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Inovações Desnecessárias

schumpeter
A “destruição criativa” de Schumpeter detecta a tendência de definhamento das empresas de tecnologia antiquada em favor das inovadoras. A necessidade de inovar, entretanto, depende da característica do produto ofertado e da natureza do mercado que a empresa se insere. Empresas de tecnologia da informação e biotecnologia têm necessidade de inovar o tempo inteiro em um mercado onde o estado da arte é volátil e as pequenas possuem grande parte do market-share. Setores oligopolizados de carros e eletrodomésticos apresentam inovações incrementais na maioria das vezes e poucos ápices disruptivos. O setor têxtil acaba investindo mais em design para a diferenciação do produto do que propriamente na tecnologia de produção, amplamente difundida. Há casos, ainda, em que a empresa não precisa inovar. De um modo geral, o que se conclui é que não há um esforço padrão de investimento em inovação para todos os ramos de atividade. Como o tema deste post é o desincentivo mercadológico à inovação, foquemo-nos no último caso, a partir de empresários que empregam tecnologia de produção aquém da dominante.

Em um mercado competitivo, a empresa sobreviveria apenas se ofertasse bens às camadas inferiores da distribuição de renda, que mantêm a demanda pelo bem inferior. A livre competição nos mercados faz também com que a tecnologia empregada na produção do bem já tenha se banalizado, ou seja, já é adquirida pelo nosso empresário ao preço de mercado “justo”. Mesmo com a possibilidade de compra da tecnologia ao menor preço possível, ela não permite que o ganho de qualidade do produto deixe de se converter em preço mais alto. Em outras palavras, a nova tecnologia não força a empresa a se modernizar, pois acarretaria em perda do seu mercado de nível inferior.

O desincentivo à modernização também se justifica pela existência de demanda por bens artesanais. Neste caso, o consumidor paga pela exlusividade ou detalhes artísticos.

Outra hipótese é a de que a empresa funcione em monopólio. As atividades econômicas que possuem custo fixo muito alto e custo marginal muito baixo são geralmente monopólios naturais, ou seja, monopólios que existem mesmo em caso de bom funcionamento do mercado. O caso da fornecedora de energia elétrica é clássico na literatura que trata do tema. Ela incorre em custos fixos altíssimos de geração de energia e construção de redes abrangentes; feito isto, o custo de transmitir uma unidade de energia é mínimo. Para que seja proveitoso o funcionamento da empresa, lhe é necessário economias provindas da escala de operação. Minimizando o “economês”, isso significa que ela tem que ser muito grande. Logo, tende-se ao monopólio. Sem concorrentes e com barreiras de custo fixo fortíssimas à entrada de novas operadoras no mercado não é necessário se diferenciar.

Mas isso tem solução?

Como são falhas de mercado, os monopólios tendem a ser regulados. Ao regular, as agências definem as dimensões pelas quais se oferta, ou seja, definem o preço que poderá ser cobrado, bem como abrangência, produtividade e qualidade dos serviços prestados. Ganhos de produtividade e qualidade envolvem na maioria das vezes necessidade de inovar. Nesta perspectiva, cabe ao regulador estimular a inovação com vistas aos ganhos de produtividade e qualidade em detrimento da cobrança de preços inferiores se julgar ser mais necessária à sociedade qualidade do que preço baixo.

No caso da falha de mercado ser coberta por uma estatal, fica a cargo do governo definir as metas de qualidade, produtividade, etc. Uma vez impostas, haverá necessidade de inovar.

