Como já comentamos aqui diversas vezes, uma grande tendência em inovação é a participação cada vez maior da “comunidade” na geração de produtos inovadores.
Uma tendência que tenho observado é a utilização de sistemas específicos para a “gestão” dessas idéias (gestão entre aspas, pois a gestão de uma idéia inovadora vai muito além disso). Alternativas não faltam e as características desses softwares são bem semelhantes. Uma rápida pesquisa na Internet nos traz algumas opções, como os americanos IdeaScale e SuggestionBox e também o brasileiro Zest.
De um modo geral se tratam de sistemas no modelo “software as a service” que podem ser contratados por qualquer empresa que queira utilizá-los. E o funcionamento é simples: as pessoas podem entrar e postar as idéias que a própria “comunidade” discute e avalia através de sistemas de votação.
O potencial desses sistemas é enorme e muitas inovações estão sendo fruto de seu uso. Mas, vale lembrar que a ferramentas são só ferramentas (óbvio, não?). Nada substitui uma boa gestão da inovação, uma cultura inovadora e aberta. A adoção de um sistema desses por empresas rígidas e sem graça que ainda possuem mentalidade do século XIX pode funcionar como um verdadeiro tiro no pé.
3 comentários6 de Novembro de 2008 às 15:20Bruno Brant
Se você foi picado pelo mesmo bicho que o Alexandre e está procurando um parceiro para te ajudar a multiplicar seu potencial humano, acabou de encontrar um.
Através do projeto lançado recentemente, chamado de “Projeto 10¹ºº“, o Google pode te ajudar a mudar o mundo. Trata-se de um concurso de “idéias capazes de mudar o mundo ajudando o maior número de pessoas possível”. A gigante de mountain view promete disponibilizar “simplesmente” US$10.000.000 (dez milhões de dólares) para a implementação das melhores idéias.
O funcionamento do concurso, a lá open innovation, é simples: você envia sua idéia acompanhada ou não de um vídeo de 30 segundos, espera que a “comunidade” escolha sua idéia para figurar entre as vinte semi-finalistas e torce para que um comitê consultivo considere sua idéia merecedora de estar entre as 5 finalistas.
Se você deseja conhecer os critérios e os tipos de idéia que são aceitos, basta entrar no site do concurso. O mais interessante é que não existem letrinhas pequenas nos “termos do serviço” dizendo que ao submeter sua idéia você estará cedendo seu direito de propriedade intelectual para os organizadores.
São iniciativas como essa que fazem com que a Google, apesar de ter se tornado uma multinacional muito poderosa, continue sendo adorada por muitos…
2 comentários25 de Setembro de 2008 às 09:53Bruno Brant
Tive alguns insights essa semana assistindo a uma entrevista do Tony Ulwick, CEO da Strategyn – empresa de consultoria pioneira na Inovação por Resultados (Outcome-Driven Innovation®). A interpretação de Ulwick sobre o livro “The Innovator’s Solution” é a de que os consumidores compram produtos que ajudam uma tarefa a ser executada.
Daí vem o termo Inovação por Resultados, que não foca no consumidor em si, nem no produto ou nos competidores. Esse tipo de inovação é definida pela estrutura, conteúdo e formato do que deve ser entregue, onde a tarefa a ser executada demarca o foco da inovação.
Então podemos, de forma geral, categorizar os focos de criação da inovação tecnológica em ao menos quatro: as chamadas Outcome-Driven Innovation, Consumer-Driven Innovation, Product-Driven Innovation e Competitor-Driven Innovation.
Entretanto, sabemos que existem diversas fontes, métodos e ferramentas para a promoção da geração de inovações e que estas práticas têm cada vez mais sido utilizadas pela empresas. O problema é: de que adianta termos acesso a diferentes fontes de inovação mas não termos canais, estrutura e processos adequados para o recebimento, processamento e desenvolvimento das oportunidades que nos chegam à vista? As empresas estão preparadas para tal?
