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Do mega ao nano: Open innovation e conexões improváveis

Um dos mais fascinantes conceitos trazidos a reboque do tema inovação aberta, ou open innovation, são as chamadas “conexões improváveis” que podem surgir quando se abrem as portas de uma empresa ou instituição para idéias e soluções tecnológicas externas.

Na UFRGS, em Porto Alegre, um caso interessante uniu áreas aparentemente desconexas: Astrofísica e Engenharia de Alimentos.

Tudo começou quando o professor de Astrofísica Horário Dottori observou imagens microscópias de microtoxinas, que ficam fluorescentes pela ação de um corante reagente. Ele percebeu que a imagem era muito parecida com a de um campo estrelado no céue que poderia usar técnicas de fotometria astronômica para medir a fluorescência destas toxinas, algo que era um problema na área da Toxicologia.

A nova abordagem, que trouxe metodologia do universo “mega” ao “nano” aumentou muito o nível de visualização das microtonixas. Análises que antes eram feitas manualmente e de forma qualitiativa e subjetiva, foram automatizadas com ajuda de softwares de computadores - os mesmos que medem a luz das estrelas espaciais. Essa nova técnica tornou viável o desenvolvimento de uma metodologia confiável de análise quantitativa destas toxinas. Os benefícios são notáveis, em comparação ao método tradicional, permitindo um nível de precisão 10 vezes maior, o que já gerou interesse de empresas de alimentos, que já trabalham em parceria com a universidade para realizar as análises toxicológicas de seus produtos.

Esse caso só confirma a idéia de que abertura para intercâmbios outras áreas de conhecimento pode gerar inovações até então impensadas. No caso da UFRGS, o Astrofísico Horácio só teve às imagens de microtoxinas, por ser marido da Farmacêutica e profa. Isa Beatriz Noll. Promover sistematicamente estes intercâmbios, abrindo desafios tecnológicos e estimulando surgimento de propostas de soluções que venham de fora deve fazer com que eventos como esse ocorram com mais frequência

Será que esse é um caminho viável como alavanca de inovação? Veja o vídeo, conheça a história e diga o que você acha nos comentários.

5 comentários 2 de Outubro de 2009 às 14:07 Felipe Matos

IP or not IP…

O PensadorUma questão central no processo de inovação tecnológica, que vem sendo discutida amplamente tanto por parte das empresas como dos centros de pesquisa é a necessidade de proteção intelectual de invenções, para viabilizar a geração de inovações a partir delas. Para a empresa, uma tecnologia protegida significa vantagem competitiva. Para o centro de pesquisa, engrossa a estatística de produtividade científica e aumenta, em tese, o potencial de geração de royalties e transferências para o mercado.

Muito do que se fala em IP (do inglês, Intelectual Property), contudo, representa alguns mitos. Muitos desses mitos aparecem nesta ótima entrevista com Jackie Hutter, Chefe de Estratégia em IP e Fundador do The Hutter Group, feita pelo blogueiro Braden Kalley, do Blogging Innovation.

Ela mostra pecados por excesso e também por falta de IP na hora de lidar com invenções. Muitas vezes, a patente não é necessária, seja porque o produto ficará no mercado por um período curto, o mercado é limitado ou quando fortes relações comerciais fazem com que ela seja dispensável. Há ainda casos em que os advogados de IP (treinados para terem aversão ao risco), forçam o patenteamento muito cedo, antes que o produto seja testado, ainda que de forma piloto. Acaba-se patenteando produtos que se revelarão ruins no futuro ou gastando mais dinheiro em complementos àquela patente com os desenvolvimentos e melhorias adicionais, que sempre surgem no processo de scale-up.

Ela mostra ainda que em muitos casos, a área de IP é vista como um “centro de custo” do departamento jurídico e não de investimento. Em outras palavras, quanto menos for gasto ali, mais sobra para as áreas fins do negócio. Muitos executivos da área tem seus bônus atrelados a redução de custos nestas áreas e esse distanciamento do negócio faz com que proteções que representariam inovações de longo prazo para a empresa sejam mal feitas.

Por fim, diz que o maior mito é o de que “muitos profissionais acreditam que propriedade intelectual é um ativo institucional pronto para ser colhido sem nenhum trabalho de cultivo”. Em outras palavras, para uma organização ter IP, ela deve ter uma estratégia de IP. Vale a leitura!

PS: Obrigado ao pesquisador Carlos Figueroa, da Universidade de Caxias do Sul, pela indicação do artigo.
Foto: Metal Crhis

4 comentários 8 de Setembro de 2009 às 10:48 Felipe Matos

A walk on the wild side of knowledge transfer

Lisbon. As summer fades into autumn (September 28 to October 1), a few (30, to be exact) unapologetic men and women gather under the shelter of a confidentiality agreement to bravely face and confront the darker, lurking with trolls and secrets, wild side of knowledge transfer.

