Publicações arquivadas sob Fomento
Palestras gratuitas e de qualidade são sempre bem-vindas, especialmente quando elas são sobre um assunto interessante. Na semana que vem (29/9 a 2/10) ocorrerá em Belo Horizonte a Inovatec: feira de ciência, tecnologia e inovação.
O evento contará com estandes das principais universidades mineiras, de empresas inovadoras, de agências de fomento e outras instituições que de alguma forma se relacionam com inovação. Além disso haverão diversas palestras, painéis e workshops interessantes, dentre as quais eu achei mais interessante:
Gestão do Conhecimento no processo de Inovação Tecnológica
Heitor Pereira (SBGC); Itaipu; Petrobrás e FIAT Automóveis
Abertura Oficial: Wikinomics - Como a colaboração em massa pode mudar seu negócio (paga)
Anthony D. Williams (co-autor do livro Wikinomics)
Atração e Retenção de Centros de P&D
Peter Oliveira (INM, Alemanha), Sérgio Queiroz (UNICAMP). Ainda não está na programação, mas participaremos desse painel, representados pela Janayna
Criatividade, Inovação e Trabalho (paga)
Domenico De Masi (Sociólogo, Itália)
Na verdade são tantas atividades interessantes (e algumas ocorrendo no mesmo horário) que é até difícil escolher.
Sobre as duas palestras que são pagas, acredito que valham o investimento. Já li o Wikinomics e gostei muito. O Domenico também é muito bom, o único perigo é você não querer trabalhar mais de quatro horas por dia depois que assistir.
Eu vou. A programação e a inscrição estão disponíveis aqui.
25 de Setembro de 2008 às 17:41
Bruno Brant
Você é um empreendedor com uma grande idéia a busca e um investidor para abrir sua empresa. De repente, por um acaso, você se vê sozinho no elevador com um grande investidor e tem a oportunidade de naquele curto espaço de tempo expor sua idéia para a pessoa que pode tornar seu sonho viável. É o teste do elevador…
No jargão da consultoria, o teste do elevador consiste num exercício de sumarizar as conclusões importantes de uma apresentação em 30 segundos. Em tese, este seria o tempo que você teria caso encontrasse alguém no elevador e tivesse que expor sua idéia. Este exercício ajuda a sintetizar o raciocínio e ser mais objetivo em uma apresentação, destacando as idéias essenciais.
Para um empreendedor, o teste do elevador pode ser aquela oportunidade única de ter alguns minutos com um investidor, expor seu plano de negócio e conseguir dinheiro para iniciar ou acelerar seu empreendimento.
Recentemente foram lançados dois sites que exploram exatamente esta idéia. O Vator.tv (americano) e o cmypitch (inglês) tem o mesmo conceito. O empreendedor posta um vídeo curto apresentando seu negócio. O vídeo tem que ser curto e deve incluir seu plano de negócio, a diferencial de sua idéia e quanto você necessita para iniciar/acelerar sua empresa.
O objetivo é que algum investidor real veja o vídeo e invista na idéia.
Para ajudar os investidores, os usuário já dão algumas dicas das idéias mais bacanas, através de votos, comentários e outros mecanismos web 2.0. Além disso, os investidores podem lançar desafios e competições para premiar a melhor idéia em determinado ramo de negócios.
Para o investidor é a oportunidade de ver várias oportunidades de maneira organizada e em um tempo curto. Para o empreendedor é a oportunidade de expor sua idéia para o público e, quem sabe, arranjar um sócio endinheirado.
Em tempo, o próprio Vator.tv é um dos negócios que procura investidores para crescer. Se você for um investidor interessado, a quantia necessária é inferior que 500 mil dólares.
25 de Julho de 2008 às 14:25
Leonardo Lage
A professora e economista do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia, Ana Paula Avellar, em seu artigo “IMPACTO DAS POLÍTICAS DE FOMENTO À INOVAÇÃO SOBRE O GASTO EM ATIVIDADES INOVATIVAS E EM ATIVIDADES DE P&D DAS EMPRESAS” discute a eficiência dos programas de fomento bem como os resultados obtidos por estes no cenário brasileiro.
O artigo tem o objetivo de discutir a existência de dois fenômenos:
• Efeito crowding out (efeito substituição) – Isso ocorre quando as empresas privadas destinam recursos financeiros às atividades de P&D&I que já seriam alocados mesmo na ausência de alguma forma de fomento. Sendo assim as políticas de fomento seriam incapazes de estimular as empresas a aumentarem seus dispêndios na área, restringindo-se a reduzir o custo das atividades de P&D&I.