2 comentários 24 de Setembro de 2008 às 17:23 Gustavo Saddi

Cabeça no espaço. Negócios na Terra

Procurar vida em outros planetas é só uma das missões da Nasa. Para sobreviver, a agência tenta se tornar uma máquina de inovações para as empresas americanas.
Durante boa parte de seus 50 anos de existência, a Nasa, agência espacial americana, foi um dos símbolos do poderio de um país. Seus laboratórios impressionantes e sua equipe de cientistas transformaram delírios — como a chegada do homem à Lua e a exploração de Marte — em realidade. Em parte, graças à Nasa os Estados Unidos ganharam a corrida espacial e a batalha de imagem que cercou os anos da Guerra Fria. Mas o socialismo caiu com o Muro de Berlim, e a conquista do espaço perdeu muito de seu charme. E, para sobreviver e garantir recursos, a Nasa teve de encontrar um novo caminho. Nos últimos anos, sua formidável máquina de inovação vem sendo colocada a serviço do desenvolvimento de idéias que possam mudar o dia-a-dia de pessoas comuns, que jamais sairão da Terra. Assim como boa parte das universidades americanas, a Nasa tornou-se uma extensão das áreas de pesquisa e desenvolvimento de grandes empresas. Nos gloriosos tempos da Guerra Fria, quando andar à frente dos russos era a obsessão da Casa Branca, o orçamento anual da Nasa era de 25 bilhões de dólares. Hoje, a verba repassada é 30% menor e as críticas ao apoio governamental são cada vez maiores.“A tendência é que, no futuro, uma parte considerável do dinheiro da Nasa venha da iniciativa privada”, afirma Michael Kearney, presidente da SpaceHab, consultoria dos Estados Unidos especializada na indústria tecnológica.

Ao mesmo tempo que procura vestígios de vida em Marte e vasculha o universo em busca de planetas que um dia possam servir de novos lares para a humanidade, a Nasa prospecta hoje novos negócios em campos que vão do turismo espacial à indústria farmacêutica. Até a década de 70, a Nasa possuía cerca de 30 parcerias com empresas. Hoje, são quase 400, que incluem nomes como Google, Ford e Goodyear. Caso prosperem algumas das inovações que estão sendo desenvolvidas, os carros de passeio ganharão, no futuro, equipamentos como pneus da Goodyear à prova de furos. E sistemas capazes de diagnosticar problemas elétricos nos modelos montados pela Ford.

Este texto é parte da reportagem da revista Exame de 07/08/08.
O texto completo pode ser acessado pelo link a seguir: Revista Exame

Adicionar comentário 13 de Agosto de 2008 às 11:27 Janayna

Da próxima vez que for a Nova York, cuidado com a meningite…

Theo La Photo - Theo La Photo

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ATENÇÃO: Informes urgentes para o turista hipocondríaco:

- Cuidado com a meningite em Nova York.
- Gripe aviária ataca o Egito.
- Estudantes de Sydney ameaçados pela malária.
- Dengue, diarréia, febre tifóide, leptospirose, tétano e tuberculose nas Filipinas.
- E pra que tiver coragem de ir para o Iraque, tem que tomar cuidado não só com os homens bombas, mas também com a raiva canina.

Estas informações estão todas condensadas no HealthMap, um site que quer ser o mapa global de alerta para as doenças e epidemias.

O sistema do site é sem dúvida inovador. Várias fontes de notícias são agregadas: notícias que saem na imprensa sobre o aparecimento de doenças, fontes oficiais, como a OMS, ou para-oficiais, como ONG’s que monitoram o aparecimento de epidemias. Tudo isto é analisado e plotado numa ferramenta Google Maps.

O usuário pode ser desde um turista hipocondríaco, até mesmo um pesquisador que quer estudar o comportamento de determinada doença.

O fato de contar com fontes oficiais e não-oficias (porém confiáveis) faz com que o HealthMap sirva também como uma fonte do aparecimento de doenças em países onde o governo esconde tal fato, preocupado com o impacto no turismo ou na popularidade do governante.

Além disso tudo, o site ainda pode servir de alerta para as autoridade públicas sobre o aparecimento de doenças em países ou regiões próximas.

E da próxima vez que for ao Brasil, muito cuidado com a dengue, hantavívus, infecção hospitalar e febre amarela… Ops… estou no Brasil… Socorro!!!

Adicionar comentário 17 de Julho de 2008 às 18:06 Leonardo Lage

Por que alguns setores inovam mais do que outros?

É fácil perceber que o grau de inovação tecnológica varia entre os setores. Se compararmos mineração e tecnologia da informação, por exemplo, na maioria dos casos isso fica gritante. Mas por que isso acontece?