O modelo de inovação aberta, no qual as empresas buscam idéias e tecnologias fora de seus muros, é sem dúvida alguma uma forte tendência internacional.
Ao permitir que as organizações utilizem talentos do mundo inteiro, esse modelo faz com que as empresas gerem (ou incorporem) inovações que dificilmente conseguiriam desenvolver sozinhas.
O livro que é considerado uma referência no assunto foi escrito em 2003 por Henry Chesbrough. Ainda que o livro tenha sido escrito há cinco anos, observamos que a imensa maioria das empresas brasileiras ainda engatinha quando o assunto é incorporar tecnologias desenvolvidas por terceiros.
Todos nós sabemos que as mudanças, especialmente as culturais, não ocorrem repentinamente. Com o Open Innovation não está sendo diferente. Mesmo que de forma relativamente lenta, podemos notar que nossas empresas estão se mexendo nessa direção. Um exemplo disso foi a conferência da ANPEI realizada recentemente em Belo Horizonte em que o tema foi muito discutido.
O assunto está tão quente que até eventos e palestras que tratam exclusivamente sobre ele estão sendo realizadas. Agora em junho haverá a palestra “Open Innovation e as Oportunidades de Empreendedorismo Tecnológico” na FGV-EASP (interessados devem entrar em contato pelo email camila.moraes @ fgv.br até o dia 04).
Para aqueles que desejam se aprofundar um pouco mais no tema, sugiro a leitura desse texto. Na biblioteca do Simi também existem algumas boas apresentações sobre a Inovação Aberta.
Descobri através do Brainstorm #9 (fantástico blog sobre propaganda), este novo projeto da Starbucks. O My Starbucks Idea é open innovation puro. No site, qualquer pessoa pode sugerir idéias, votar e fazer comentários sobre aquelas que consideram as melhores, ajudando assim a definir o futuro da empresa.
As idéias são divididas em três categorias: produtos, experiência e envolvimento (com a sociedade). Cada idéia é analisada por uma equipe montada pela Starbucks, chamada de Idea Partners. No blog Ideas In Action, pode-se ver algumas idéias que estão sob revisão, o que significa estar a um passo da implementação.
O site tem um mês e já apresenta resultados motivadores. Uma das idéias que surgiu foi o Splash Stick, tampinha para evitar que as pessoas mais apressadas ou que levam o café no carro derramem o produto. Outra bem interessante é a “Drink of the month and giving to charity”.
Como vocês podem ver, a Starbucks acabou conquistando os seus clientes através do engajamento no processo de inovação da empresa. Tudo isso com um custo muito abaixo do valor dos benefícios obtidos e feedback quase instantâneo sobre as novas idéias. Será que outras empresas, que não tenham um relacionamento tão forte com os seus clientes como a Starbucks, atingiriam resultados tão bons?
Quem acompanha a indústria aeronáutica deve estar ansioso pela chegada do Boeing 787 ao mercado. O novo avião é uma obra prima da engenharia moderna e traz inúmeras inovações, como consumo de combustível 20% inferior aos concorrentes, turbinas 60% mais silenciosas, menor necessidade de “revisões completas” e outras maravilhas. Antes mesmo de chegar ao mercado já é o maior sucesso de vendas de indústria aeronáutica!
Tanta inovação e sucesso foram possíveis porque a Boeing possui em seu quadro os melhores engenheiros do mundo e seu departamento de P&D é capaz de gerar inúmeras inovações. Certo?
Justamente o contrário! Antigamente a Boeing desenvolvia praticamente tudo “internamente”, escrevia detalhadas especificações da cada uma das peças e pedia que seus fornecedores as produzissem. O que chamou a atenção no desenvolvimento do 787 foi que os fornecedores passaram a participar do desenvolvimento do avião e assumiram grande responsabilidade em relação às inovações. Eles entregarão a aeronave praticamente semi-montada e o que a Boeing terá de fazer é quase “tão simples quanto encaixar peças de Lego”.
