing muito interessante com diversas tendências de consumo. O título do briefing desse mês é:

OFF = ON

pixelsofa - Sofá de Pixels

De um grosso modo podemos dizer que eles apontam a tendência de que o mundo offline se espelhe cada vez mais no mundo online, desde o desenvolvimento de produtos até a relação com consumidores.

O briefing do mês passado, chamado “Innovation Avalanche” também é muito bom e merece uma visita.

1 comentário 2 de Setembro de 2008 às 15:06 Bruno Brant

Overdose de Inovação (ou como criar um Produto Sexy)

Além do excesso de mensagens, excesso de informação e excesso de produtos, vivemos num momento de excesso de inovações. Essa é a opinião de Luli Radfahrer, Ph.D em comunicação digital pela ECA-USP.

Em palestra ministrada recentemente, o professor faz uma análise muito divertida dessa sobrecarga que vivemos, nos mostra sua visão do que seria a criatividade, dos tipos de “criativos” que percebe e define muito bem a inovação.

Depois dessa introdução e contextualização, Luli apresenta com a propriedade de um inovador o processo de inovação, iniciando pelos obstáculos, passando pela formatação da idéia e chegando no “produto sexy”.

O vídeo traz vários insights interessantes e sem dúvidas vale o tempo despendido.

Para assistir o vídeo em tela cheia basta clicar no ícone da direita (depois de dar play no vídeo). Caso você tenha gostado muito da palestra e queira ver os slides, eles estão disponíveis aqui.

Via: Meiobit

2 comentários 27 de Agosto de 2008 às 13:07 Bruno Brant

Apple e Google

google and apple - google and apple

A Apple, que junto com o Google é a dupla do momento ícone de sucesso e inovação, superou essa semana o Google em valor de mercado. Foi por bem pouco, e aconteceu em um momento em que a Apple vendeu 1 milhão de Iphone 3G em um fim de semana, e o Google perde dinheiro com publicidade por causa da crise nos Estados Unidos.

Muito já se falou em como as duas empresas são diferentes na geração de inovações estrondosas, com o Google lançando produtos com agilidade, ainda na versão beta, e a Apple segurando o desenvolvimento fechado até os “i” products estarem perfeitos para irem ao mercado. Acredito que não existe só um jeito de ser inovador. As cifras da Apple e do Google demonstram que estilos diferentes podem funcionar bem. O importante é que a cultura da empresa, a estratégia, a estrutura, os processos das organizações considerem o fator “inovação”, e façam com que ele trabalhe a seu favor, gerando desempenho superior. Por ora, ligeiramente superior, no caso da Apple: U$ 158,8 bilhões, frente os U$ 157,2 bilhões do Google. Nada mal.

Os dados desse post foram retirados da matéria Apple derrota o Google e reina no Vale do Silício, do Estadão.

Os créditos para a imagem inusitada são para este blog.

As opiniões no post são da autora e não refletem, necessariamente, a opinião da organização.

Adicionar comentário 18 de Agosto de 2008 às 08:57 Isabela

Cabeça no espaço. Negócios na Terra

Procurar vida em outros planetas é só uma das missões da Nasa. Para sobreviver, a agência tenta se tornar uma máquina de inovações para as empresas americanas.
Durante boa parte de seus 50 anos de existência, a Nasa, agência espacial americana, foi um dos símbolos do poderio de um país. Seus laboratórios impressionantes e sua equipe de cientistas transformaram delírios — como a chegada do homem à Lua e a exploração de Marte — em realidade. Em parte, graças à Nasa os Estados Unidos ganharam a corrida espacial e a batalha de imagem que cercou os anos da Guerra Fria. Mas o socialismo caiu com o Muro de Berlim, e a conquista do espaço perdeu muito de seu charme. E, para sobreviver e garantir recursos, a Nasa teve de encontrar um novo caminho. Nos últimos anos, sua formidável máquina de inovação vem sendo colocada a serviço do desenvolvimento de idéias que possam mudar o dia-a-dia de pessoas comuns, que jamais sairão da Terra. Assim como boa parte das universidades americanas, a Nasa tornou-se uma extensão das áreas de pesquisa e desenvolvimento de grandes empresas. Nos gloriosos tempos da Guerra Fria, quando andar à frente dos russos era a obsessão da Casa Branca, o orçamento anual da Nasa era de 25 bilhões de dólares. Hoje, a verba repassada é 30% menor e as críticas ao apoio governamental são cada vez maiores.“A tendência é que, no futuro, uma parte considerável do dinheiro da Nasa venha da iniciativa privada”, afirma Michael Kearney, presidente da SpaceHab, consultoria dos Estados Unidos especializada na indústria tecnológica.