Acreditamos que podem haver fatores que influenciam positivamente a geração de inovação tecnológica. Assim, a ocorrência desses fatores em determinado setor determinaria uma maior geração de inovação tecnológica, enquanto que a não ocorrência desses fatores dificultaria essas inovações. Alguns desses fatores seriam:

• Ciclo de vida do produto: parece ser um princípio bem lógico, uma vez que quanto menor o ciclo de vida de produto, maior é a necessidade de lançar novos. Isso pode ser agravado em maior ou menor quantidade pelo próximo fator: grau de competitividade do setor.
• Grau de competitividade: em mercados muito competitivos, é preciso inovar. Em primeiro lugar para atender melhor os consumidores; depois para não oferecer tecnologias defasadas.
• Especialização da fonte de conhecimento: a necessidade de fontes de informações especializadas pode fazer um setor produzir mais inovações tecnológicas.
• Foco em custo X diferenciação: buscar cortar custos não deve levar à inovação tecnológica tanto quanto a estratégia de diferenciação.
• Valor agregado do produto: produtos com alto valor agregado tem mais necessidade de inovar tecnologicamente do que setores de commodities, por exemplo.
• Tempo de desenvolvimento de novos produtos: não deve ser confundido com o ciclo de vida do produto. Está relacionado com o ciclo de pesquisa no setor. Quanto menor o tempo necessário, maior a ocorrência de inovações tecnológicas.
• Legislação: benefícios e subsídios à inovação tecnológica em um setor podem favorecer uma maior geração de inovação tecnológica.
• Cultura: um setor com cultura mais aberta e vanguardista, legitima atitudes e códigos sociais que propiciam mais inovação. Por outro lado, a falta de cultura voltada para a inovação pode impossibilitar o surgimento de tecnologias inovadoras. Consideramos a cultura um fator muito relevante.
• Estrutura do setor para parcerias: por estrutura entendemos o estabelecimento de consórcios não-competitivos entre empresas do setor, ou a união em torno de fundos que irão financiar pesquisas para a inovação no setor.
• Indicadores de desempenho do setor: existem setores que tem o desempenho avaliado por fatores tecnológicos, portanto mais ligados à inovação. Esses setores, portanto, irão traçar estratégias que levem ao aumento desse desempenho.

Fizemos um gráfico em que ilustramos (sem pretensão de precisar cientificamente) a diferença de relevância desses fatores:

imagem - imagem

Esses fatores, porém, não são condições. Isso significa que a ocorrência de alguns deles não garante de inovações tecnológicas. Além disso, eles não estão desarticulados. Assim, influenciam-se, de modo que a não-ocorrência de um fator com relevância média, por exemplo, pode não diminuir o grau de inovação se houver outro fator muito relevante e recorrente.

E você, leitor: que aspectos você acredita que influenciam o grau de inovação em um setor? E que aspectos citados neste post podem ser desconsiderados?

2 comentários 4 de Julho de 2008 às 10:16 Isabela

Eventos e mais eventos…

audiencesleep460 - audiencesleep460

Você foi em algum evento recentemente? Vale palestra, seminário, congresso, workshop, etc…

O que você achou destes eventos? Como foram organizados? Qual era o formato?

Possivelmente, você foi em algum auditório onde alguém apresentaria algo sobre um assunto qualquer (física quântica ou sexo dos anjos… isto não importa).

Inicialmente se formaria uma mesa com os especialistas / autoridades / organizadores onde cada um sentaria em sua cadeira e faria uma breve abertura… sempre aquela rasgação de seda:

“… estou muito satisfeito de estar aqui….”
“… tive o prazer de reencontrar fulaninho de tal que foi meu colega de colégio em 1974, lembra da professora de português, fulaninho?”
“… nunca estive diante de uma platéia tão calorosa e inteligente…”

Bem, depois chama-se o palestrante que vem com a onipresente apresentação de PowerPoint… cheia de tópicos, agendas, citações, piadinhas prontas, etc…

Depois de uma hora e meia de blábláblá, o palestrante lamenta pois o tema é muito envolvente e o tempo já estourou em 30 minutos e os 5 minutos de perguntas tem que ser cancelados. “Mas vocês podem me passar as perguntas por escrito que eu respondo por e-mail!!! Ah… e o coffee break vai ser só de 10 minutos, pois estamos com a agenda atrasada…”

Coxinhas de frango, empadinhas com azeitona, guaraná Kuat sem gás e 10 minutos depois voltamos para mais uma maratona verborrágica.

Será que ainda vale a pena sair de casa, pegar aquele trânsito, ou ainda pior, enfrentar um aeroporto para ir a um destes eventos? Será que vale a pena perder 1 dia para extrair o conteúdo que poderia ser condensado em 1 hora?