• Efeito additionality (efeito alavancagem) – Isso ocorre se os programas públicos de inovação conseguem estimular as empresas a investirem em inovação um montante superior ao previamente alocado sem a interferência de um programa.
De acordo com a literatura internacional apontada pela autora:
• Para as indústrias, há 14 estudos empíricos, sendo que apenas 2 comprovam a existência do efeito crowding out entre gasto público e privado em P&D, havendo assim a predominância do efeito additionality – aumento do gasto privado estimulado pelo gasto público.
• Para as empresas de modo geral há 19 estudos, sendo que 9 apontam o efeito crowding out e 10 apontam o efeito additionality. Destaca-se que a maioria dos estudos que apontam a substituição dos gastos, concentram-se principalmente no comportamento das empresas dos EUA no setor de defesa do país.
Para avaliação do impacto de programas de incentivos fiscais e incentivos financeiros do Brasil, a autora considerou os seguintes programas: o programa de incentivo fiscal, o Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial (PDTI); um programa de incentivo financeiro reembolsável, o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Empresa Nacional (ADTEN) e o programa de incentivo financeiro não reembolsável, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT Cooperativo).
Os resultados obtidos pela autora mostram que as empresas beneficiárias dos Programas indicam um cenário positivo em função da participação da empresa no programa público de fomento à inovação, sendo eles:
• Aumento de 36% na receita líquida
• Aumento de 23% na produtividade do trabalho
• Aumento de 55% nos gastos em P&D
• Aumento de 40% nos gastos em inovação
Assim a autora conclui: “… ao se considerar a amostra total de empresas inovadoras, que participaram de ao menos um dos programas referidos, pode-se dizer que o impacto das políticas é positivo tanto em ampliar os gastos em atividades inovativas (GAI) quanto os gastos em atividades de P&D (GPD). Porém, deve-se considerar que, diante da impossibilidade de se isolar os efeitos da política, dado que está sendo trabalhada uma amostra conjunta de empresas, não se pode firmar em termo de eficiência de cada programa, mas sim sobre a efetividade destes no aumento dos gastos em atividades inovativas das empresas. Deste modo, pode-se concluir que impacto dos programas na amostra conjunta de empresas foi efetivo pela capacidade de promoção de maiores gastos em atividades inovativas e de P&D.”
Sendo assim, pode-se esperar um futuro promissor para os resultados da Lei do Bem (lei que revogou O PDTI e ampliou os incentivos fiscais)? Até que ponto é válido “investir mais” em inovação tecnológica e não “investir melhor”?
Link do estudo.
11 de Julho de 2008 às 09:50
Manu
Está “pra sair” a Agência de Inovação e Desenvolvimento Científico e Tecnológico de Porto Alegre – InovaPOA.
“A entidade será uma autarquia público-privada, com presidente indicado pela prefeitura, mas submetido ao veto de um Conselho de Administração no qual terão assento diversas entidades empresariais, incluindo Federasul, Fecomércio e do CETI, conselho que reúne as associações do setor de TI.”
Seria essa uma tendência a ser seguida por outras cidades brasileiras?
9 de Junho de 2008 às 10:36
Bruno Brant
Um conselho para quem trabalha com gestão e com inovação é acompanhar o McKinsey Quarterly, publicação periódica que traz diversos insights interessantes. A edição de abril traz uma entrevista com Brad Bird, funcionário da Pixar que assina a direção de dois filmes de animação ganhadores do Oscar.
Apesar de tratar-se de um setor econômico muito específico, podemos tirar algumas lições interessantes da entrevista. Ao ser questionado em relação a como incentiva a inovação em sua equipe, Bird diz que a principal forma de fazê-lo é tirando seus colaboradores da zona de conforto. Ele fala, por exemplo, sobre alguns desenhistas que, apesar de serem brilhantes, eram “puristas” demais, e não tinham senso de urgência em relação a orçamentos e prazos.
Em seu primeiro filme à frente da Pixar, o diretor dispunha de uma equipe que já era simplesmente uma das melhores do mundo. Contudo, no meio do projeto, chegaram em um ponto em que todos disseram: “Não dá. É impossível fazer isso com esse orçamento nesse prazo!” Ele simplesmente pediu: “Tragam-me as ovelhas negras. Eu quero artistas frustrados. Quero aqueles que possuem outra forma de fazer as coisas e que ninguém está ouvindo”. Esse projeto lhe traria seu primeiro Oscar.
