Publicações arquivadas sob Sistemas de Inovação

Crise e inovação

Crise = perigo + oportunidadeNos momentos de crise, muito se fala do ideograma chinês que já virou clichê, “crise = perigo + oportunidade”.

É fato que a história mundial é marcada por momentos de crise e que eles são seguidos por outros de crescimento, de maneira cíclica.

Toda crise traz consigo novos arranjos, sejam econômicos, políticos, sociais, de poder. E em momentos assim, ocorrem mudanças e surgem oportunidades novas para atores novos.

No texto publicado na edição de novembro do radar do inovação, o consultor Daniel da Paula, que está nos EUA desde 2003, faz uma análise muito lúcida da crise e chama atenção para a relação da crise com a inovação.

E eleição de Obama - cuja campanha em si foi marcada por inovações sem precedentes no uso inclusivo da tecnologia - neste momento representa um rearranjo no foco dos investimentos em inovação americanos (e mundiais). Reduzir a dependência do petróleo do oriente médio com inovação, investindo em tecnologias limpas e energias renováveis é o mais importante deles.

O ambiente provocado pela crise traz consigo um apelo ainda maior para a busca por novas soluções e abre um espaço - ainda que mais contigencial que planejado - para inovar. E aí sim, nascem muitas novas oportunidades.

Para nós, países latino-americanos que têm economias crescentes - e que vão continuar crescendo - a crise deve sim representar oportunidades de desempenhar novos papéis mundialmente. Em minhas recentes viagens aos EUA e à Colômbia tive a oportunidade de fazer uma reflexão interessante sobre como a criatividade, flexibilidade são valores muito mais fortes nos países latinos, que enfrentam toda sorte de problemas e escassez de recursos. Isso é um ativo inestimável, especialmente agora.

Com o perdão do repetido clichê, crise e oportunidade parecem mesmo andar juntos para aqueles que tem a inovação como valor essencial.

Créditos da imagem: AlphachimpStudio (via Flickr).

Adicionar comentário 20 de Novembro de 2008 às 16:38 Felipe Matos

Inovatec 2008

Inovatec - Logo Inovatec

Palestras gratuitas e de qualidade são sempre bem-vindas, especialmente quando elas são sobre um assunto interessante. Na semana que vem (29/9 a 2/10) ocorrerá em Belo Horizonte a Inovatec: feira de ciência, tecnologia e inovação.

O evento contará com estandes das principais universidades mineiras, de empresas inovadoras, de agências de fomento e outras instituições que de alguma forma se relacionam com inovação. Além disso haverão diversas palestras, painéis e workshops interessantes, dentre as quais eu achei mais interessante:

  • Gestão do Conhecimento no processo de Inovação Tecnológica
  • Heitor Pereira (SBGC); Itaipu; Petrobrás e FIAT Automóveis

  • Abertura Oficial: Wikinomics - Como a colaboração em massa pode mudar seu negócio (paga)
  • Anthony D. Williams (co-autor do livro Wikinomics)

  • Atração e Retenção de Centros de P&D
  • Peter Oliveira (INM, Alemanha), Sérgio Queiroz (UNICAMP). Ainda não está na programação, mas participaremos desse painel, representados pela Janayna

  • Criatividade, Inovação e Trabalho (paga)
  • Domenico De Masi (Sociólogo, Itália)

    Na verdade são tantas atividades interessantes (e algumas ocorrendo no mesmo horário) que é até difícil escolher.

    Sobre as duas palestras que são pagas, acredito que valham o investimento. Já li o Wikinomics e gostei muito. O Domenico também é muito bom, o único perigo é você não querer trabalhar mais de quatro horas por dia depois que assistir.

    Eu vou. A programação e a inscrição estão disponíveis aqui.

    1 comentário 25 de Setembro de 2008 às 17:41 Bruno Brant

    Quanto você colaborou hoje? E quanto você operou no modo “geladeira velha”?

    489036 refrigerator - 489036 refrigerator

    Aí é o seguinte: Apagão Humano® Invertido.