Os eventos precisam passar por uma inovação radical…

A velocidade das coisas mudou, a informação não flui mais, ela voa… a geração MTV / Internet / Orkut / MSN já está em outra sintonia.

Algumas idéias:

1. Chega de monólogo. As pessoas querem dialogar: 15 minutos de apresentação e 45 minutos de pergunta.
2. Coffee break não serve só para encher a pança. O networking entre as pessoas se dá nestas ocasiões. O coffee pode permanecer, o break tem que ser bem maior.
3. PowerPoint ainda vai, mas pelo amor de Deus, não copie o livro na transparência. Se fosse para ler, não precisaria de fazer um evento.
4. Menos verborragia, metodologias, citações, rasgações de seda… Mais interatividade, discussão, conteúdo, resultados…

Bem, entre um evento e outro, ainda estou esperando o convite para um evento inovador…

2 comentários 11 de Junho de 2008 às 08:10 Leonardo Lage

20 minutinhos… vale a pena assitir

Outro dia, zapendo a TV, peguei o meio de uma reportagem que falava sobre o Segway, aquele “patinete” estiloso que fez muito barulho uns anos atrás, prometendo revolucionar os meios de transporte.

Bem, a reportagem falava não só do Segway, mas de uma série de invenções de um inventor norte-americano chamado Dean Kamen.

Semana passada, o Heber da SECTES (Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais) comentou comigo sobre esta reportagem, depois o Alfredo (também da SECTES) mandou o link, que também foi postado no site do SIMI (Sistema Mineiro de Inovação).

Bem, quem tiver 20 minutinhos… vale a pena assitir.

2 comentários 8 de Abril de 2008 às 13:51 Leonardo Lage

Monte Carlo X Tubo de Ensaio

Acompanhando os blogs internacionais que mencionam estratégias de inovação, percebemos que existe uma demanda latente sobre como justificar e embasar os projetos de inovação mais radicais.

Então, por que a inovação ainda precisa ser justificada? A contra-pergunta é “Não seria melhor pegar o meu orçamento de P&D e fazer apostas em cassinos?”. Essa insegurança se dá pelo histórico não tão bom que os investimentos em P&D têm mostrado aos executivos. Ao olhar as entrelinhas, percebe-se que a justificativa demandada na verdade é uma ânsia por resultados.

Por um lado, ainda existe uma grande deficiência em como se deve medir os resultados dos investimentos em inovação (e até mesmo os resultados da inovação propriamente dita). Por outro, será que se usarmos exclusivamente as melhores práticas de gestão da inovação vamos garantir resultados interessante? Não! As boas práticas ajudam, quando já temos algum tipo de estratégia implantada. Uma vez que se trata, também, de estratégia, é importante pensar na inovação como uma prática sustentável, que precisa de investimentos sistemáticos e consistentes antes de atingirmos níveis de sucesso mais relevantes.

Entretanto, o que as boas práticas nos mostram é que a inovação e a sua gestão devem ser bem balizadas com a estratégia do negócio. Além disso, deve-se garantir que, se um projeto começa a divergir muito da estratégia, temos que saber como “falhar” esse projeto de modo rápido e alocar esforços para os próximos projetos.

Empresas que investem em inovação de forma sustentável têm pouca dificuldade de justificar projetos de inovação. Empresas que estão dando seus primeiros passos rumo à inovação sistemática podem recair na questão do que é melhor: cassino ou estratégia de longo prazo?

A opinião e/ou posição do autor não reflete, necessariamente, a opinião e/ou posição do Instituto Inovação.

4 comentários 25 de Fevereiro de 2008 às 16:09 Guilherme Pereira

Inovação na agenda política nacional

Bandeira brasileira - foto por VanMagenta
É praticamente um consenso que o Brasil ainda tem muito a evoluir quando o assunto é inovação. O que nos deixa um pouco mais felizes é o fato de que a Inovação tem ganhado destaque nas discussões políticas e empresariais, e sua importância para o desenvolvimento do país está ficando clara para todos.

Prova disso é o pré-projeto que foi apresentado este mês ao presidente Lula. Esse projeto, que é fruto de ampla pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, sob encomenda da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), faz um diagnóstico do cenário da Inovação no Brasil e o compara com as experiências de algumas potências mundiais, como EUA, França e Japão.