Ao mesmo tempo que procura vestígios de vida em Marte e vasculha o universo em busca de planetas que um dia possam servir de novos lares para a humanidade, a Nasa prospecta hoje novos negócios em campos que vão do turismo espacial à indústria farmacêutica. Até a década de 70, a Nasa possuía cerca de 30 parcerias com empresas. Hoje, são quase 400, que incluem nomes como Google, Ford e Goodyear. Caso prosperem algumas das inovações que estão sendo desenvolvidas, os carros de passeio ganharão, no futuro, equipamentos como pneus da Goodyear à prova de furos. E sistemas capazes de diagnosticar problemas elétricos nos modelos montados pela Ford.

Este texto é parte da reportagem da revista Exame de 07/08/08.
O texto completo pode ser acessado pelo link a seguir: Revista Exame

Adicionar comentário 13 de Agosto de 2008 às 11:27 Janayna

Diplopedia

Talvez nem os mais entusiastas da web 2.0 tenham previsto essa: desde 2006, o Governo dos Estados Unidos vem usando uma Diplopedia.

A wiki para assuntos diplomáticos veio substituir os memorandos impressos, que continham biografias úteis em encontros entre diplomatas dos EUA e figurões de todo o mundo. Hoje, Stacie R. Hankins, que trabalha na embaixada dos EUA em Roma, contou que Ronald P. Spogli, o embaixador americano por lá, costuma ler em seu BlackBerry, a caminho dos encontros, as informações mais completas e atualizadas de praticamente qualquer personalidade do planeta.

A dinâmica de construção colaborativa da Diplopedia possibilita que os diplomatas encontrem com facilidade dados atualizados. E isso é um ponto chave: a Diplopedia é mais do que a fonte de informação mais completa, ela é a melhor forma de organizar a informação para que ela seja facilmente encontrada. No mundo 1.0, a biografia de um economista americano influente poderia estar com o departamento de economia, ou de política, ou sabe-se lá onde. Na wiki, a informação pode estar em diversas categorias, e serem rapidamente disponibilizadas por mecanismos de busca.

É surpreendente que a cultura wiki – leia-se compartilhamento, estruturas achatadas, iniciativas emergentes, participação – tenha “pegado” em uma organização que é sinônimo de burocracia e controle de discursos. Mas pegou: desde que foi criada são 650.000 páginas vistas, e, recentemente, atingiu a marca de 20.000 novas páginas vistas por semana. Não existe nenhuma censura formal ao conteúdo, mas nunca foi preciso deletar uma página. Ela não está disponível para o público em geral. Hoje existe até mesmo um departamento de eDiplomacy. Abrir-se dessa maneira para a web 2.0 demonstra uma intenção de transformação cultural grande, e que envolve os valores mais profundos de uma organização. Blogs internos também são estimulados.

Questionado sobre o que aconteceria com uma pessoa que usasse dessa cultura aberta de forma indevida, Mr. Hankins falou que existem diversas formas de um indivíduo acabar com sua carreira, e que “o jeito wiki” é apenas o mais moderno.

Este post foi inspirado no post If the US State Department Can Use Wikis and Blogs Effectively, So Can Your Organization?, de Jon Husband.