I made this! But who owns it?
Hey, Mr! That’s not a proper use for a MTA!
Win-Win negotiations with No!-No! people.
Tough globalization challenges.
What if the media isn’t mild?
Bad politics, strange policies and uncooperative environments.
Surf not to Hawaii just yet, Honorable Professor!
Marketing as War and dynamic strategy.
Dissecting a license agreement and managing dirty little tricks in licensing.
Litigation, aggravation and survival strategies.
Business development with a vengeance.

Texto de divulgação do evento que acontece em Lisboa, entre os dias 28 de setembro e 01 de outubro.

Veja prospecto completo, com grade de programação.

Adicionar comentário 31 de Agosto de 2009 às 09:08 Isabela

Criando redes de inovação com o Microblogging

Desde que o Twitter foi lançado e virou a febre que é hoje muita gente percebeu o potencial que a ferramenta possuia para a comunicação de equipes dentro das empresas. A questão é que o serviço da startup americana não permite a criação de grupos fechados e a empresa não sinalizou que pretende inserir tal funcionalidade na plataforma.

Como não podia deixar de ser, algumas plataformas surgiram para explorar exatamente esse nicho. Hoje as empresas que desejam ter o seu twitter corporativo têm diversas opções. Temos desde softwares Open Source como Laconica até o famosíssimo Yammer, que já está sendo utilizado por empresas como Adobe e AMD. Outra opção seria o Present.ly que é quase idêntico ao seu irmão famoso.

Mas por que as empresas deveriam adotar uma ferramenta como essa? Só pra estar na moda?

  1. Conversação é o segredo. Além de permitir que as pessoas comuniquem em qual projeto estão trabalhando e informem o que estão fazendo no momento, elas podem fazer perguntas umas às outras, trocar recados…as possibilidades são inúmeras. Além disso, a rede social que se forma permite que qualquer um ingresse em conversas que estariam restritas a emails.
  2. Colaboração com parceiros externos. A existência dos grupos permite que você convide pessoas de fora da sua empresa para assuntos específicos. Dessa forma um grupo pode funcionar como um grande agregador de links, documentos e insights sobre um projeto específico.
  3. Diminuição do “SPAM Corporativo”. Apesar de num primeiro momento parecer que a sobrecarga informacional só vai aumentar, esse tipo de ferramenta permite que o usuário defina claramente que informações quer receber. Ele pode escolher as pessoas e tags que quer seguir bem como dos grupos que deseja participar, além de optar se quer ou não receber resumos e notificações por email.
  4. Gestão do Conhecimento 2.0. Mais importante do que ter todos os conhecimentos das pessoas registrados em bases de conhecimento é ter meios de saber quem tem o conhecimento que preciso AGORA e como achar essa pessoa. É isso que um sistema como esse permite.
  5. Repositório de informações. Sabe aqueles links interessantes que são enviados por email e depois se perdem? Pois então, se eles forem enviados para o twitter corporativo ficarão armazenados como links e poderão ser recuperados muito facilmente no futuro. Além disso, os sistemas corporativos permitem anexos, que também podem ser encontrados com dois cliques.
  6. Multi-plataforma. A existência de aplicativos para iPhone e pra desktop, integração com o Firefox, Twitter e Google Talk faz com que o usuário acompanhe e poste novidades da forma que achar mais conveniente.

OK, você me convenceu, mas tem que haver algum ponto negativo!

  • Mais uma ferramenta. De um modo geral os trabalhadores do conhecimento já têm que lidar com uma enorme quantidade de ferramentas de informação em seu dia-a-dia. Email, Orkut, Linkedin, Leitor de RSS, Mensageiro Instantâneo…. enfim: se não ficar clara a utilidade da plataforma a tendência é que as pessoas a encarem como “mais uma parafernália pra tomar o meu tempo”. É preciso se pensar caso-a-caso.
  • Tecnologia não é tudo. As pessoas é que fazem a diferença. Se sua empresa não tem uma cultura de troca de experiências, de feedbacks constantes e pessoas que são afeitas à “web2.0″, a tendência é que após algumas semanas de uso a ferramenta caia no esquecimento.

Conclusão

O Microblogging pode exercer um papel interessante no contexto da inovação, da gestão do conhecimento e da comunicação entre equipes. É notório também que as tecnologias da informação não param de evoluir. A cada dia surgem novas ferramentas que prometem revolucionar a forma como nos relacionamos e trabalhamos.