O lado psicológico da equipe muitas vezes é deixado de lado pelos líderes quando pensamos em inovação. Em relação a esse aspecto, o Brad faz uma afirmação interessante: “Se você tem o moral baixo, para 1 dólar que você gasta, você obtém aproximadamente 25 cents de valor. Se você tem um moral elevado, para cada 1 dólar gasto, você obtém aproximadamente 3 dólares de valor” e arremata: “Eu vi diretores sistematicamente restringindo o input das pessoas e ignorando qualquer esforço em ‘levantar’ os problemas. Como resultado disso, as pessoas não se dedicavam a seu trabalho e sua produtividade baixava consideravelmente”.
A entrevista trás diversos exemplos interessantes e sem dúvida vale a leitura!
A opinião do autor não reflete, necessariamente, a opinião do Instituto Inovação.
13 de Maio de 2008 às 09:40
Bruno Brant
Para quem está buscando idéias para começar uma empresa, ou apenas gosta de ficar por dentro das novidades e tendências do mundo dos negócios, o site
Springwise.com é um bom ponto de partida. Contando com uma rede de mais de 8000 colaboradores localizados em diversos países, o site identifica e publica diariamente notícias a respeito de negócios inovadores espalhados por todo o mundo.
O foco, em geral, é em pequenas empresas que utilizam modelos de negócio diferenciados, ou oferecem serviços e produtos pouco usuais. As idéias apresentadas são as mais variadas possíveis, incluindo empresas como a Firewinder, que criou lâmpadas para iluminação externa que funcionam a partir da energia do vento; ParkAtMyHouse, que dá aos moradores de grandes cidades a chance de alugarem suas vagas de garagem quando não estiverem em casa, ou ainda a Blurb, que permite que pessoas criem e publiquem seus próprios livros a preços bastante acessíveis. Isto sem falar nos casos ainda mais curiosos, como o da Methodizaz, que oferece a “pessoas comuns” a oportunidade de ter um dia de suas vidas fotografado por um paparazzi, privilégio que custa entre de US$300 e US$400.
Para quem ficou curioso mas não tem tempo para acompanhar o site, ainda existe a opção de receber as atualizações por RSS. Vale a pena conferir!
23 de Abril de 2008 às 08:42
Guilherme Baião
Aconteceu em Belo Horizonte, de 08 a 10 de Abril, o I Simpósio Internacional de Propriedade Intelectual e Inovação em Biotecnologia, realizado pela FAPEMIG, INPI, WIPO, e governos estadual e federal.
O evento abordou temas que vão desde as políticas públicas até as experiências empresariais e internacionais relacionadas à PI e à Biotecnologia. Confira no site do evento a programação.
Um destaque interessante no evento foi a palestra do Dr. Martin Raditsch, Deputy Managing Director do European Molecular Biology Laboratory (EMBL). O EMBL é uma grande rede de laboratórios que pesquisa de forma colaborativa vários tópicos em Biologia Molecular. São mais de 1.400 pessoas em mais de 60 países trabalhando no EMBL, que possui também uma rede de mais de 3.000 alunos em todo o mundo. Com essa rede de colaboração, o laboratório é o primeiro laboratório fora dos EUA no ranking ISI Science Indicator.
Além da pesquisa básica, o EMBL possui uma série de outras atividades que são muito importantes para a comunidade científica e para a sociedade em si. Vários treinamentos são oferecidos para diferentes públicos; há um corpo de estudantes de PhD com mais de 170 alunos; o laboratório criou uma empresa que faz a gestão da Propriedade Intelectual e da transferência das tecnologias para empresas interessadas em levá-las ao mercado; existe até um fundo de investimento próprio, que financia pesquisas e a criação de spin-offs.
Esse é um claro exemplo da importância da integração para a geração da inovação. Integração tanto entre os pesquisadores quanto entre as ICT’s e o mercado. Como estamos no Brasil em termos dessa integração?
A posição do autor não reflete, necessariamente, a posição do Instituto Inovação.
15 de Abril de 2008 às 15:05
Elimar

Parti para Brasília sem saber realmente o que me esperava. É sempre assim com o EMBATE (Empreendedorismo de Base Tecnológica), cada vez que desenvolvemos o seminário ele se transforma e toma a feição de quem dele está participando. Levar um seminário como esse para uma cidade como Brasília, o centro das decisões mais importantes para o Brasil, também leva a refletir sobre como pessoas empreendedoras poderiam dar um rumo diferente a várias ações e decisões que acompanhamos na esfera pública.
Nessa primeira semana de Abril, a Unidade Coordenadora Centro-Oeste da Embrapa ofereceu um treinamento para participantes de 17 unidades diferentes da Embrapa a respeito do PROETA (Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Novas Empresas de Base Tecnológica Agropecuária e Transferência de Tecnologia - conduzido pela própria Embrapa).