1 comentário 6 de Agosto de 2008 às 11:03 Isabela

Teste do elevador para empreendedores…

Você é um empreendedor com uma grande idéia a busca e um investidor para abrir sua empresa. De repente, por um acaso, você se vê sozinho no elevador com um grande investidor e tem a oportunidade de naquele curto espaço de tempo expor sua idéia para a pessoa que pode tornar seu sonho viável. É o teste do elevador…

No jargão da consultoria, o teste do elevador consiste num exercício de sumarizar as conclusões importantes de uma apresentação em 30 segundos. Em tese, este seria o tempo que você teria caso encontrasse alguém no elevador e tivesse que expor sua idéia. Este exercício ajuda a sintetizar o raciocínio e ser mais objetivo em uma apresentação, destacando as idéias essenciais.

Para um empreendedor, o teste do elevador pode ser aquela oportunidade única de ter alguns minutos com um investidor, expor seu plano de negócio e conseguir dinheiro para iniciar ou acelerar seu empreendimento.

Recentemente foram lançados dois sites que exploram exatamente esta idéia. O Vator.tv (americano) e o cmypitch (inglês) tem o mesmo conceito. O empreendedor posta um vídeo curto apresentando seu negócio. O vídeo tem que ser curto e deve incluir seu plano de negócio, a diferencial de sua idéia e quanto você necessita para iniciar/acelerar sua empresa.

O objetivo é que algum investidor real veja o vídeo e invista na idéia.

Para ajudar os investidores, os usuário já dão algumas dicas das idéias mais bacanas, através de votos, comentários e outros mecanismos web 2.0. Além disso, os investidores podem lançar desafios e competições para premiar a melhor idéia em determinado ramo de negócios.

Para o investidor é a oportunidade de ver várias oportunidades de maneira organizada e em um tempo curto. Para o empreendedor é a oportunidade de expor sua idéia para o público e, quem sabe, arranjar um sócio endinheirado.

Em tempo, o próprio Vator.tv é um dos negócios que procura investidores para crescer. Se você for um investidor interessado, a quantia necessária é inferior que 500 mil dólares.

Adicionar comentário 25 de Julho de 2008 às 14:25 Leonardo Lage

Da próxima vez que for a Nova York, cuidado com a meningite…

Theo La Photo - Theo La Photo

.

ATENÇÃO: Informes urgentes para o turista hipocondríaco:

- Cuidado com a meningite em Nova York.
- Gripe aviária ataca o Egito.
- Estudantes de Sydney ameaçados pela malária.
- Dengue, diarréia, febre tifóide, leptospirose, tétano e tuberculose nas Filipinas.
- E pra que tiver coragem de ir para o Iraque, tem que tomar cuidado não só com os homens bombas, mas também com a raiva canina.

Estas informações estão todas condensadas no HealthMap, um site que quer ser o mapa global de alerta para as doenças e epidemias.

O sistema do site é sem dúvida inovador. Várias fontes de notícias são agregadas: notícias que saem na imprensa sobre o aparecimento de doenças, fontes oficiais, como a OMS, ou para-oficiais, como ONG’s que monitoram o aparecimento de epidemias. Tudo isto é analisado e plotado numa ferramenta Google Maps.

O usuário pode ser desde um turista hipocondríaco, até mesmo um pesquisador que quer estudar o comportamento de determinada doença.

O fato de contar com fontes oficiais e não-oficias (porém confiáveis) faz com que o HealthMap sirva também como uma fonte do aparecimento de doenças em países onde o governo esconde tal fato, preocupado com o impacto no turismo ou na popularidade do governante.

Além disso tudo, o site ainda pode servir de alerta para as autoridade públicas sobre o aparecimento de doenças em países ou regiões próximas.

E da próxima vez que for ao Brasil, muito cuidado com a dengue, hantavívus, infecção hospitalar e febre amarela… Ops… estou no Brasil… Socorro!!!

