Como já comentamos aqui diversas vezes, uma grande tendência em inovação é a participação cada vez maior da “comunidade” na geração de produtos inovadores.
Uma tendência que tenho observado é a utilização de sistemas específicos para a “gestão” dessas idéias (gestão entre aspas, pois a gestão de uma idéia inovadora vai muito além disso). Alternativas não faltam e as características desses softwares são bem semelhantes. Uma rápida pesquisa na Internet nos traz algumas opções, como os americanos IdeaScale e SuggestionBox e também o brasileiro Zest.
De um modo geral se tratam de sistemas no modelo “software as a service” que podem ser contratados por qualquer empresa que queira utilizá-los. E o funcionamento é simples: as pessoas podem entrar e postar as idéias que a própria “comunidade” discute e avalia através de sistemas de votação.
O potencial desses sistemas é enorme e muitas inovações estão sendo fruto de seu uso. Mas, vale lembrar que a ferramentas são só ferramentas (óbvio, não?). Nada substitui uma boa gestão da inovação, uma cultura inovadora e aberta. A adoção de um sistema desses por empresas rígidas e sem graça que ainda possuem mentalidade do século XIX pode funcionar como um verdadeiro tiro no pé.
3 comentários6 de Novembro de 2008 às 15:20Bruno Brant
Os visitantes desse blog devem se perguntar: “Esse povo do Instituto Inovação deve ser tudo atôa. Onde eles arrumam tempo para assistir vídeos de 40 minutos???”
Não tenho a resposta para essa pergunta. Talvez eu esteja dormindo pouco, trabalhando demais ou realmente com pouco serviço. O importante é que esses dias esbarrei em mais um vídeo muito bom. E esse tem até legendas em português.
Guy Kawasaki é o diretor de um fundo de capital semente e um cara muito bem humorado. Em 2004 ele escreveu um livro chamado “A arte do começo” (The art of the Start), onde traz diversos conselhos para empreendedores que desejam iniciar sua própria empresa. No vídeo abaixo ele apresenta de uma maneira bem divertida as principais idéias do livro.
De maneira bem resumida (assista o video!) os onze conselhos dele são:
Faça sentido. O importante é que sua idéia/tecnologia faça sentido, que seja capaz de mudar o mundo. Pode ser uma forma de:
Aumentar a qualidade de vida das pessoas
Corrigir coisas erradas
Evitar o fim de algo que seja bom
Segundo Guy os gestores dos fundos de capital de risco, por incrível que pareça, não querem ouvir que sua idéia é boa para “fazer dinheiro” e sim que ela “faz sentido”, que fará alguma diferença para a sociedade.
Crie um mantra para sua organização. Essa é uma das partes mais divertidas da palestra. Ele diferencia esse mantra das missões vazias de sentido. Um mantra é uma frase de três ou quatro palavras que diz o que sua empresa faz e “a que veio”.
Continue a caminhada (get going)
Pense diferente. Crie algo novo.
Polarize as pessoas. Se seu produto agrada a todos, você criou algo medíocre.
Encontre uma alma gêmea. Se você é um sonhador, encontre alguém “pé no chão”. Se você é engenheiro, encontre alguém da área de marketing.
Defina seu modelo de negócio
Seja específico. De onde virá o faturamento??
Mantenha simples. Nada de inventar nessa hora.
Pergunte a uma mulher o que ela acha sobre seu modelo de negócios. Assista o vídeo para conhecer a explicação.
Possua objetivos, premissas e tarefas
Descubra seu nicho
Siga a regra 10/20/30
Como diretor de um fundo de capital de risco Guy diz que está cansado de ver apresentações (pitches) cansativas que não agregam nada. A regra criada por ele é:
10 Slides no máximo
20 minutos
Fonte tamanho 30
Você seria capaz de “vender a sua idéia” inovadora com uma apresentação nesse formato?
Contrate pessoas infectadas (pelo seu produto)
Ignore o irrelevante. Muitas vezes a pessoa ser apaixonada pelo seu produto/serviço é mais importante do que sua formação.
Contrate pessoas melhores que você.
Faça o teste do shopping center. Se você “bateu o olho” na pessoa e não “foi com a cara dela”, não a contrate.
