A competição permite que os alunos participantes apliquem e extrapolem as discussões da sala de aula e expandam o seu contexto profissional, estruturando uma solução inovadora para um problema de uma empresa real. Essas soluções, em um primeiro momento, serão qualificadas usando critérios como: originalidade, proposição de valor, vantagem competitiva sustentável, viabilidade.
As 6 melhores soluções, julgadas de acordo com os critérios listados, passarão para uma fase final, presencial. Nesta etapa, os alunos terão a oportunidade de apresentar as suas idéias para uma banca composta por executivos ligados a bens de consumo e inovação. Esta Rodada Final acontece nos dias 17 e 18 de novembro, quando os premiados são anunciados.
O vídeo abaixo mostra depoimentos de participantes de edições anteriores.
O dia amanheceu muito bonito em Bogotá, mas frio. 8:00 da manhã começaram a chegar no Tecnoparque pesquisadores e representantes de nada menos que 11 universidades de Bogotá. É realmente muito interessante conduzir um encontro como esse.
Tudo começa com um pouco de desconfiança, mas nada que os mineiros, já habituados com ela, não tirem de letra. Apresentando um pouquinho da experiência e das aprendizagens que tivemos no Brasil eles já começam a se interessar. Quando todos vão se apresentando as surpresas vão se revelando, pessoas e tecnologias muito interessantes. E assim segue por toda a manhã, que vai esquentando, em todos os sentidos…
O programa DAVINCI é um projeto da Alcaydia de Bogotá para estimular a inovação tecnológica. Nesse programa capacitações de agentes, diligências, EMBATE e outras ações ajudam a promover a cultura e “Mostrar a cara da inovação na Colômbia” como diz o Sr. Ricardo Venegas – Sub-diretor de Inovação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico. Esse projeto está sendo conduzido pela Inventta Colômbia em parceria com o CREAME.
O primeiro dia já serviu para perceber várias coisas sobre o cenário em Bogotá: o governo promovendo uma iniciativa integrada, maturidade de algumas instituições como o Tecnoparque (que recebeu o EMBATE, e tem atuado na promoção da inovação entre empreendedores), o potencial das tecnologias que estão sendo desenvolvidas, a experiência e empenho de alguns pesquisadores… é um cenário empolgante, onde muito ainda precisa ser feito, mas muitas pessoas estão dispostas a pôr a mão na massa.
2 comentários11 de Fevereiro de 2009 às 13:15Renata Horta
Na década de 40, um cientista russo (na realidade nascido no Uzbequistão), Genrich Altshuller, publicou um estudo com 40 princípios da invenção. Utilizando-se um destes 40 princípios, qualquer um resolveria problemas de maneira inovadora.
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Entre os 40 princípios de Altshuller, talvez o décimo terceiro seja o mais estapafúrdio, à primeira vista. É o princípio da Inversão: ao invés de fazer uma ação que por lógica resolve o problema, faça a ação contrária.
Nunca consegui pensar num bom exemplo para ilustrar este princípio. Nunca até agora.
Seguindo, o 13º príncipio de Altshuller (provavelmente de maneira inconsciente), algumas cidades estão resolvendo o problema do trânsito. Como? Tornando o trânsito um inferno.
Londres, Oslo, Barcelona, Paris, Bogotá entre outras cidades adotaram medidas que, a princípio, tornam a vida dos motoristas um verdadeiro suplício: eliminar milhares de vagas de estacionamento, fechar ruas, criar faixas exclusivas para ônibus, taxis e bicicletas estão entre as medidas adotadas.
Bertrand Delanoë, prefeito de Paris, foi mais longe tornando a bicicleta em um transporte público.
Na última licitação para a concessão dos direitos de exploração de publicidade no mobiliário público (pontos de ônibus, bancas de jornais, relógios, metrôs, etc), a contrapartida da empresa ganhadora foi o investimento num sistema de transporte público por bicicleta, o Velib.
O Velib é uma frota de cerca de 20 mil bicicletas públicas, que podem ser alugadas por dia, semana ou mês ou ano, com vários pontos de estacionamento por toda a cidade (aproximadamente a cada 300 metros). Em tese, basta ter um cartão de crédito e alugar esta bicicleta em um dos pontos e deixá-la em qualquer outro ponto da cidade. O aluguel diário custa apenas 1 euro, com direito a percursos de 30 minutos (ilimitados). Se você usar a bicicleta por mais de 30 minutos, será cobrada uma taxa de 1 euro por hora-extra.