Adicionar comentário 17 de Julho de 2008 às 18:06 Leonardo Lage

As Regras da Inovação

É incrível a quantidade de informação interessante disponível, seja na Internet, seja em Livros ou ainda em periódicos científicos. Mais impressionante ainda é a sensação de que temos cada vez menos tempo para ler mais coisas.

Há algum tempo recebi a indicação de um livro que parece ser interessante, mas que por enquanto está naquela situação: “vou ler assim que eu tiver tempo”. Vai me dizer que você não tem pelo menos uns três artigos na sua caixa de emails nessa mesma situação?

Capa do Livro - As regras da inovação
Enquanto não leio a obra posso compartilhar a indicação (e a sensação de falta de tempo) e fazer com que mais pessoas se interessem pelo livro. A resenha do release diz que:

Nesta obra, os autores mostram como gerenciar, medir e lucrar com a inovação. Além de acentuar que ela não acontece por mera casualidade ou inspiração, apontam os caminhos que podem estimular a criatividade e a inovação dentro de uma empresa.

Ficou interessado? Se você não tiver tempo eu posso ler pra você, estou cobrando baratinho…

Adicionar comentário às 10:34 Bruno Brant

Blind date

mharrsch - mharrsch

Blind date é uma expressão da língua inglesa que se refere a um encontro amoroso de duas pessoas que não se conhecem. Normalmente um amigo comum promove este encontro, tentando dar uma de cupido e desencalhar os amigos.

Na última quarta-feira, dia 9 de julho, realizou-se o primeiro Encontro de Inovação do setor de Madeira e Móveis de Minas Gerais. O encontro de inovação é uma espécie de blind date da inovação. Vou explicar por que…

No encontro de inovação, o organizador junta dois agentes da inovação que pouco se conhecem para conversar, com vistas a um futuro namoro.

Neste caso, o organizador era o Simi (Sistema Mineiro de Inovação) em parceria com o Centro Minas Design. Os pretendentes eram os empresários do setor de móveis e os pesquisadores das ICT’s mineiras.

Durante o encontro, foram debatidos os principais problemas tecnológicos do setor e discutidas as possíveis soluções para estes problemas. O ideal é que estes problemas sejam resolvidos através de uma parceria (namoro) entre empresários e pesquisadores.

As propostas surgidas no evento estarão disponíveis na comunidade de madeira e móveis do site do Simi.

A execução das ações propostas será fundamental para o desenvolvimento tecnológico da industria moveleira mineira e para a aproximação entre os empresários do setor e pesquisadores.

Será que vai dar namoro?

2 comentários 15 de Julho de 2008 às 15:54 Leonardo Lage

Proteção patenteária

Mario Avila é Agente da Propriedade Industrial. Trabalhou na área de Propriedade Intelectual da Petrobras. Hoje ele é autor convidado do Blog do Inovação:

Após participar do evento Conecta 2008, e diante do convite feito pelo Instituto Inovação, aproveito este espaço de discussão para fazer algumas observações que julgo serem importantes.

Foi sempre mencionada nas palestras a importância da execução da proteção patentária das tecnologias desenvolvidas. Entretanto, nada foi comentado sobre as técnicas e estratégias empregadas para se fazer esta proteção de uma maneira efetiva.

Produção de conhecimento nacional sobre proteção patenteária - Existem no país, trabalhando na área de PI, um bom número de pessoas capacitadas a executar tarefas em suas áreas específicas de atuação, tais como advogados, economistas, etc. Entretanto, quando nos voltamos para os profissionais técnicos devidamente qualificados para efetuar uma proteção patentária abrangente, verificamos que este número é bem menor, muito aquém do que se observa em outros países. Em nosso país a maior parte do trabalho executado por estes profissionais técnicos está relacionada a pedidos de patente originados fora do país, nos quais o trabalho de elaboração da proteção e de estabelecimento de uma estratégia global de proteção já foi efetuado no exterior. Há, é claro, a necessidade de que estes profissionais adaptem os pedidos vindos do exterior à prática patentária do país, mas, embora esta tarefa seja importante, não se compara, em termos de capacidade de geração de conhecimento, à elaboração de um novo pedido de patente. Mais ainda, ao se depositar no país um pedido de patente vindo do exterior, cumpre-se aqui uma etapa de um planejamento de depósitos de pedidos de patente que foi planejada pelo titular do pedido, ou por alguém agindo em seu nome, mas não se participa da elaboração deste planejamento.