Hoje em dia o desenvolvimento de novos produtos está muito relacionado à coordenação de um vasto “ecossistema” de parceiros que possuem habilidades e capacidades complementares. A inovação está menos ligada a “inventar” produtos físicos e mais ligada a orquestrar boas idéias. Para empresas que desenvolvem produtos altamente tecnológicos o desafio tem sido cada vez mais unir os fios dessa enorme rede de criação de valor.
Dasafio mesmo… semana passada a Boeing anúnciou pela terceira vez o atraso no lançamento do novo avião (agora só poderei voar nele em 2009, droga!). O problema parece estar justamente na forma de produzir a aeronave. Parece que alguns fornecedores não estão conseguindo levar os protótipos para produção em escala e a Boeing vai ter que colocar “funcionários graduados” para trabalhar diretamente nas unidades dos fornecedores.
O “caso Boeing” nos mostra que descentralização do P&D tem suas vatagens, pode trazer diferenciais competitivos e agregar a seus produtos inovações que sua empresa nunca seria capaz de gerar sozinha. Contudo, um acompanhamento rigoroso de seus parceiros-chave é fundamental.
O mercado brasileiro de Capital de Risco está a todo vapor. Só em 2004 haviam 5,5 bilhões de dólares disponíveis para investimento. Ao meu ver a existência (e o crescimento) desse tipo de fundos indica que o Brasil tem alto potencial para a inovação, afinal, em sua grande maioria o que esses investidores buscam são idéias revolucionárias que apresentam aplicabilidade prática e alto retorno financeiro.
Contudo, tal potencial ainda pode ser melhor explorado. Um exemplo disso é a alta concentração, tanto de fundos quanto de empresas investidas, em São Paulo e no Rio de Janeiro. O censo da FGV indica que 93% dos Gestores estão nessas cidades e 70% das empresas investidas estão localizadas em duas avenidas da cidade Paulistana.
Das 2.297 companhias que procuraram os fundos brasileiros no ano de 2004 apenas 6 receberam investimentos. É claro que muitos fatores justificam essa baixa taxa. Dentre eles poderíamos citar que nem todas essas empresas têm o potencial de retorno financeiro esperado pelos gestores, a falta de um perfil empreendedor por parte de quem quer ser investido e a falta de preparo por parte de nossos ‘inventores’, com planos de negócios mal elaborados e falta de direcionamento estratégico.
Algumas iniciativas ajudam a mudar esse quadro. Um exemplo é o “Desafio GV-Intel de Venture Capital e Empreendedorismo” que se encontra em sua terceira edição. O concurso, que está com inscrições abertas até o dia 28 de Abril, tem objetivo estimular e divulgar atividades empreendedoras dos jovens brasileiros. Além de ser uma ótima oportunidade para os universitários, que concorrem a prêmios em dinheiro e ao direito a participar de um desafio de empreendedorismo na Califórnia, trata-se de um prato cheio para os fundos de capital de risco que buscam oportunidades de investimento.
Para mim o evento mostra também uma tendência muito interessante de Open Innovation por parte de grandes empresas (como a Intel) que estão cada vez mais buscando “fora de seus muros” tecnologias que podem ajudá-las a ganharem diferenciais competitivos.
Enfim, como diria um antigo professor meu: “O dinheiro ta aí. O que precisamos é apenas de um bom plano de negócios.”
Nesta segunda-feira, tive a oportunidade de ministrar uma palestra para nos alunos da pós-graduação da escola de negócios da UFMG, falando sobre o trabalho do Instituto Inovação e sobre o contexto da inovação tecnológica no Brasil.
Ao final, no tradicional espaço para perguntas, o prof. Francisco Vidal fez a pergunta: “Por que o Brasil não inova?”. E completou: “Como inovar?”.
É claro que essa pergunta é muito mais complexa do que o que qualquer simples resposta pode dizer. É muito fácil responder dizendo que é uma questão cultural. O conceito de cultura é amplo o suficiente para justificar quase qualquer coisa.
