Como já comentamos aqui diversas vezes, uma grande tendência em inovação é a participação cada vez maior da “comunidade” na geração de produtos inovadores.
Uma tendência que tenho observado é a utilização de sistemas específicos para a “gestão” dessas idéias (gestão entre aspas, pois a gestão de uma idéia inovadora vai muito além disso). Alternativas não faltam e as características desses softwares são bem semelhantes. Uma rápida pesquisa na Internet nos traz algumas opções, como os americanos IdeaScale e SuggestionBox e também o brasileiro Zest.
De um modo geral se tratam de sistemas no modelo “software as a service” que podem ser contratados por qualquer empresa que queira utilizá-los. E o funcionamento é simples: as pessoas podem entrar e postar as idéias que a própria “comunidade” discute e avalia através de sistemas de votação.
O potencial desses sistemas é enorme e muitas inovações estão sendo fruto de seu uso. Mas, vale lembrar que a ferramentas são só ferramentas (óbvio, não?). Nada substitui uma boa gestão da inovação, uma cultura inovadora e aberta. A adoção de um sistema desses por empresas rígidas e sem graça que ainda possuem mentalidade do século XIX pode funcionar como um verdadeiro tiro no pé.
3 comentários6 de Novembro de 2008 às 15:20Bruno Brant
Uma boa dica para aqueles que trabalham com o desenvolvimento de novos produtos ou serviços é o site Trendwatching. Anualmente eles publicam um “Trend Report”, um completíssimo e inspirador relatório. Na lista das empresas que compram regularmente esse relatório estão: Google, Natura, Lego, Apple, Rede Globo e Disney.
Além desse relatório anual, que é pago, eles publicam mensalmente um briefing muito interessante com diversas tendências de consumo. O título do briefingdesse mês é:
De um grosso modo podemos dizer que eles apontam a tendência de que o mundo offline se espelhe cada vez mais no mundo online, desde o desenvolvimento de produtos até a relação com consumidores.
O briefing do mês passado, chamado “Innovation Avalanche” também é muito bom e merece uma visita.
1 comentário2 de Setembro de 2008 às 15:06Bruno Brant
Além do excesso de mensagens, excesso de informação e excesso de produtos, vivemos num momento de excesso de inovações. Essa é a opinião de Luli Radfahrer, Ph.D em comunicação digital pela ECA-USP.
Em palestra ministrada recentemente, o professor faz uma análise muito divertida dessa sobrecarga que vivemos, nos mostra sua visão do que seria a criatividade, dos tipos de “criativos” que percebe e define muito bem a inovação.
Depois dessa introdução e contextualização, Luli apresenta com a propriedade de um inovador o processo de inovação, iniciando pelos obstáculos, passando pela formatação da idéia e chegando no “produto sexy”.
O vídeo traz vários insights interessantes e sem dúvidas vale o tempo despendido.
Para assistir o vídeo em tela cheia basta clicar no ícone da direita (depois de dar play no vídeo). Caso você tenha gostado muito da palestra e queira ver os slides, eles estão disponíveis aqui.
A Apple, que junto com o Google é a dupla do momento ícone de sucesso e inovação, superou essa semana o Google em valor de mercado. Foi por bem pouco, e aconteceu em um momento em que a Apple vendeu 1 milhão de Iphone 3G em um fim de semana, e o Google perde dinheiro com publicidade por causa da crise nos Estados Unidos.
Muito já se falou em como as duas empresas são diferentes na geração de inovações estrondosas, com o Google lançando produtos com agilidade, ainda na versão beta, e a Apple segurando o desenvolvimento fechado até os “i” products estarem perfeitos para irem ao mercado. Acredito que não existe só um jeito de ser inovador. As cifras da Apple e do Google demonstram que estilos diferentes podem funcionar bem. O importante é que a cultura da empresa, a estratégia, a estrutura, os processos das organizações considerem o fator “inovação”, e façam com que ele trabalhe a seu favor, gerando desempenho superior. Por ora, ligeiramente superior, no caso da Apple: U$ 158,8 bilhões, frente os U$ 157,2 bilhões do Google. Nada mal.
Talvez nem os mais entusiastas da web 2.0 tenham previsto essa: desde 2006, o Governo dos Estados Unidos vem usando uma Diplopedia.