Esse programa tem como objetivo transferir tecnologias e serviços, gerar empresas de base tecnológica agropecuária, apoiar e disseminar a cultura de inovação e empreendedorismo, entre outros. Podemos ver que é um programa que tem tudo a ver com o Instituto Inovação e, felizmente, tivemos a chance de participar nesse curso oferecendo o EMBATE e também um treinamento sobre a Diligência da Inovação.
Participaram do EMBATE tanto pesquisadores quanto pessoas da área de negócios, cada um aproveitando o conteúdo e as vivências de sua forma, mas a troca de experiências tendo como foco o empreendedorismo e o processo de inovação foi realmente enriquecedora. O envolvimento da turma com o seminário foi impecável e acredito que por isso os resultados foram tão bons.
Levar o EMBATE à Embrapa foi uma experiência muito boa. Encontramos pessoas extremamente motivadas, capacitadas e alinhadas com as idéias de inovação da Embrapa e do Instituto Inovação. É muito importante reconhecer essa iniciativa da Embrapa, enquanto grande geradora de conhecimento, de quebrar paradigmas buscando multiplicar sua capacidade de levar o conhecimento ao mercado.
O vôo de volta foi controverso, em meio à minha esperança e empolgação depois da experiência com o EMBATE, discuti com os passageiros ao meu lado (um juiz federal e um funcionário público) questões que iam da especulação imobiliária à redução da maioridade penal… passando pelos modelos pedagógicos vigentes! A discussão foi riquíssima e minha conclusão pessoal foi de que em todas essas esferas, paradigmas precisam ser quebrados por pessoas que sejam capazes de ver as oportunidades, e tenham energia e liderança para conduzir as transformações necessárias – pessoas empreendedoras.
Sem querer dizer que o empreendedorismo é a solução para todos os problemas do país, acredito que ele seja fundamental para o salto que o Brasil precisa dar, como o salto que a Embrapa, que comemora 35 anos, está dando ao lançar novo olhar sobre a inovação.
Já trabalhamos com outros colaboradores da Embrapa em outra ocasião (Embrapa estuda processos de inovação empresarial através de workshop do Instituto Inovação, 14/12/2007)
4 de Abril de 2008 às 08:27
Renata Horta
O mercado brasileiro de Capital de Risco está a todo vapor. Só em 2004 haviam 5,5 bilhões de dólares disponíveis para investimento. Ao meu ver a existência (e o crescimento) desse tipo de fundos indica que o Brasil tem alto potencial para a inovação, afinal, em sua grande maioria o que esses investidores buscam são idéias revolucionárias que apresentam aplicabilidade prática e alto retorno financeiro.
Contudo, tal potencial ainda pode ser melhor explorado. Um exemplo disso é a alta concentração, tanto de fundos quanto de empresas investidas, em São Paulo e no Rio de Janeiro. O censo da FGV indica que 93% dos Gestores estão nessas cidades e 70% das empresas investidas estão localizadas em duas avenidas da cidade Paulistana.
Das 2.297 companhias que procuraram os fundos brasileiros no ano de 2004 apenas 6 receberam investimentos. É claro que muitos fatores justificam essa baixa taxa. Dentre eles poderíamos citar que nem todas essas empresas têm o potencial de retorno financeiro esperado pelos gestores, a falta de um perfil empreendedor por parte de quem quer ser investido e a falta de preparo por parte de nossos ‘inventores’, com planos de negócios mal elaborados e falta de direcionamento estratégico.
Algumas iniciativas ajudam a mudar esse quadro. Um exemplo é o “Desafio GV-Intel de Venture Capital e Empreendedorismo” que se encontra em sua terceira edição. O concurso, que está com inscrições abertas até o dia 28 de Abril, tem objetivo estimular e divulgar atividades empreendedoras dos jovens brasileiros. Além de ser uma ótima oportunidade para os universitários, que concorrem a prêmios em dinheiro e ao direito a participar de um desafio de empreendedorismo na Califórnia, trata-se de um prato cheio para os fundos de capital de risco que buscam oportunidades de investimento.
Para mim o evento mostra também uma tendência muito interessante de Open Innovation por parte de grandes empresas (como a Intel) que estão cada vez mais buscando “fora de seus muros” tecnologias que podem ajudá-las a ganharem diferenciais competitivos.
Enfim, como diria um antigo professor meu: “O dinheiro ta aí. O que precisamos é apenas de um bom plano de negócios.”
Fontes:
A Indústria de Private Equity e Venture Capital - Primeiro Censo Brasileiro
Site do desafio GV-Intel
A opinião / posição do autor não reflete, necessariamente, a opinião / posição do Instituto Inovação.
28 de Março de 2008 às 18:15
Bruno Brant
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