Existem muitos conhecimentos nas empresas, ou melhor, na cabeça das pessoas das empresas que, apesar do potencial de ganho de produtividade e de inovações que eles trazem consigo, permanecem apenas na cabeça das pessoas. A estorinha abaixo, retirada e adaptada do excelente blog Conversation Matters, ilustra isso muito bem:
Chris Argyris, um famoso Professor em Comportamento Organizacional de Harvard, foi convidado para uma “celebração de melhoria de qualidade” em uma grande empresa. Durante a noite os times de melhoria que haviam sido bem-sucedidos vieram um-a-um contar sobre a economia que haviam conseguido com seus projetos. As economias eram inegavelmente consideráveis e justificavam a celebração.
Quando todos os times haviam sido aplaudidos o Presidente da empresa pediu a Argyris que comentasse sobre o que acabara de ouvir. Argyris que era conhecido por nunca deixar de dizer a verdade sobre o que pensava, em consideração à natureza de celebração do evento, sugeriu ao presidente que talvez fosse melhor se ele não comentasse nada. Contudo o Presidente foi insistente pois estava confiante do excelente trabalho que seu time havia feito. O professor então concordou.
Argyris iniciou seu comentário perguntando a cada um dos times há quanto tempo sabiam como resolver o problema que eles haviam acabado de falar a respeito. As respostas variaram entre um a cinco anos. Argyris fez a mesma pergunta ao Presidente e aos “Gerentes Sêniors”. Eles responderem que ficaram sabendo da existência do problema quando os times foram formados seis meses atrás.
Argyris então perguntou a todo o grupo o que estava ocorrendo naquela organização. Problemas os quais os trabalhadores sabiam como resolver, e que salvariam à empresa milhões de dólares, eram desconhecidos da alta gestão. E mais: os problemas permaneceram sem ser resolvidos por anos!
O professor então concluiu que essa organização tinha um problema muito mais crítico do que qualquer outro que haviam acabado de solucionar. Esse problema era “algo” que evitava que os empregados levantassem problemas e levassem soluções à gestão.
O artigo do qual tirei essa estória tenta responder às perguntas que o relato nos suscita: “Por que isso acontece?” “Por que os colaboradores permanecem em silêncio diante dos problemas?”
Eu tenho minhas pistas e o artigo também traz muitos insights, mas, inspirado pelo nome do blog do qual eu tirei essa estória, eu quero saber de você. Na sua visão por que isso ocorre? Na(s) organização(es) que você faz parte isso também acontece?
Não deixe de ler o artigo na íntegra e de expressar sua opinião nos comentários!!!
Assim como as grandes empresas deviam ter um Gerente de Inovação que possui uma visão global da organização, seus recursos e problemas, um país também devia ter tal cargo. Isso se faz necessário especialmente nos momentos de crise, quando algumas empresas tendem a diminuir seus investimentos em P&D e fugir de riscos.
Esse ministro da inovação teria duas funções principais:
Liderar um processo sistemático de inovação nacional;
Criar e manter uma mentalidade de inovação, que a estimule no setor privado.
Vale lembrar que é importante que esse não seja apenas mais um cargo burocrático. Esse ministro teria de exercer um papel determinante: coordenar esforços interdepartamentais a fim de gerar inovações sistematicamente e ajudar, assim, que a nação alcance seus objetivos estratégicos.
Você concorda? Ou esse seria só mais um cargo de nome bonito pegando carona na grande febre que a palavra inovação se tornou? Os ministérios de Ciência e Tecnologia já assumem (ou deviam assumir) esse papel? Deixe sua opinião nos comentários…
4 comentários18 de Fevereiro de 2009 às 19:04Bruno Brant
Eu poderia dizer também que não podemos olhar só a ponta do iceberg ou fazer qualquer outra analogia que indique que uma análise mais minuciosa se faz necessária.
Num excelente artigo que saiu esses dias no Radar do Inovação a Renata Horta juntamente com outros autores explica os diferentes níveis da cultura organizacional e como não podemos nos ater apenas à parte aparente dessa cultura quando queremos avaliar o quanto uma empresa é inovadora.