Diminua as barreiras de adoção
Diminua a curva de aprendizado.
Abrace o evangelismo.
Semeie as nuvens
Permita test-drives
Ache os influenciadores
Não deixe os “palhaços” acabarem com sua idéia. Muitas pessoas vão te dizer que seu negócio não dará certo. Tenha cuidado para não acreditar nesses palhaços.
Esta é uma dica de vídeo, que infelizmente só está disponível em inglês.
É uma palestra de Scott Berkun, autor do livro The Myths of Innovation.
Alguns dos mitos abordados na palestra:
1. Cronocentrismo: sempre há a tendência de se acreditar de que a inovação que está acontecendo hoje é a mais importante da história do mundo. Muita gente crê que a internet foi a inovação mais revolucionária da história da humanidade. Será que a canalização da água e esgoto não seria mais importante?
2. Relativismo: o que é obsoleto para alguns pode ser revolucionário para outros. Para boa parte do mundo que vive sem energia elétrica, esta é uma baita inovação em suas vidas.
3. Epifania: Inovação é uma dádiva quase divina. Como o mito da maçã caindo na cabeça de Isaac Newton foi criado, botando ênfase ao acaso em detrimento do trabalho esforçado do pesquisador.
4. O pesquisador solitário: Como as grandes inovações foram obras de um esforço conjunto de inúmeras pessoas, em contraste com o mito do professor trancado num laboratório descobrindo coisas fantásticas.
5. E por aí vai…
O vídeo demora cerca de 1 hora, mas vale a pena o tempo perdido (ou ganho?).
Palestras gratuitas e de qualidade são sempre bem-vindas, especialmente quando elas são sobre um assunto interessante. Na semana que vem (29/9 a 2/10) ocorrerá em Belo Horizonte a Inovatec: feira de ciência, tecnologia e inovação.
O evento contará com estandes das principais universidades mineiras, de empresas inovadoras, de agências de fomento e outras instituições que de alguma forma se relacionam com inovação. Além disso haverão diversas palestras, painéis e workshops interessantes, dentre as quais eu achei mais interessante:
Gestão do Conhecimento no processo de Inovação Tecnológica
Heitor Pereira (SBGC); Itaipu; Petrobrás e FIAT Automóveis
Abertura Oficial: Wikinomics - Como a colaboração em massa pode mudar seu negócio (paga)
Anthony D. Williams (co-autor do livro Wikinomics)
Atração e Retenção de Centros de P&D
Peter Oliveira (INM, Alemanha), Sérgio Queiroz (UNICAMP). Ainda não está na programação, mas participaremos desse painel, representados pela Janayna
Criatividade, Inovação e Trabalho (paga)
Domenico De Masi (Sociólogo, Itália)
Na verdade são tantas atividades interessantes (e algumas ocorrendo no mesmo horário) que é até difícil escolher.
Sobre as duas palestras que são pagas, acredito que valham o investimento. Já li o Wikinomics e gostei muito. O Domenico também é muito bom, o único perigo é você não querer trabalhar mais de quatro horas por dia depois que assistir.
Eu vou. A programação e a inscrição estão disponíveis aqui.
1 comentário25 de Setembro de 2008 às 17:41Bruno Brant
Uma boa dica para aqueles que trabalham com o desenvolvimento de novos produtos ou serviços é o site Trendwatching. Anualmente eles publicam um “Trend Report”, um completíssimo e inspirador relatório. Na lista das empresas que compram regularmente esse relatório estão: Google, Natura, Lego, Apple, Rede Globo e Disney.
Além desse relatório anual, que é pago, eles publicam mensalmente um briefing muito interessante com diversas tendências de consumo. O título do briefingdesse mês é:
De um grosso modo podemos dizer que eles apontam a tendência de que o mundo offline se espelhe cada vez mais no mundo online, desde o desenvolvimento de produtos até a relação com consumidores.
O briefing do mês passado, chamado “Innovation Avalanche” também é muito bom e merece uma visita.
1 comentário2 de Setembro de 2008 às 15:06Bruno Brant
Além do excesso de mensagens, excesso de informação e excesso de produtos, vivemos num momento de excesso de inovações. Essa é a opinião de Luli Radfahrer, Ph.D em comunicação digital pela ECA-USP.