    O conceito de “apagão” nasceu quando faltou energia para acompanhar o “progresso”. Até então, nunca antes da história deste país havíamos conseguido tamanha mobilização em prol de uma causa comum: economizar energia. Engraçado, que depois do sucesso em nível nacional fomos “bonificados” com o pagamento adicional nas nossas contas de energia pelo prejuízo que as concessionárias tiveram com a economia que nos foi pedida; entendeu? É isto mesmo, pagamos um adicional pela economia que fizemos.

    Feita a referência, o Apagão Humano Invertido se caracteriza pelas abundâncias tanto de energia humana, quanto do uso completamente dispersivo da mesma. Somos uma nação de geladeira velha, ligada na tomada, consumindo muita energia, sem nenhuma garrafa de água para gelar.

    Para exemplificar, proponho um índice AHI: cada cidadão amanhece diariamente com uma determinada capacidade igual de PH (potencial humano): imaginamos que este número seja 100. Ao final do dia, cada pessoa pode fazer a sua contabilidade e calcular seu índice:

    a) Quantos % empenhou em multiplicar a sua energia com a de outros seres em prol do impactar positivamente a vida das pessoas;

    b) Quantos % dedicou a fazer algo útil (não atrapalhou ninguém e ainda conseguiu contribuir para o progresso da humanidade, mesmo que de forma singela);

    c) E, por fim, quantos % ele operou no modo “geladeira velha ligada na tomada sem nada para gelar”; aqui entram todas as rotinas e ações que representam completa fuga de PH, tais como movimentos insanos, burocráticos, circulares, normativos, carimbos, processos, regras, etc.

    Diariamente, junto com o índice Bovespa, por exemplo, teríamos o índice AHI da nação, anunciado pelos principais telejornais. Comece a sua tabela e vamos fazer aqui uma prévia.

    3 comentários 23 de Setembro de 2008 às 15:34 Alexandre Alves

    Blind date

    mharrsch - mharrsch

    Blind date é uma expressão da língua inglesa que se refere a um encontro amoroso de duas pessoas que não se conhecem. Normalmente um amigo comum promove este encontro, tentando dar uma de cupido e desencalhar os amigos.

    Na última quarta-feira, dia 9 de julho, realizou-se o primeiro Encontro de Inovação do setor de Madeira e Móveis de Minas Gerais. O encontro de inovação é uma espécie de blind date da inovação. Vou explicar por que…

    No encontro de inovação, o organizador junta dois agentes da inovação que pouco se conhecem para conversar, com vistas a um futuro namoro.

    Neste caso, o organizador era o Simi (Sistema Mineiro de Inovação) em parceria com o Centro Minas Design. Os pretendentes eram os empresários do setor de móveis e os pesquisadores das ICT’s mineiras.

    Durante o encontro, foram debatidos os principais problemas tecnológicos do setor e discutidas as possíveis soluções para estes problemas. O ideal é que estes problemas sejam resolvidos através de uma parceria (namoro) entre empresários e pesquisadores.

    As propostas surgidas no evento estarão disponíveis na comunidade de madeira e móveis do site do Simi.

    A execução das ações propostas será fundamental para o desenvolvimento tecnológico da industria moveleira mineira e para a aproximação entre os empresários do setor e pesquisadores.

    Será que vai dar namoro?

    2 comentários 15 de Julho de 2008 às 15:54 Leonardo Lage

    Propriedade Intelectual x Atração de Investimento Privado

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    Em entrevista à Fapesp, Robert Sherwood, um dos especialistas internacionais consultados para a elaboração da Lei Federal de Inovação, disse que “a fraqueza do sistema de propriedade intelectual é o principal obstáculo para que a inovação brasileira ganhe espaço no mercado internacional”. Segundo Sherwood, essa vulnerabilidade impede investimentos internacionais que viabilizariam o desenvolvimento da inovação em grande escala. Ele se baseia nos seguintes argumentos:

    · A lei de inovação ainda tem um caráter experimental, dando mais importância à inovação com investimentos estatais do que ao fomento por meio de investimento privado.

    · A exigência de edital para o licenciamento exclusivo de tecnologias desenvolvidas com financiamento do governo é um ponto a ser revisto.

    · A Lei da Propriedade Industrial - assim como a Lei de Inovação - tem artigos confusos e pouco esclarecedores.

