Uma questão de Gestão do Conhecimento, de Cultura Organizacional ou as coisas são assim mesmo?
17 de Junho de 2009 às 15:02 Bruno Brant | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 2559
Existem muitos conhecimentos nas empresas, ou melhor, na cabeça das pessoas das empresas que, apesar do potencial de ganho de produtividade e de inovações que eles trazem consigo, permanecem apenas na cabeça das pessoas. A estorinha abaixo, retirada e adaptada do excelente blog Conversation Matters, ilustra isso muito bem:
Chris Argyris, um famoso Professor em Comportamento Organizacional de Harvard, foi convidado para uma “celebração de melhoria de qualidade” em uma grande empresa. Durante a noite os times de melhoria que haviam sido bem-sucedidos vieram um-a-um contar sobre a economia que haviam conseguido com seus projetos. As economias eram inegavelmente consideráveis e justificavam a celebração.
Quando todos os times haviam sido aplaudidos o Presidente da empresa pediu a Argyris que comentasse sobre o que acabara de ouvir. Argyris que era conhecido por nunca deixar de dizer a verdade sobre o que pensava, em consideração à natureza de celebração do evento, sugeriu ao presidente que talvez fosse melhor se ele não comentasse nada. Contudo o Presidente foi insistente pois estava confiante do excelente trabalho que seu time havia feito. O professor então concordou.
Argyris iniciou seu comentário perguntando a cada um dos times há quanto tempo sabiam como resolver o problema que eles haviam acabado de falar a respeito. As respostas variaram entre um a cinco anos. Argyris fez a mesma pergunta ao Presidente e aos “Gerentes Sêniors”. Eles responderem que ficaram sabendo da existência do problema quando os times foram formados seis meses atrás.
Argyris então perguntou a todo o grupo o que estava ocorrendo naquela organização. Problemas os quais os trabalhadores sabiam como resolver, e que salvariam à empresa milhões de dólares, eram desconhecidos da alta gestão. E mais: os problemas permaneceram sem ser resolvidos por anos!
O professor então concluiu que essa organização tinha um problema muito mais crítico do que qualquer outro que haviam acabado de solucionar. Esse problema era “algo” que evitava que os empregados levantassem problemas e levassem soluções à gestão.
O artigo do qual tirei essa estória tenta responder às perguntas que o relato nos suscita: “Por que isso acontece?” “Por que os colaboradores permanecem em silêncio diante dos problemas?”
Eu tenho minhas pistas e o artigo também traz muitos insights, mas, inspirado pelo nome do blog do qual eu tirei essa estória, eu quero saber de você. Na sua visão por que isso ocorre? Na(s) organização(es) que você faz parte isso também acontece?
Não deixe de ler o artigo na íntegra e de expressar sua opinião nos comentários!!!
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12 Comentários Faça seu próprio
1. Leonardo Kenji | 17 de Junho de 2009 às 18:48
ah, o medo das mudanças…
2. Felipe Matos | 18 de Junho de 2009 às 21:56
Acho que é complexo. As pessoas acham que “nada vai mudar e não importa o que eu fale”. É a síndrome da “peça no sistema”. O sistema existe por si só e as pessoas tendem a enxergá-lo como um ente separado delas. Não entendem que elas fazem o sistema e tem capacidade de influenciá-lo. Isso acontece em todos os níveis. A gente assiste a todo tipo de barbaridade na sociedade, estarrecidos e só lamenta, como se não fizéssemos parte dela.
3. Bruno Brant | 19 de Junho de 2009 às 10:43
Leonardo e Felipe,
Boas colocações e concordo com vocês. Mas é só isso? Medo de mudança e síndrome da peça no sistema?
Acredito que existem muitas outras razões pra isso ocorrer… alguém se pronuncia?
4. Orozco | 27 de Junho de 2009 às 23:18
Essencialmente, na minha opinião, trata-se de falta de incentivos. Em várias organizações, não existem canais bem desenvolvidos de comunicação entre as diversas hierarquias. A informação tem que subir, tropegamente, entre diversas chefias até chegar ao tomador de decisão e ‘morre’ antes de chegar onde interessa.
Algo nesse sentido pode acontecer nas fases do processo:
1) O operador se sente acuado em evidenciar o problema de maneira construtiva, oferecendo sugestões de melhoria (pelo efeito peça no sistema que o Felipe mencionou, ou por medo do chefe, ou por não encontrar eco nas suas sugestões - creio que é o onde a maioria das idéias morre).
2) O supervisor não ‘compra’ a idéia do operador por ter sua própria agenda de melhorias
3) O gerente não prioriza a idéia que veio do supervisor, pois tem sua própria agenda e preocupações
4) O diretor não ‘compra’ a idéia que veio do gerente, pois além de ter sua própria agenda, a idéia é muito ‘micro’ para ser priorizada
5) etc, etc…
Curioso, será que o caminho de uma idéia da base até o topo é pensado como processo (estilo fluxograma e tal)? Não haveriam arranjos institucionais que poderiam fazer esse processo mais eficiente? Menos hierarquia? Mais empoderamento da base? Incentivos?