Em palestra ministrada recentemente, o professor faz uma análise muito divertida dessa sobrecarga que vivemos, nos mostra sua visão do que seria a criatividade, dos tipos de “criativos” que percebe e define muito bem a inovação.
Depois dessa introdução e contextualização, Luli apresenta com a propriedade de um inovador o processo de inovação, iniciando pelos obstáculos, passando pela formatação da idéia e chegando no “produto sexy”.
O vídeo traz vários insights interessantes e sem dúvidas vale o tempo despendido.
Para assistir o vídeo em tela cheia basta clicar no ícone da direita (depois de dar play no vídeo). Caso você tenha gostado muito da palestra e queira ver os slides, eles estão disponíveis aqui.
A Apple, que junto com o Google é a dupla do momento ícone de sucesso e inovação, superou essa semana o Google em valor de mercado. Foi por bem pouco, e aconteceu em um momento em que a Apple vendeu 1 milhão de Iphone 3G em um fim de semana, e o Google perde dinheiro com publicidade por causa da crise nos Estados Unidos.
Muito já se falou em como as duas empresas são diferentes na geração de inovações estrondosas, com o Google lançando produtos com agilidade, ainda na versão beta, e a Apple segurando o desenvolvimento fechado até os “i” products estarem perfeitos para irem ao mercado. Acredito que não existe só um jeito de ser inovador. As cifras da Apple e do Google demonstram que estilos diferentes podem funcionar bem. O importante é que a cultura da empresa, a estratégia, a estrutura, os processos das organizações considerem o fator “inovação”, e façam com que ele trabalhe a seu favor, gerando desempenho superior. Por ora, ligeiramente superior, no caso da Apple: U$ 158,8 bilhões, frente os U$ 157,2 bilhões do Google. Nada mal.
É incrível a quantidade de informação interessante disponível, seja na Internet, seja em Livros ou ainda em periódicos científicos. Mais impressionante ainda é a sensação de que temos cada vez menos tempo para ler mais coisas.
Há algum tempo recebi a indicação de um livro que parece ser interessante, mas que por enquanto está naquela situação: “vou ler assim que eu tiver tempo”. Vai me dizer que você não tem pelo menos uns três artigos na sua caixa de emails nessa mesma situação?
Enquanto não leio a obra posso compartilhar a indicação (e a sensação de falta de tempo) e fazer com que mais pessoas se interessem pelo livro. A resenha do release diz que:
Nesta obra, os autores mostram como gerenciar, medir e lucrar com a inovação. Além de acentuar que ela não acontece por mera casualidade ou inspiração, apontam os caminhos que podem estimular a criatividade e a inovação dentro de uma empresa.
Ficou interessado? Se você não tiver tempo eu posso ler pra você, estou cobrando baratinho…
Blind date é uma expressão da língua inglesa que se refere a um encontro amoroso de duas pessoas que não se conhecem. Normalmente um amigo comum promove este encontro, tentando dar uma de cupido e desencalhar os amigos.
Na última quarta-feira, dia 9 de julho, realizou-se o primeiro Encontro de Inovação do setor de Madeira e Móveis de Minas Gerais. O encontro de inovação é uma espécie de blind date da inovação. Vou explicar por que…
No encontro de inovação, o organizador junta dois agentes da inovação que pouco se conhecem para conversar, com vistas a um futuro namoro.
Neste caso, o organizador era o Simi (Sistema Mineiro de Inovação) em parceria com o Centro Minas Design. Os pretendentes eram os empresários do setor de móveis e os pesquisadores das ICT’s mineiras.
Durante o encontro, foram debatidos os principais problemas tecnológicos do setor e discutidas as possíveis soluções para estes problemas. O ideal é que estes problemas sejam resolvidos através de uma parceria (namoro) entre empresários e pesquisadores.
A execução das ações propostas será fundamental para o desenvolvimento tecnológico da industria moveleira mineira e para a aproximação entre os empresários do setor e pesquisadores.
Será que vai dar namoro?
2 comentários15 de Julho de 2008 às 15:54Leonardo Lage