Mas tentei responder, delineando como os agentes da inovação tecnológica no Brasil estão posicionados.
Academia
Desconhecimento das leis e caminhos da propriedade intelectual.
Incentivo a publicação, em detrimento do patenteamento e proteção do conhecimento
Carência de perfis com comportamento empreendedor
Ausência ou estágio muito inicial de agências e escritórios de transferência de tecnologia (embora o fato de elas começarem a existir seja excelente e louvável)
Mercado Empresarial
Baixo nível de investimento em pesquisa e desenvolvimento.
Tradição de importação ao invés de P&D próprios, o que leva a uma tendência de cópia do que existe lá fora e não de inovação
Ausência de instrumentos e ferramentas de gestão inovação
Foco excessivo no curto-prazo, dificultando investimentos em pesquisas mais longas (as que geram inovações mais disruptivas)
As multinacionais, que têm P&D e deveriam/poderiam ser exceções, confirmam a regra, já que não há autonomia para investimentos em pesquisa foram das matrizes estrangeiras
Governo
Educação básica de baixa qualidade
Estrutura de propriedade intelectual (INPI) ineficiente
Distribuição dos recursos de investimento à pesquisa sem critérios relacionados ao desenvolvimento de inovações tecnológicas (temos visto grandes avanços nesse sentido nos últimos anos)
Carência de legislação específica sobre inovação (Esse ponto também passou por avanços estrondosos com as Leis de Inovação e do Bem, que agora, precisam ser efetivamente aplicadas e terem sua atuação expandida por versões nas esferas estadual e municipal)
Para responder como inovar, é só fazer o inverso. Observar esses pontos principais e desenvolver propostas para atacar cada um desses problemas. Por exemplo, com o Embate, que é o seminário focado em pesquisadores, que desperta o comportamento empreendedor aqui do Inovação. Ou com o PDI, que busca estruturar processos de análise e avaliação de novas tecnologias pelas universidades. Ou modificando e criando políticas públicas, de incentivo à inovação, como o SIMI - Sistema Mineiro de Inovação, do Governo de Minas.
E assim, vamos construindo caminhos e “comos” para que a inovação ocorra, de fato. Nós aqui do Inovação, acreditamos nesses caminhos e que eles ajudam não só universidades e empresas, mas o país, trazendo desenvolvimento para toda a nossa sociedade.
1 comentário19 de Setembro de 2007 às 11:25Felipe Matos
Decidimos aproveitar o nosso novo estudo – Onde está a inovação no Brasil? (PDF) - para criarmos em definitivo um espaço para troca de informações, opiniões, teorias e, porque não, até mesmo crenças sobre a Inovação.
Como ressaltamos nas conclusões do estudo, as análises que fizemos não têm a pretensão de esgotar a discussão sobre quais são as cidades mais inovadoras e sobre as mudanças no ambiente brasileiro que podem trazer avanços nesta área. E é exatamente aqui que começamos a extensão destas discussões. Convidamos você a explorar conosco as características de sua região, as demandas e expectativas que existem em relação à inovação no Brasil e demais comentários sobre o tema.
As perguntas orientadoras já foram lançadas no próprio estudo:
• Como a estrutura de ciência e tecnologia das regiões está impactando o desenvolvimento local e nacional?
• Como a estrutura de apoio está organizada de forma a potencializar as inovações geradas ou como utilizá-las de forma a incentivar as inovações?
• Como estabelecer políticas públicas adequadas a cada “grupo de cidades” na perspectiva deste estudo? (Por exemplo: é possível fortalecer os centros de pesquisa de Caxias do Sul (RS), enquanto incentivar o entorno Industrial de Viçosa (MG)?)
• Quando reconhecido que uma região, cidade, ou empresa não é inovadora, quais referências é preciso ter em mente?
3 comentários31 de Agosto de 2007 às 17:00Guilherme Pereira