O Velib é complementar ao sistema de metrô de Paris e além de ser um meio de locomoção, ajuda os Parisienses e visitantes a ser exercitarem um pouquinho. A JC Decaux (empresa que ganhou o direito de explorar a publicidade no mobiliário público) investiu mais de 12 milhões de euros no sistema e toda a receita de aluguel é da Prefeitura de Paris.
E aí? Será que algum dos novos prefeitos vai usar o 13º princípio de Altshuller ou teremos mais do mesmo: mais viadutos, mais trincheiras, mais avenidas, mais estacionamentos, mais carros e mais trânsito?
Constatação óbvia: quanto mais patentes uma instituição possui mais ela é inovadora. Certo?
Huuum, talvez. Apesar do número de patentes depositadas ser constantemente utilizado como um indicador do tanto que uma instituição é inovadora, o consenso que existe entre os estudiosos do tema é que apesar desse poder ser um indicador, ele não deve ser o indicador.
Patentes inúteis que nunca serão utilizadas e empresas que registram patentes só pra usá-las como moeda de barganha no futuro (coisa muito comum nos EUA) são exemplos que mostram que nem sempre “patente = inovação” (para ser efetivamente inovação uma invenção tem que chegar ao mercado!).
Além disso, em algumas áreas o segredo industrial (quando você registra uma patente é obrigado a divulgar sua tecnologia) é muito mais interessante. Alguns estudos indicam, inclusive, que nos Estados Unidos, aonde as guerras judiciais envolvendo patentes são comuns, muitas empresas estão deixando de patentear suas inovações devido aos altos custos desses processos. A única exceção a essa tendência seria a indústria farmacêutica.
Vale lembrar também que as patentes não são eternas e as empresas que as exploram devem tomar muito cuidado para não ficarem “deitadas eternamente em berço esplêndido”. Um caso clássico disso é o da Xerox que quando perdeu a exclusividade dos direitos da “fotocopiadora” não estava preparada para enfrentar a concorrência de suas rivais japonesas.
Não quero dizer com isso que as empresas não devam patentear suas inovações nem que o número de patentes de uma instituição não quer dizer nada. O importante é ter uma visão crítica e lembrar que quantidade nem sempre está diretamente ligada a qualidade.
4 comentários18 de Dezembro de 2008 às 19:00Bruno Brant
Nos momentos de crise, muito se fala do ideograma chinês que já virou clichê, “crise = perigo + oportunidade”.
É fato que a história mundial é marcada por momentos de crise e que eles são seguidos por outros de crescimento, de maneira cíclica.
Toda crise traz consigo novos arranjos, sejam econômicos, políticos, sociais, de poder. E em momentos assim, ocorrem mudanças e surgem oportunidades novas para atores novos.
E eleição de Obama - cuja campanha em si foi marcada por inovações sem precedentes no uso inclusivo da tecnologia - neste momento representa um rearranjo no foco dos investimentos em inovação americanos (e mundiais). Reduzir a dependência do petróleo do oriente médio com inovação, investindo em tecnologias limpas e energias renováveis é o mais importante deles.
O ambiente provocado pela crise traz consigo um apelo ainda maior para a busca por novas soluções e abre um espaço - ainda que mais contigencial que planejado - para inovar. E aí sim, nascem muitas novas oportunidades.
Para nós, países latino-americanos que têm economias crescentes - e que vão continuar crescendo - a crise deve sim representar oportunidades de desempenhar novos papéis mundialmente. Em minhas recentes viagens aos EUA e à Colômbia tive a oportunidade de fazer uma reflexão interessante sobre como a criatividade, flexibilidade são valores muito mais fortes nos países latinos, que enfrentam toda sorte de problemas e escassez de recursos. Isso é um ativo inestimável, especialmente agora.
Com o perdão do repetido clichê, crise e oportunidade parecem mesmo andar juntos para aqueles que tem a inovação como valor essencial.
Se você foi picado pelo mesmo bicho que o Alexandre e está procurando um parceiro para te ajudar a multiplicar seu potencial humano, acabou de encontrar um.
Através do projeto lançado recentemente, chamado de “Projeto 10¹ºº“, o Google pode te ajudar a mudar o mundo. Trata-se de um concurso de “idéias capazes de mudar o mundo ajudando o maior número de pessoas possível”. A gigante de mountain view promete disponibilizar “simplesmente” US$10.000.000 (dez milhões de dólares) para a implementação das melhores idéias.
O funcionamento do concurso, a lá open innovation, é simples: você envia sua idéia acompanhada ou não de um vídeo de 30 segundos, espera que a “comunidade” escolha sua idéia para figurar entre as vinte semi-finalistas e torce para que um comitê consultivo considere sua idéia merecedora de estar entre as 5 finalistas.