É preciso estar atento a essas tecnologias e criar planos de adoção quando está claro que elas podem nos ajudar. Por outro lado é necessário precaução para que não sejamos levados por modismos e troquemos de ferramenta a cada quatro meses.

Sua opinião

O que você acha? Pensa que uma ferramenta como essa seria útil para sua empresa, para o seu departamento de P&D ou para sua universidade? Cadastre-se gratuitamente em uma das duas ferramentas para entendê-las melhor e deixe suas impressões nos comentários!

2 comentários 27 de Agosto de 2009 às 16:22 Bruno Brant

Você está preparado para concorrer com o Google?

Com milhares de engenheiros espalhados pelo mundo, o Google é uma fábrica de inovações. A empresa começou sua saga se estabelecendo como um excelente motor de buscas, e aos poucos foi lançando novos produtos que, devido à sua qualidade, rapidamente dominaram seus nichos. Foi assim com o Gmail, o Google Maps, o Google Docs, entre outros.

Agora lançaram mais um, e esse tem tudo pra ser um sucesso no ambiente corporativo: Google Moderator. Criado nos famosos 20% de tempo livre, o aplicativo foi pensado como uma solução simples para um problema simples.

“No Google, nós temos muitas palestras, mas como o número de participantes aumentou, a parte de perguntas e respostas não estava sendo possível. Nunca havia tempo para todas as questões, e não estava claro se as melhores perguntas é que eram respondidas. Além disso, a participação de pessoas fora de Mountain View não se fazia possível.”

Para resolver essa questão o engenheiro Taliver Heath criou um sisteminha simples onde todos podem mandar perguntas e votar nas perguntas enviadas por outras pessoas.

google moderator - google moderator

Há alguns dias escrevemos sobre ferramentas para gestão de idéias e essa é exatamente umas das funcionalidades que a nova ferramenta do Google pretende abranger. É o Google fornecendo - “sem querer” - ferramentas para gestão da inovação aberta (Open Innovation).

Será que as empresas que desenvolvem essas ferramentas estão prontas para concorrer com o Google e sua política de fornecer tudo de graça? Tá certo que o Moderator ainda é bem limitado, mas a tendência é que ele evolua rapidamente.

Essa é uma questão que todas as empresas que trabalham com software devem começar a se perguntar: “e quando o Google chegar no meu nicho, o que vai ser de mim?” E que fique claro que não são só essas empresas que estão ameaçadas. A missão de organizar toda a informação do mundo é abrangente o suficiente para deixar muita gente preocupada.

1 comentário 14 de Abril de 2009 às 20:54 Bruno Brant

Mostra de tecnologias - inovações dos NITs do Brasil representadas no Fortec

Fortec

Depois da criação de Lei de Inovação, em 2005, as universidades e centros de pesquisa brasileiros criaram os chamados NITs, ou Núcleos de Inovação Tecnológica. O objetivo dos NITs é cuidar das tecnologias desenvolvidas internamente, das questões de propriedade intelectual e, especialmente, transferência de tecnologia. Trocando em miúdos, é papel dos NITs levar as tecnologias dos centros de pesquisa ao mercado.

O Fortec, sigla para Fórum Nacional de Gestores de Inovação, é a instituição que representa todos estes NITs. Eles estarão reunidos dias 27, 28 e 29 de abril em Campinas para o IIIº Encontro do Fortec.

Neste ano, o Instituto Inovação é patrocinador do evento e organizador da Mostra de Tecnologias, um evento paralelo que ocorrerá no dia 27, apresentando tecnologias dos NITs de todo o Brasil para empresas interessadas em seu licenciamento. O objetivo é promover uma maior aproximação entre os NITs e o setor empresarial, através da apresentação de tecnologias inovadoras e de impacto no mercado, que serão selecionados pela equipe do Instituto Inovação, em conjunto com o Fortec.

Elas estarão disponíveis para consulta online e impressão de descritivos em quiosques no local do evento, que vai oferecer ainda um brunch (lanche reforçado) aos participantes.

Empresas interessadas, poderão fazer sua inscrição pelo site do Fortec.

NITs que queiram submeter suas tecnologias para a mostra: acessem o formulário online!

1 comentário 1 de Abril de 2009 às 19:51 Felipe Matos

Cultura para inovação: o buraco é mais embaixo

Eu poderia dizer também que não podemos olhar só a ponta do iceberg ou fazer qualquer outra analogia que indique que uma análise mais minuciosa se faz necessária.

Num excelente artigo que saiu esses dias no Radar do Inovação a Renata Horta juntamente com outros autores explica os diferentes níveis da cultura organizacional e como não podemos nos ater apenas à parte aparente dessa cultura quando queremos avaliar o quanto uma empresa é inovadora.