Tudo isto dificulta o desenvolvimento no país, na velocidade desejada, de uma capacitação de proteção patentária em uma escala mais ampla, que atenda às necessidades observadas no atual estágio do desenvolvimento científico e tecnológico que alcançamos.

Falta de investimentos no INPI e diminuição do número de patentes depositadas nos EUA - Para agravar a situação, por cerca de vinte anos não foram feitos investimentos no INPI em capacitação de mão de obra e recursos materiais, justamente no período em que a Propriedade Intelectual passou a ser claramente um dos grandes pilares do desenvolvimento econômico. Com isto o quadro funcional do INPI foi sendo reduzido, e não houve reposição. Muitos profissionais experientes foram se afastando, por diversos motivos, e muito se perdeu com isto.

Como tem sido também amplamente discutido, esta redução nos quadros do INPI prejudicou o andamento dos exames de pedidos de patente, e há hoje um grande atraso na execução desses exames. Este atraso vem contribuindo fortemente para retardar a capacitação de pessoal na proteção patentária.

Em países nos quais as patentes são consideradas um dos pilares do crescimento econômico, usualmente é relativamente pequeno o espaço de tempo entre o depósito de um pedido de patente e o início do exame. Neste processo é comum que os examinadores apresentem questionamentos em relação a aspectos da inovação a qual se pretende patentear, as chamadas exigências de exame. Para contraditar o que foi apresentado na exigência, o profissional necessariamente terá de efetuar uma avaliação mais profunda das características patentárias da inovação, para apresentar seus argumentos. Com isto cumpre-se uma das etapas mais importantes para aumentar a capacitação do profissional, e este aprofunda-se no conhecimento da doutrina patentária.

A demora na execução dos exames retira a dinâmica do processo, e com isto perde-se a oportunidade de se manter uma linha contínua de crescimento na capacitação.

Recentemente foi publicado na imprensa ter havido nos últimos anos uma redução no número de concessão de patentes nos EUA originadas no Brasil, ao contrário do que se esperava, após a aprovação de leis de incentivo à inovação. Isto é aparentemente paradoxal, mas, na verdade, é um reflexo dos fatos acima abordados. Como vem sendo propagado com freqüência, apesar de o Brasil contribuir com cerca de 1,8% da publicações científicas, nossa contribuição com o depósito de pedidos de patente é bem pequena, cerca de 0,2%. O pequeno número de profissionais técnicos com habilitação nesta área da proteção patentária pode ser relacionado como um dentre vários fatores que contribuem para esta discrepância nos números.

Ao não dispormos no país de uma boa quantidade desses profissionais, torna-se difícil haver uma boa disseminação dos fundamentos desta área, e isto se reflete já na fase inicial do desenvolvimento de uma inovação. A não identificação da possibilidade de patentear é um dos maiores fatores que impedem bons resultados futuros nos negócios, ou até mesmo a perda de negócios.

Lacuna no ensino superior; e a importância de se pensar a estratégia de proteção patenteária - O Prof. João Furtado, em sua palestra inicial no Conecta, comentou que na sua universidade, a Politécnica, em nenhuma cadeira há uma atividade que leve os alunos a efetuar uma busca de patentes. Com isto, formam-se engenheiros que, como ocorreu comigo, desconhecem totalmente a existência deste aspecto fundamental da ordem econômica mundial.