A wiki para assuntos diplomáticos veio substituir os memorandos impressos, que continham biografias úteis em encontros entre diplomatas dos EUA e figurões de todo o mundo. Hoje, Stacie R. Hankins, que trabalha na embaixada dos EUA em Roma, contou que Ronald P. Spogli, o embaixador americano por lá, costuma ler em seu BlackBerry, a caminho dos encontros, as informações mais completas e atualizadas de praticamente qualquer personalidade do planeta.
A dinâmica de construção colaborativa da Diplopedia possibilita que os diplomatas encontrem com facilidade dados atualizados. E isso é um ponto chave: a Diplopedia é mais do que a fonte de informação mais completa, ela é a melhor forma de organizar a informação para que ela seja facilmente encontrada. No mundo 1.0, a biografia de um economista americano influente poderia estar com o departamento de economia, ou de política, ou sabe-se lá onde. Na wiki, a informação pode estar em diversas categorias, e serem rapidamente disponibilizadas por mecanismos de busca.
É surpreendente que a cultura wiki – leia-se compartilhamento, estruturas achatadas, iniciativas emergentes, participação – tenha “pegado” em uma organização que é sinônimo de burocracia e controle de discursos. Mas pegou: desde que foi criada são 650.000 páginas vistas, e, recentemente, atingiu a marca de 20.000 novas páginas vistas por semana. Não existe nenhuma censura formal ao conteúdo, mas nunca foi preciso deletar uma página. Ela não está disponível para o público em geral. Hoje existe até mesmo um departamento de eDiplomacy. Abrir-se dessa maneira para a web 2.0 demonstra uma intenção de transformação cultural grande, e que envolve os valores mais profundos de uma organização. Blogs internos também são estimulados.
Questionado sobre o que aconteceria com uma pessoa que usasse dessa cultura aberta de forma indevida, Mr. Hankins falou que existem diversas formas de um indivíduo acabar com sua carreira, e que “o jeito wiki” é apenas o mais moderno.
ATENÇÃO: Informes urgentes para o turista hipocondríaco:
- Cuidado com a meningite em Nova York.
- Gripe aviária ataca o Egito.
- Estudantes de Sydney ameaçados pela malária.
- Dengue, diarréia, febre tifóide, leptospirose, tétano e tuberculose nas Filipinas.
- E pra que tiver coragem de ir para o Iraque, tem que tomar cuidado não só com os homens bombas, mas também com a raiva canina.
Estas informações estão todas condensadas no HealthMap, um site que quer ser o mapa global de alerta para as doenças e epidemias.
O sistema do site é sem dúvida inovador. Várias fontes de notícias são agregadas: notícias que saem na imprensa sobre o aparecimento de doenças, fontes oficiais, como a OMS, ou para-oficiais, como ONG’s que monitoram o aparecimento de epidemias. Tudo isto é analisado e plotado numa ferramenta Google Maps.
O usuário pode ser desde um turista hipocondríaco, até mesmo um pesquisador que quer estudar o comportamento de determinada doença.
O fato de contar com fontes oficiais e não-oficias (porém confiáveis) faz com que o HealthMap sirva também como uma fonte do aparecimento de doenças em países onde o governo esconde tal fato, preocupado com o impacto no turismo ou na popularidade do governante.
Além disso tudo, o site ainda pode servir de alerta para as autoridade públicas sobre o aparecimento de doenças em países ou regiões próximas.
E da próxima vez que for ao Brasil, muito cuidado com a dengue, hantavívus, infecção hospitalar e febre amarela… Ops… estou no Brasil… Socorro!!!
Tive alguns insights essa semana assistindo a uma entrevista do Tony Ulwick, CEO da Strategyn – empresa de consultoria pioneira na Inovação por Resultados (Outcome-Driven Innovation®). A interpretação de Ulwick sobre o livro “The Innovator’s Solution” é a de que os consumidores compram produtos que ajudam uma tarefa a ser executada.
Daí vem o termo Inovação por Resultados, que não foca no consumidor em si, nem no produto ou nos competidores. Esse tipo de inovação é definida pela estrutura, conteúdo e formato do que deve ser entregue, onde a tarefa a ser executada demarca o foco da inovação.
Então podemos, de forma geral, categorizar os focos de criação da inovação tecnológica em ao menos quatro: as chamadas Outcome-Driven Innovation, Consumer-Driven Innovation, Product-Driven Innovation e Competitor-Driven Innovation.