    Dada a situação apresentada, Sherwood aponta a necessidade de realização de algumas mudanças, como:

    · Aproximação das ICTs da cultura de comercialização

    · Busca, por parte dos pesquisadores ou ICT, nos bancos de patentes antes de iniciar a pesquisa, para certificar-se que não se está investindo em uma tecnologia que já existe e/ou está protegida

    · Depositar o pedido de patente antes da publicação

    · Aproximação dos pesquisadores dos especialistas em Propriedade Intelectual

    · Reestruturação do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) com o objetivo de aprimorar e tornar mais eficiente o processo de comercialização de tecnologias

    · Atenção das incubadoras à propriedade intelectual

    · Envolvimento de profissionais com capacidade de negociação de patentes entre os envolvidos no projeto de pesquisa

    Percebe-se que todos os pontos levantados são pertinentes à realidade brasileira, porém acredito que a propriedade intelectual é apenas um dos obstáculos, e que se destaca quando se trata de investimentos em inovação tecnológica. Na minha opinião, a raiz da questão da Propriedade Intelectual é um pouco mais profunda, e está na insegurança dos investidores frente ao sistema jurídico brasileiro.

    1 comentário 2 de Julho de 2008 às 08:59 Manu

    Como construir uma nação inovadora

    Innovation Nation - Capa do estudo Innovation Nation
    Em março de 2008, o Governo britânico lançou o “Innovation Nation”, um relatório com recomendações e planos de ação para aumentar a competitividade e produtividade utilizando-se de ações e estratégias relacionadas à inovação. A temática central e a conotação dada é a de fomentar e desprender os “talentos” daquele povo, levando a Inglaterra à uma posição de liderança mundial novamente.


    “We aim to build an Innovation Nation in which innovation thrives at all levels – individuals, communities and regions”

    Analisando o relatório, vemos diversas ações e planos que devem ser desenvolvidos pelo Governo Britânico para dar melhores condições para o desenvolvimento dos três pilares-alvo do estudo. Essas atividades estão distribuídas ao longo de sete eixos de desenvolvimento, que suportam a construção que o “Department for Innovation, Universities and Skills” (DIUS) visualizou para o país, sendo elas:

    1. Demandar inovações: a demanda encoraja os inovadores a atingir novos e mais avançados desejos. Uma das ações interessantes nesta linha é o intercâmbio entre setor privado e academia, onde um expert do setor privado será o mentor de uma equipe acadêmica pró-inovação. Além disso, um conselho misto (público e privado) fará análise regulatória para verificar onde o marco poderá ser melhorado.

    2. Suporte a inovação em negócios: a iniciativa privada é o motor da inovação, e o Governo deve atuar de forma estratégica fomentando oportunidades onde a iniciativa privada pode gerar inovação e prover suporte direto onde o mercado falha. Uma ação de destaque é a criação do “Voucher da Inovação”, que somará £3 milhões até 2011, fomentando a colaboração entre PMEs e a academia. Além disso, outra ação interessante é o auxílio que o Governo promete em relação à re-educação das empresas sobre como reportar seus ativos intangíveis como forma de obterem investimentos futuros.

    3. Uma base de pesquisa inovativa forte: como parte integrante do ecossistema da inovação, grandes, médias e pequenas empresas, assim como os demais usuários, devem interagir e desenvolver a criação de novas idéias. Ações como a criação de sistemas de auxílio à confecção de contratos de sigilo e cooperação entre instituições e de como a Propriedade Intelectual deve ser gerida fazem parte deste eixo estratégico. Neste ponto, o DIUS relata a criação do “Innovation Index” para meados de 2010.

    4. Inovação internacional: a inovação não pode ser enxergada como regional, uma vez que a mobilidade e os recursos são cada vez mais globais. São esperadas diversas reuniões entre as partes interessadas e ações de aconselhamento do Governo.

    5. Pessoas inovativas: o relatório acredita que a maioria das novas idéias não vem como ‘insights’, mas sim da forma como as pessoas criam, combinam e compartilhas suas idéias. Nesse sentido, o DIUS pretende rodar programas piloto para especialização em inovação.

    6. Inovação nos serviços públicos: os serviços públicos (como educação, saúde, transporte, etc.) devem ser eficientes para que o processo inovativo não se prejudique. O tempo “público” deve acompanhar os processos privados, e para tanto o DIUS se compromete a interagir e orientar os profissionais públicos em relação à importância do tema.