No meu caso particular, somente após ter acompanhado um caso de infração de uma patente, já formado havia quase dez anos, é que fui travar conhecimento com o sistema patentário. Depois disto acabei indo trabalhar na proteção de tecnologias desenvolvidas pela empresa em que trabalho, redigindo patentes e acompanhando todo o processo de exame, no Brasil e no exterior. Trabalhando nesta área passei a acompanhar mais de perto o que ocorria neste segmento. Circulam muitas informações sobre este tema, em vários fóruns, poucos, muito poucos aqui no Brasil. Comparando o que se via no exterior com o que se via aqui no país, pude observar como esta atividade de proteção é aqui ainda pouco conhecida por aqueles envolvidos no desenvolvimento de tecnologia.

Incomoda bastante saber de casos de inventores e empresas nacionais que desenvolvem algum produto e, por não protegerem seus desenvolvimentos, acabam perdendo grandes oportunidades.

O país está, hoje, querendo acelerar nesta área de inovação, mas este aspecto fundamental da proteção patentária tem sido pouco abordado. Nas palestras que assisto, a única menção que se faz é, invariavelmente, a de que “depositou-se uma patente”. Quase nada é comentado sobre a política de proteção, sobre a qualidade da proteção conferida pela patente, etc. Estes temas, aparentemente áridos, são fundamentais para o futuro de eventuais negócios que venham a ser feitos com base na patente. Uma proteção mal feita, ou uma estratégia de proteção mal elaborada, podem ambas trazer sérios problemas ou até mesmo comprometer os negócios futuros. E não vejo nunca este assunto ser abordado em seminários e encontros.

Mais ainda, criaram-se vários dispositivos de incentivo à inovação, mas os esforços de capacitação de pessoal para efetuar a proteção patentária são ainda muito tímidos. Em função da quase inexistência no país de formação nesta área, o INPI tem assumido este papel, mas creio que deveria ser avaliado se este deveria ser o seu papel, pois com isto desviam-se profissionais de sua atividade fim, a de examinar patentes. Como há um grande atraso nesta atividade, decorrente dos anos de baixos investimentos no INPI, talvez fosse mais adequado usar toda a capacitação do INPI para acelerar os exames de patente pendentes.

Creio que o papel maior de formação de pessoal deveria caber às instituições de ensino. Observa-se atualmente um crescente interesse das universidades em obter ganhos pela exploração de patentes geradas no desenvolvimento de suas atividades. Há uma grande capacitação para tais desenvolvimentos, mas, salvo algumas exceções, não se observa nas universidades capacitação para se efetuar esta proteção patentária. Assim, creio que elas deveriam considerar também preparar seus alunos para tratar adequadamente todos os aspectos relacionados à comercialização de tecnologias, a proteção patentária entre eles.

Em mais de vinte anos trabalhando nesta área já pude observar vários casos de fracasso devidos exclusivamente a erros na preparação da proteção patentária e/ou na estratégia de proteção. Acredito que seja a hora de, finalmente, se começar a abordar estes assuntos nos seminários, para que esta nossa fragilidade seja discutida e, espero eu, equacionada.

Uma proteção patentária adequada é um firme fundamento para bons negócios futuros. Peço desculpas por ter escrito tanto, mas por ter considerado o evento Conecta um dos melhores e bem elaborados que participei nos últimos anos, creio que as considerações acima poderão ter eco, e, quem sabe, seja possível sensibilizar os atores envolvidos sobre a necessidade de se melhorar um ponto fundamental para as pretensões do país de se tornar um pólo de desenvolvimento tecnológico.

Mario Luiz Novaes Avila
- Agente da Propriedade Industrial e Engº Mecânico.
- Trabalhou na Área de Propriedade Intelectual da Petrobras.
- Trabalha atualmente na Gerência de Desenvolvimento de Novos Processos e Produtos/Tecnologia de Refino, da Gerência Executiva de Refino - Diretoria de Abastecimento da Petrobras.

Obs.: O artigo acima retrata as opiniões do autor, dadas em caráter exclusivamente particular.

4 comentários 14 de Julho de 2008 às 10:53 Isabela

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