Os três níveis da cultura organizacional
A idéia do artigo é que não adianta intervir apenas nos artefatos ou nos valores. Uma cultura inovadora possui pressupostos que a sustentam e os líderes devem estar a atentos a esses pressupostos e à sua capacidade de influenciá-los (modificando assim toda a cultura da organização).
Através de cases, que são na verdade contra-exemplos, o artigo aponta ainda algumas barreiras culturais que, mesmo tendo sido percebidas pelos gestores, não puderam ser superadas por exigerem modificações exatamente nesses níveis mais profundos da cultura.
Esta é uma dica de vídeo, que infelizmente só está disponível em inglês.
É uma palestra de Scott Berkun, autor do livro The Myths of Innovation.
Alguns dos mitos abordados na palestra:
1. Cronocentrismo: sempre há a tendência de se acreditar de que a inovação que está acontecendo hoje é a mais importante da história do mundo. Muita gente crê que a internet foi a inovação mais revolucionária da história da humanidade. Será que a canalização da água e esgoto não seria mais importante?
2. Relativismo: o que é obsoleto para alguns pode ser revolucionário para outros. Para boa parte do mundo que vive sem energia elétrica, esta é uma baita inovação em suas vidas.
3. Epifania: Inovação é uma dádiva quase divina. Como o mito da maçã caindo na cabeça de Isaac Newton foi criado, botando ênfase ao acaso em detrimento do trabalho esforçado do pesquisador.
4. O pesquisador solitário: Como as grandes inovações foram obras de um esforço conjunto de inúmeras pessoas, em contraste com o mito do professor trancado num laboratório descobrindo coisas fantásticas.
5. E por aí vai…
O vídeo demora cerca de 1 hora, mas vale a pena o tempo perdido (ou ganho?).
Uma boa dica para aqueles que trabalham com o desenvolvimento de novos produtos ou serviços é o site Trendwatching. Anualmente eles publicam um “Trend Report”, um completíssimo e inspirador relatório. Na lista das empresas que compram regularmente esse relatório estão: Google, Natura, Lego, Apple, Rede Globo e Disney.
Além desse relatório anual, que é pago, eles publicam mensalmente um briefing muito interessante com diversas tendências de consumo. O título do briefingdesse mês é:
De um grosso modo podemos dizer que eles apontam a tendência de que o mundo offline se espelhe cada vez mais no mundo online, desde o desenvolvimento de produtos até a relação com consumidores.
O briefing do mês passado, chamado “Innovation Avalanche” também é muito bom e merece uma visita.
1 comentário2 de Setembro de 2008 às 15:06Bruno Brant
É incrível a quantidade de informação interessante disponível, seja na Internet, seja em Livros ou ainda em periódicos científicos. Mais impressionante ainda é a sensação de que temos cada vez menos tempo para ler mais coisas.
Há algum tempo recebi a indicação de um livro que parece ser interessante, mas que por enquanto está naquela situação: “vou ler assim que eu tiver tempo”. Vai me dizer que você não tem pelo menos uns três artigos na sua caixa de emails nessa mesma situação?
Enquanto não leio a obra posso compartilhar a indicação (e a sensação de falta de tempo) e fazer com que mais pessoas se interessem pelo livro. A resenha do release diz que:
Nesta obra, os autores mostram como gerenciar, medir e lucrar com a inovação. Além de acentuar que ela não acontece por mera casualidade ou inspiração, apontam os caminhos que podem estimular a criatividade e a inovação dentro de uma empresa.
Ficou interessado? Se você não tiver tempo eu posso ler pra você, estou cobrando baratinho…
De hoje em diante vamos usar esse blog também para notas curtas: divulgação de eventos, sugestões de leitura e dar notícias. A idéia era escrever um longo post sobre cada ‘notinha’ dessas, mas como tempo é um recurso escasso, vamos dar esses avisos rápidos. Afinal, falar superficialmente é melhor do que não falar.
Gestão Integrada da Inovação
Ainda não li, mas parece ser bem interessante. Assim que possível deixo minhas impressões aqui no Blog.
“Fruto de extensa pesquisa de professores doutores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a publicação oferece dicas preciosas para a implementação de diferentes metodologias de gestão da inovação capazes de se adequar às necessidades de qualquer empresa, independentemente de seu porte.”