Iceberg Cultural - Níveis da Cultura Organizacional

Os três níveis da cultura organizacional

A idéia do artigo é que não adianta intervir apenas nos artefatos ou nos valores. Uma cultura inovadora possui pressupostos que a sustentam e os líderes devem estar a atentos a esses pressupostos e à sua capacidade de influenciá-los (modificando assim toda a cultura da organização).

Através de cases, que são na verdade contra-exemplos, o artigo aponta ainda algumas barreiras culturais que, mesmo tendo sido percebidas pelos gestores, não puderam ser superadas por exigerem modificações exatamente nesses níveis mais profundos da cultura.

Link para o artigo: Cultura Organizacional e Gestão da Inovação Tecnológica

Adicionar comentário 6 de Fevereiro de 2009 às 14:50 Bruno Brant

Ferramentas para gestão de idéias

lightTree - Logo IdeaScale
Como já comentamos aqui diversas vezes, uma grande tendência em inovação é a participação cada vez maior da “comunidade” na geração de produtos inovadores.

Para que isso ocorra, as empresas têm se preocupado com a captação de idéias que vêm de fora dos seus departamentos de P&D. Essas idéias podem vir de clientes, de empregados da empresa e até mesmo de alguém que caiu no seu web site por acaso.

Uma tendência que tenho observado é a utilização de sistemas específicos para a “gestão” dessas idéias (gestão entre aspas, pois a gestão de uma idéia inovadora vai muito além disso). Alternativas não faltam e as características desses softwares são bem semelhantes. Uma rápida pesquisa na Internet nos traz algumas opções, como os americanos IdeaScale e SuggestionBox e também o brasileiro Zest.

De um modo geral se tratam de sistemas no modelo “software as a service” que podem ser contratados por qualquer empresa que queira utilizá-los. E o funcionamento é simples: as pessoas podem entrar e postar as idéias que a própria “comunidade” discute e avalia através de sistemas de votação.

O potencial desses sistemas é enorme e muitas inovações estão sendo fruto de seu uso. Mas, vale lembrar que a ferramentas são só ferramentas (óbvio, não?). Nada substitui uma boa gestão da inovação, uma cultura inovadora e aberta. A adoção de um sistema desses por empresas rígidas e sem graça que ainda possuem mentalidade do século XIX pode funcionar como um verdadeiro tiro no pé.

7 comentários 6 de Novembro de 2008 às 15:20 Bruno Brant

Mude o mundo! Com a ajuda do Google…

Se você foi picado pelo mesmo bicho que o Alexandre e está procurando um parceiro para te ajudar a multiplicar seu potencial humano, acabou de encontrar um.

Através do projeto lançado recentemente, chamado de “Projeto 10¹ºº“, o Google pode te ajudar a mudar o mundo. Trata-se de um concurso de “idéias capazes de mudar o mundo ajudando o maior número de pessoas possível”. A gigante de mountain view promete disponibilizar “simplesmente” US$10.000.000 (dez milhões de dólares) para a implementação das melhores idéias.

O funcionamento do concurso, a lá open innovation, é simples: você envia sua idéia acompanhada ou não de um vídeo de 30 segundos, espera que a “comunidade” escolha sua idéia para figurar entre as vinte semi-finalistas e torce para que um comitê consultivo considere sua idéia merecedora de estar entre as 5 finalistas.

Se você deseja conhecer os critérios e os tipos de idéia que são aceitos, basta entrar no site do concurso. O mais interessante é que não existem letrinhas pequenas nos “termos do serviço” dizendo que ao submeter sua idéia você estará cedendo seu direito de propriedade intelectual para os organizadores.

São iniciativas como essa que fazem com que a Google, apesar de ter se tornado uma multinacional muito poderosa, continue sendo adorada por muitos…

2 comentários 25 de Setembro de 2008 às 09:53 Bruno Brant

Brasil no mapa mundial do Open Innovation

Saiu mais uma newsletter do Radar do Inovação, o centro de conhecimento do Instituto Inovação.

Nesta edição:

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Instituto Inovação realiza alianças internacionais com InnoCentive e Ninesigma e insere Brasil no mapa mundial do Open Innovation

Métodos de Valoração de Tecnologias

A Política de Desenvolvimento Produtivo do Governo Federal e a macrometa de aumentar o investimento privado em P&D

Internacional: Colômbia utiliza metodologias do Instituto Inovação para avaliar potencial de tecnologias

Quem quiser receber sempre, é só registrar.

Adicionar comentário 5 de Setembro de 2008 às 17:27 Isabela

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