Se você deseja conhecer os critérios e os tipos de idéia que são aceitos, basta entrar no site do concurso. O mais interessante é que não existem letrinhas pequenas nos “termos do serviço” dizendo que ao submeter sua idéia você estará cedendo seu direito de propriedade intelectual para os organizadores.
São iniciativas como essa que fazem com que a Google, apesar de ter se tornado uma multinacional muito poderosa, continue sendo adorada por muitos…
2 comentários25 de Setembro de 2008 às 09:53Bruno Brant
Barack Hussein Obama já fez história. É o primeiro negro candidato à presidência dos EUA, a maior potência mundial, por um dos partidos majoritários.
Mas, um ano atrás, você saberia quem é Barack Hussein Obama?
Provavelmente não. E o mais surpreendente é que a maioria dos americanos também teriam a mesma resposta. Pouco gente conhecia Barack Obama.
Então, como o obscuro senador de Illinois tornou-se este fenômeno. Como ele conseguiu derrotar o establishment democrata e vencer Hillary Clinton? Como ele conseguiu ser o favorito a se tornar o quadragésimo terceiro presidente na história dos Estados Unidos da América?
Semana passada, assisti pela segunda vez uma palestra do Oswaldo Gouvêa, um dos sócios do Peabirus, rede social ligada ao Grupo Estadão. O Oswaldo, além de ser um orador de primeiríssima, consegue dar vários insights sobre as perspectivas tecnológicas e principalmente da web 2.0 durante sua palestra. Um dos exemplos que o Oswaldo usa para ilustrar suas idéias é o site do Barack Obama. “É uma revolução. Nunca mais as eleições em qualquer canto do mundo serão as mesmas”. A palestra do Oswaldo atiçou minha curiosidade.
Depois me deparei com uma reportagem da Technology Review (publicação sobre tecnologia do MIT - Massachusetts Institute of Technology). O título da reportagem “How Obama Really Did It”, que numa livre tradução seria “Como Obama Realmente Conseguiu”.
Bem, o que Barack Obama fez de diferente foi fundamentalmente utilizar as ferramentas de web 2.0 como ninguém utilizou antes e com resultados surpreendentes. Obama botou a web no centro de sua estratégia de campanha, contratou profissionais gabaritados e montou uma rede social de qualidade, extremamente inteligente e inovadora.
Parte da equipe que está capineando este projeto tentou fazer o mesmo pelo pré-candidato democrata Howard Dean em 2004, mas sem sucesso. Qual seria a diferença entre Dean 2004 e Obama 2008? Nos últimos 4 anos a internet sofreu uma revolução. O surgimento de sites como Facebook, Myspace, Orkut e Youtube mudaram radicalmente o modo como as pessoas se relacionam com a web. Em 2004, blog era novidade, em 2008 é realidade. Em 2004, rede social era o futuro, em 2008 é presente. O cidadão e o eleitor já estão educados na nova web, não precisam ser tutoriados.
Obama criou em seu site uma rede social, chamada “My Barack Obama“, ou “MyBO“, para os íntimos.
Uma vez cadastrado da rede, o cidadão se transforma de eleitor para apoiador, participando ativamente da campanha. E o site dá ferramentas e instruções de como apoiar ativamente o candidato.
O pessoal que mora na vizinhança está cadastrado para votar? MyBO dá o telefone de cada um dos seus vizinhos e já sugere o que você deve falar com cada um deles. Se eu quero organizar um evento de apoio, MyBO já te dá dicas de quanta gente convidar, como deve ser feito o convite, etc. Você pode fazer o download de um modelo e imprimir em casa.
De acordo com o CEP da sua casa, o site já sabe qual é o problema que mais aflige aquela comunidade. Se é desemprego, dá-lhe material sobre as propostas de Obama para gerar postos de trabalho. Se é poluição, eis as propostas de Obama para combater o aquecimento global.
Meus contatos do Outlook (ou do Gmail, ou do Yahoo, ou do Facebook ou…) são eleitores? MyBO dá uma ferramenta para você baixar automaticamente estes dados e sugere que você mande um e-mail para cada um deles convidando a fazer parte da rede.
No MyBO, o apoiador pode estabelecer metas próprias de arrecadação de fundos. Para bater a meta, o apoiador pode tanto doar seu próprio dinheiro, quanto convencer seus parentes, vizinhos, colegas a doar e isto conta para a meta do apoiador. E MyBO aceita qualquer cartão de crédito, basta ser cidadão americano que você está apto a doar qualquer quantia. 48% dos fundos arrecadados por Obama vieram de doações inferiores a 200 dólares.
Tudo o que apoiador faz é de certa maneira coordenado e gerenciado pela equipe de campanha.