    7. “Lugares” inovativos: apesar da globalização das comunicações, a inovação tende a ocorrer em clusters específicos. Aproveitando a interações por proximidade, a idéia é trazer para o mesmo lugar o venture capital, universidades, empresas e governo, alinhando esforços e desenvolvendo soluções para desafios locais e regionais.

    Esse é um pequeno relato das ações planejadas para os próximos anos. Contudo, até onde isto ficará apenas no falatório? Como foi muito bem dito por Susan Robertson em um post, a resposta a essa pergunta é realmente difícil. Diversas ações são ainda muito subjetivas e dificilmente terão uma reação no curto ou médio prazo. De qualquer forma, valeu o tremendo esforço interdisciplinar que o DIUS teve para elaborar este relatório.

    Ações como o próprio “Voucher da Inovação” são bem tangíveis, mas até que ponto poderiam ser aplicáveis no Brasil? E mais: Como podemos unir esforços públicos e privados para que o Brasil se livre de suas correntes e dos diversos entraves à inovação?

    3 comentários 23 de Junho de 2008 às 14:58 Guilherme Pereira

    InovaPoa

    Está “pra sair” a Agência de Inovação e Desenvolvimento Científico e Tecnológico de Porto Alegre – InovaPOA.

    “A entidade será uma autarquia público-privada, com presidente indicado pela prefeitura, mas submetido ao veto de um Conselho de Administração no qual terão assento diversas entidades empresariais, incluindo Federasul, Fecomércio e do CETI, conselho que reúne as associações do setor de TI.”

    Seria essa uma tendência a ser seguida por outras cidades brasileiras?

    1 comentário 9 de Junho de 2008 às 10:36 Bruno Brant

    As artimanhas da atração…

    Como se explica a atração de um homem por uma mulher? O que explica milhões de adolescente apaixonadas pelo Brad Pitt? Ou milhões de marmanjos babando pela Angelina Jolie?

    brad 1 - brad 1

    Não faz muito tempo vi um documentário da BBC chamado “The Science of Love”. Um dos pontos mais surpreendentes do documentário foi o resultado de uma pesquisa científica que tentava identificar quais seriam os fatores que determinavam a atração de um homem por uma mulher e vice-versa. Seriam 4 fatores:

    1. Simetria. Homens procuram mulheres simetricamente perfeitas. Mulheres também buscam simetria, mas podem deixá-la de lado, caso encontre um parceiro que lhe dê segurança e/ou status.
    2. Corpo de violão. É isto mesmo. Uma pesquisa revelou que a proporção quadril/cintura nas mulheres deve seguir uma proporção 0,7 , ou seja, cintura dividida pelo quadril igual ou similar a esta proporção.
    3. Amar a si mesmo. Aqui não é uma questão de narcisismo ou auto-confiança. Você já percebeu que diversos casais tem aparências semelhantes? Os iguais se atraem.
    4. Parecido com a mamãe/papai. Esta conclusão é surpreendente. Mulheres procuram parceiros parecidos com os pais, e homens procuram parceiras parecidas com suas mães.

    Bem, todo esse papo furado é para dizer que também existem atributos que atraem empresas inovadoras para determinadas regiões. Quais seriam estes fatores de atração?

    Para responder a esta pergunta o Instituto Inovação está fazendo um estudo, parte do Projeto Mineiro de Atração e Retenção de Centros de P&D, iniciativa do governo mineiro, via SECTES (Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior).

    Nosso primeiro passo foi pesquisar os Brad Pitts e as Angelina Jolies do mundo, ou seja, as regiões mais atraentes e que concentram o maior número de centros de P&D no mundo.

    Qual é o charme do Vale do Silício? Onde estão as belezas de Cingapura e da Coréia? Quais são as artimanhas de sedução da Austrália ou da Índia?

    No total foram 12 regiões/países do mundo pesquisados. E então? Quais são os fatores que tornaram estas regiões tão atraentes?

    Muito resumidamente, a resposta é a seguinte:

    1. Forte integração entre universidades, empresas e governo.
    2. Educação de alto nível.
    3. Política governamentais de apoio a inovação.
    4. Ambiente econômico, social e político propício.
    5. Cultura empreendedora.