Os autores do estudo citam alguns obstáculos à inovação encontrados no Brasil e propõe algumas formas de superá-los. Dentre os oito problemas levantados podemos destacar a falta de coordenação entre os órgãos governamentais, falta de empreendedores e a pouca aplicação do conhecimento produzido nas universidades.

Dentre as “saídas” propostas para melhorar o quadro brasileiro, as mais interessantes são: a elaboração de um projeto de metas junto ao setor privado, exploração das compras governamentais para incentivar a inovação, e o desenvolvimento de estratégias para aproximação entre universidades e empresas.

Vale ressaltar que muito do que foi concluído pelos pesquisadores está em sintonia com a percepção do Instituto Inovação. Um exemplo disso é o Portal do Sistema Mineiro de Inovação, projeto que estamos desenvolvendo conjuntamente com o Governo de Minas, e que tem como um dos seus principais objetivos a aproximação entre Universidades, Empresas e Governantes.

Os relatórios dos pesquisadores da USP estão disponíveis através do site da MOBIT (Mobilização Brasileira pela Inovação Tecnológica).

Fonte: Estadão

2 comentários 19 de Fevereiro de 2008 às 11:14 Bruno Brant

Transferência tecnológica para diminuir o aquecimento global

Na reunião sobre mudanças climáticas das Nações Unidas (ONU) em Bali, poucos temas parecem ter dominado a pauta. E um deles foi a questão da transferência de tecnologia limpa entre países, para possibilitar que resultados realmente relevantes sejam obtidos, na redução de emissão de dióxido de carbono.

Diante disso, os participantes da reunião de Bali decidiram criar um grupo de especialistas em transferência tecnológica para aconselhar os países em desenvolvimento. Paralelamente, os países devem refletir e debater formas de eliminar barreiras e dar incetivos (quem sabe financeiros) para possibilitar essa transferência de tecnologias limpas.

Ao meu ver, a transferência tecnológica é central no combate ao aquecimento global. Pouco adianta colocar metas de redução de emissão de gases poluentes, se não houver uma tecnologia que de fato supra as necessidades energéticas dos países, sem agravar o aquecimento global. Acredito que os países estão cientes e sensibilizados para a questão do aquecimento global. O que é preciso agora são instrumentos tecnológicos (entre outros instrumentos: por exemplo, os legais…) que faça-os passar do discurso para ação. Daí a importância da transferência tecnológica, ou do investimento em pesquisas que produzam resultados satisfatórios, nos países, ou áreas geopolíticas. Acredito que uma parte da solução do problema do aquecimento global esteja no financiamento de pesquisas de energias limpas; e no desatar deste nó entre propriedade intelectual e a necessidade de difusão de tecnologias (a um custo acessível para países em desenvolvimento).

Entendo que os interesses político-comerciais têm sim um peso grande nessas tomadas de decisões. Mas em um momento onde organismos com grande credibilidade se propõe a debater o tema, essas barreiras políticas talvez possam ser diminuídas.

1 comentário 19 de Dezembro de 2007 às 16:03 Isabela

Nosso software da inovação é ruim

Li numa sentada o excelente artigo de “Por que o Brasil é ruim de inovação?”, de Clemente Nóbrega (autor de “Em busca da empresa quântica”), publicado na edição de outubro de Época Negócios.

É ótimo quando lemos pontos de vista diferentes do lugar comum. Para Nóbrega, não se explica a nossa lanterninha nos rankings de inovação pela falta de investimentos em tecnologia e má-vontade política e infra-estrutura ruins de sempre. Para ele, essa é a parte “hardware” do problema.

O grande xis da questão, pelo artigo, está no “software”, que ele chama da tecnologia social. É a forma com que as pessoas se relacionam, e principalmente, cooperam umas com as outras. Essa cooperação está calcada na confiança das pessoas umas nas outras (e que tem a ver, sim, com um sistema judiciário que funciona e com leis que, de fato, valem para todos). A cultura do famoso jeitinho, da pequena corrupção (e das grandes também) e do cada um por si, fazem com que um círculo virtuoso de crescimento nunca aconteça por aqui.

Vale a leitura! .

  • Leia a versão online aqui.
  • 7 comentários 8 de Outubro de 2007 às 10:52 Felipe Matos

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