Entretanto, sabemos que existem diversas fontes, métodos e ferramentas para a promoção da geração de inovações e que estas práticas têm cada vez mais sido utilizadas pela empresas. O problema é: de que adianta termos acesso a diferentes fontes de inovação mas não termos canais, estrutura e processos adequados para o recebimento, processamento e desenvolvimento das oportunidades que nos chegam à vista? As empresas estão preparadas para tal?
Estava folheando um jornal (daqueles de papel) estes dias e me deparei com uma entrevista de Rupert Murdoch para o Wall Street Journal. Para que não sabe, Murdoch é o maior magnata da mídia mundial. É dono, dentre outros, do próprio Wall Street Journal, do New York Post, de 14 periódicos australianos, de vários tablóides ingleses (incluindo The Sun), da Sky, da Twentieth Century Fox, da liga de rúgbi australiana e do MySpace. Ufa!
Murdoch falava 70% da entrevista sobre o MySpace e os 30% restantes, que eu achei mais interessante, sobre o fim do jornal impresso.
Segundo Murdoch, esta mídia tem ainda mais 20 a 30 anos de vida, mas o modelo de negócios já passa por uma revolução. A tiragem global não está sofrendo profundas alterações, mas a participação dos grandes jornais (como o próprio WSJ) diminuiu em detrimento da ascensão de jornais gratuitos, como o Metro (já distribuído no Brasil pelo Grupo Bandeirantes em São Paulo).
Murdoch prevê que as novas gerações vão acessar as informações e notícias através de outros meios, como a internet e principalmente outros meios móveis, como o celular.
No ano passado a circulação de jornais impressos nos EUA caiu 3,6% em relação a 2006.
No Brasil, surpreendentemente, a circulação de periódicos cresceu quase 10%. O bom ambiente econômico contribuiu, mas sobretudo um novo fenômeno deu um impulso à venda de jornais: o crescimento vertiginoso de jornais populares, vendidos em bancas ou nos semáforos por 25 ou 50 centavos. O jornal de maior circulação no Brasil não é Folha de São Paulo, tão pouco O Globo. Os jornais de maior circulação na Brasil são os populares Super (de Belo Horizonte) e o Extra (do Rio de Janeiro).
Estes dados remetem ao modelo de negócios destes novos periódicos, que são gratuitos ou quase gratuitos (obviamente 25 ou 50 centavos não cobre o custo de redação, impressão e distribuição de um jornal).
Estamos lidando com mais um exemplo da “economia do grátis” ou o freeconomics. Este assunto já foi abordado no blog em um post recente.
O modelo de negócio destes jornais está baseado na publicidade que subsidia o preço ínfimo ou a gratuidade do jornal. É o mesmo que ocorre com a TV aberta. A publicidade subsidia a produção de novelas, telejornais e outros programas, além da sua distribuição.
Assim como na indústria fonográfica, a internet e modelos inovadores de negócio estão ameaçando os jornaizões. Será que nossos netos lerão a Folha de São Paulo, O Globo ou o Estado de Minas?
Foto: inju (www.flickr.com/photos/inju)
1 comentário27 de Junho de 2008 às 17:46Leonardo Lage
Lute contra bactérias e ajude o sistema imune a se preparar para enfrentar patógenos invasores. Este é o universo de Immune Attack, um jogo educativo desenvolvido pela Federation of American Scientists (FAS) para ensinar conceitos básicos de imunologia humana a crianças e adolescentes.
No jogo, disponível gratuitamente para download, o usuário controla um nano-robô que viaja em meio a vasos sanguíneos e tecidos do corpo humano ajudando o organismo a lutar contra bactérias que estão afetando a saúde de um paciente. Enquanto travam batalhas e se divertem, os jogadores aprendem sobre os componentes do sistema imune e descobrem processos que fazem parte do mecanismo de defesa do organismo. Um dos destaques fica por conta dos elementos gráficos do software. Além de atraírem a atenção dos jovens, eles também ajudam na compreensão de fenômenos biológicos complexos; difíceis de serem ensinados unicamente através de métodos de ensino tradicionais, como a leitura de textos e aulas expositivas.
A iniciativa ajuda a comprovar que, no nosso mundo cada vez mais tecnológico e inovador, o ensino não precisa mais ficar restrito às salas de aula e àquela velha imagem de um professor falando na frente de um quadro negro. Ferramentas como esta, que tornam o aprendizado mais interativo e dinâmico, adquirem, então, um importante papel na tarefa de despertar o interesse dos jovens para a ciência, contribuindo, assim, para a formação dos nossos futuros pesquisadores e cientistas.