Finalmente, e talvez o item mais importante da estratégia de Obama: torne-se viral na internet. Qualquer ferramenta importante web 2.0 é usada por Obama. No Facebook, no Twitter, no Linkedin, nas redes sociais hispânicas, em qualquer lugar, Obama e seus apoiadores estão. Veja quadro abaixo publicado originalmente na Technology Review com dados comparativos da ação de Obama internet.
E os outros candidatos não estão fazendo algo semelhante? Sim, mas a grande diferença é que Obama colocou a web e as ferramentas 2.0 no centro de sua campanha e não como acessório. A campanha de McCain ainda está num paradigma de campanha antigo, contando com grandes doadores e com estratégias de comunicação mais tradicionais e que foram vencedoras no passado.
E o futuro?
Podemos imaginar um cenário bem interessante tanto com Obama eleito presidente, como ele derrotado por McCain. No primeiro caso, MyBO pode se transformar num embrião de governo 2.0. Na oposição, Obama continuaria forte, se conseguir manter o entusiasmo dos seus milhões de apoiadores.
De qualquer forma, a revolução nas campanhas eleitorais Obama já fez.
10 comentários8 de Setembro de 2008 às 14:51Leonardo Lage
Uma boa dica para aqueles que trabalham com o desenvolvimento de novos produtos ou serviços é o site Trendwatching. Anualmente eles publicam um “Trend Report”, um completíssimo e inspirador relatório. Na lista das empresas que compram regularmente esse relatório estão: Google, Natura, Lego, Apple, Rede Globo e Disney.
Além desse relatório anual, que é pago, eles publicam mensalmente um briefing muito interessante com diversas tendências de consumo. O título do briefingdesse mês é:
De um grosso modo podemos dizer que eles apontam a tendência de que o mundo offline se espelhe cada vez mais no mundo online, desde o desenvolvimento de produtos até a relação com consumidores.
O briefing do mês passado, chamado “Innovation Avalanche” também é muito bom e merece uma visita.
1 comentário2 de Setembro de 2008 às 15:06Bruno Brant
A Apple, que junto com o Google é a dupla do momento ícone de sucesso e inovação, superou essa semana o Google em valor de mercado. Foi por bem pouco, e aconteceu em um momento em que a Apple vendeu 1 milhão de Iphone 3G em um fim de semana, e o Google perde dinheiro com publicidade por causa da crise nos Estados Unidos.
Muito já se falou em como as duas empresas são diferentes na geração de inovações estrondosas, com o Google lançando produtos com agilidade, ainda na versão beta, e a Apple segurando o desenvolvimento fechado até os “i” products estarem perfeitos para irem ao mercado. Acredito que não existe só um jeito de ser inovador. As cifras da Apple e do Google demonstram que estilos diferentes podem funcionar bem. O importante é que a cultura da empresa, a estratégia, a estrutura, os processos das organizações considerem o fator “inovação”, e façam com que ele trabalhe a seu favor, gerando desempenho superior. Por ora, ligeiramente superior, no caso da Apple: U$ 158,8 bilhões, frente os U$ 157,2 bilhões do Google. Nada mal.
ATENÇÃO: Informes urgentes para o turista hipocondríaco:
- Cuidado com a meningite em Nova York.
- Gripe aviária ataca o Egito.
- Estudantes de Sydney ameaçados pela malária.
- Dengue, diarréia, febre tifóide, leptospirose, tétano e tuberculose nas Filipinas.
- E pra que tiver coragem de ir para o Iraque, tem que tomar cuidado não só com os homens bombas, mas também com a raiva canina.
Estas informações estão todas condensadas no HealthMap, um site que quer ser o mapa global de alerta para as doenças e epidemias.
O sistema do site é sem dúvida inovador. Várias fontes de notícias são agregadas: notícias que saem na imprensa sobre o aparecimento de doenças, fontes oficiais, como a OMS, ou para-oficiais, como ONG’s que monitoram o aparecimento de epidemias. Tudo isto é analisado e plotado numa ferramenta Google Maps.
O usuário pode ser desde um turista hipocondríaco, até mesmo um pesquisador que quer estudar o comportamento de determinada doença.
O fato de contar com fontes oficiais e não-oficias (porém confiáveis) faz com que o HealthMap sirva também como uma fonte do aparecimento de doenças em países onde o governo esconde tal fato, preocupado com o impacto no turismo ou na popularidade do governante.
Além disso tudo, o site ainda pode servir de alerta para as autoridade públicas sobre o aparecimento de doenças em países ou regiões próximas.
E da próxima vez que for ao Brasil, muito cuidado com a dengue, hantavívus, infecção hospitalar e febre amarela… Ops… estou no Brasil… Socorro!!!