    Bem, parece tudo óbvio, mas “o diabo está nos detalhes”. O estudo é bem aprofundado e revela quais foram as ações que estas regiões adotaram para serem tão atraentes.

    Quem se interessar pode visitar a comunidade do projeto no Simi (Sistema Mineiro de Inovação), pode ver algumas das apresentações na biblioteca do Simi ou no Slidehare e pode responder a um questionário, contribuindo para a validação das conclusões da primeira fase do projeto.

    A próxima etapa é dizer como Minas se posiciona frente a estes atributos e quais ações deveriam ser tomadas para tornar Minas um pólo de centros de P&D ainda mais atraente.

    Seria fazer uma lipo, uma plástica, ou só um botox já resolve?

    4 comentários 20 de Maio de 2008 às 14:08 Leonardo Lage

    Gestão Integrada da Inovação

    De hoje em diante vamos usar esse blog também para notas curtas: divulgação de eventos, sugestões de leitura e dar notícias. A idéia era escrever um longo post sobre cada ‘notinha’ dessas, mas como tempo é um recurso escasso, vamos dar esses avisos rápidos. Afinal, falar superficialmente é melhor do que não falar.

    Gestão Integrada da Inovação

    Gestão Integrada da Inovação - Foto: Capa

    Ainda não li, mas parece ser bem interessante. Assim que possível deixo minhas impressões aqui no Blog.

    “Fruto de extensa pesquisa de professores doutores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a publicação oferece dicas preciosas para a implementação de diferentes metodologias de gestão da inovação capazes de se adequar às necessidades de qualquer empresa, independentemente de seu porte.”

    Adicionar comentário 15 de Maio de 2008 às 16:58 Bruno Brant

    Inovação em redes: orquestrando boa idéias

    Maestro - Orquestrando
    Quem acompanha a indústria aeronáutica deve estar ansioso pela chegada do Boeing 787 ao mercado. O novo avião é uma obra prima da engenharia moderna e traz inúmeras inovações, como consumo de combustível 20% inferior aos concorrentes, turbinas 60% mais silenciosas, menor necessidade de “revisões completas” e outras maravilhas. Antes mesmo de chegar ao mercado já é o maior sucesso de vendas de indústria aeronáutica!

    Tanta inovação e sucesso foram possíveis porque a Boeing possui em seu quadro os melhores engenheiros do mundo e seu departamento de P&D é capaz de gerar inúmeras inovações. Certo?

    Justamente o contrário! Antigamente a Boeing desenvolvia praticamente tudo “internamente”, escrevia detalhadas especificações da cada uma das peças e pedia que seus fornecedores as produzissem. O que chamou a atenção no desenvolvimento do 787 foi que os fornecedores passaram a participar do desenvolvimento do avião e assumiram grande responsabilidade em relação às inovações. Eles entregarão a aeronave praticamente semi-montada e o que a Boeing terá de fazer é quase “tão simples quanto encaixar peças de Lego”.

    Hoje em dia o desenvolvimento de novos produtos está muito relacionado à coordenação de um vasto “ecossistema” de parceiros que possuem habilidades e capacidades complementares. A inovação está menos ligada a “inventar” produtos físicos e mais ligada a orquestrar boas idéias. Para empresas que desenvolvem produtos altamente tecnológicos o desafio tem sido cada vez mais unir os fios dessa enorme rede de criação de valor.

    Dasafio mesmo… semana passada a Boeing anúnciou pela terceira vez o atraso no lançamento do novo avião (agora só poderei voar nele em 2009, droga!). O problema parece estar justamente na forma de produzir a aeronave. Parece que alguns fornecedores não estão conseguindo levar os protótipos para produção em escala e a Boeing vai ter que colocar “funcionários graduados” para trabalhar diretamente nas unidades dos fornecedores.

    O “caso Boeing” nos mostra que descentralização do P&D tem suas vatagens, pode trazer diferenciais competitivos e agregar a seus produtos inovações que sua empresa nunca seria capaz de gerar sozinha. Contudo, um acompanhamento rigoroso de seus parceiros-chave é fundamental.

    Delegue, mas não se esqueça do follow-up.

    Fonte:
    Wikipedia, O Globo e Wikinomics

    2 comentários 17 de Abril de 2008 às 17:07 Bruno Brant

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