Questão bem complexa…
5. Leonidas Alves de Castro | 28 de Junho de 2009 às 10:37
Olá, estou aqui entre uma cadeira e a tela de um aparelho que vem transformando toda a historia das civilizações.
Acreditem, eu e as pessoas que fazem parte desta, geração e da geração anterior, esta vivendo a mais importante época de toda historia da humanidade, estamos vivenciando as grandes transformações do mundo, estamos passando da era da produção manual ou artesanal, para a produção industrial e tecnológica digital, veja que ironia do destino ou uma simples coincidência, agora na minha frente esta ligada um TV, sintonizada no programa Globo Rural e estão mostrando como evoluiu o sistema de moagem do milho para fazer o fubá, desde o atrito entre peças para quebrar o milho, passando pelo pilão, monjolo, moinho de pedra, muinhos manual e agora os movidos elétrica. Mas o que quero dizer e que ontem na aula de Pós-Graduação tive contato com a disciplina “Gestão do Conhecimento” imaginem como foi surpreendente, pois sou um imigrante digital, ou seja sou imigrante em tudo, filho de pedreiro e cozinheira, foi engraxate, vendedor de verduras produzidas em casa, coletor de lavagem para porcos e tratador, vendedor de salgado, sacoleiro vendedor de roupa para crianças, fabricadas em ateliê de fundo de quintal, lavador de carro ambulante, cobrador de papelaria e funerária, auxiliar de serralharia, chapa de deposito de material de construção civil e fabrica de pré-moldados, professor de natação para crianças com deficiência físicas e idoso, padeiro, Soldado do Exercito, a sentado em projeto de sem terra, balconista em pit-dog, serralheiro em fabrica de transformado, confeiteiro e entregador de produto de panificação, pedreiro, garçom, lavador de carro em lava jato, vendedor de amendoim, carroceiro, montador de piscina, guarda metropolitano, cursei o magistério, professor de historia, educação artística e religião, guarda metropolitana novamente, fiz o curso de historia na UNITINS de porto nacional, hoje estou no curso de pós-graduação em docência do ensino superior sou sub-inspetor da guarda metropolitana de palmas e estou gerente de fiscalização ambiental e transito. Agora imagine esta trajetória e de repente mim deparo com um cara que sempre gostou de comer galinha no sentido alimentar, e que agora passou ter intimidade com a espécime, quem comprava as aves era o sogro mas pois depois de sua morte o professor teve que ir a feira comprar as aves para consumo, mas pensa num cara que conhece a tecnologia digital, mas demonstrou que todos somos capazes de usar as ferramentas, conforme as nossas necessidade, basta ser persistente e humilde e buscar informações com profissionais que não centraliza o conhecimento.
A disciplina e o bicho, pena que as aulas de gestão da tecnologia só foi dois dias, mas o que e bacana, o Prof. André se colocou a disposição.
6. Renata Horta | 2 de Julho de 2009 às 10:49
Muito bacana a discussão acima! Empolguei!
Tem gente falando do medo da mudança, da “síndrome da peça no sistema”, da complexidade de interesses das organizações, da nossa capacidade de se adaptar e empreender desafios (gostei do post Leonidas)….
Vou tentar das minha opinião sem repetir o que vocês disseram, concordo com todos.
Acho que, como o Leonidas disse, nós temos uma capacidade imensurável de aprender, de nos adaptar, de ver oportunidades, de criar soluções. Por outro lado nós temos uma influência grande, ao longo da nossa vida, da educação que nos ensina “quais são as regras do jogo” e por mais que a gente tenha na escola a “hora de criar” aprendemos a separar o que é “trabalho” do que é “criar”. A gente pode criar no recreio, nas aulas de artes… mas a gente não pode criar muito nas outras aulas. Ali a gente está para escutar o que é certo.
E aos poucos vamos aprendendo como o mundo funciona, e se funciona, pra que mudar? Vamos ouvindo muitos nãos no caminho.
Acho que se a gente fizer uma estatística do número de “nãos” que uma pessoa ouve na vida, vamos ter 80% deles até os 10 anos, depois, um novo pico na adolescência… e depois você já sabe como deve se comportar. Você já aprendeu que as coias funcionam, e que é difícil mudar a forma das pessoas pensarem.
Aí, quando entra na empresa, continua vendo algumas oportunidades, mas já aprendeu o que fazer com elas: esperar a aula de artes ou o recreio.
Acho que está surgindo uma geração muito mais acostumada a mudanças, e o choque entre culturas vai começar a aparecer cada vez mais… Claro que isso depende de outras habilidades que não só a capacidade de mudar, e não sei se essa geração terá todas…
Então, no caso que o Bruno contou vejo os dois componentes fortes: cultura e gestão do conhecimento. Talvez, um dos papéis da gestão do conhecimento é reconstruir o que nossa cultura desconstruiu aos poucos (atenção! Ela não destruiu… ela desconstruiu!).
Aí, nossa cultura também entra em contato com a cultura das empresas que podem favorecer ou não algumas práticas (como a de dar idéias), mas grande parte já tinha sido desconstruido…
A Educação já sabe que o modelo atual não é o melhor. Novas abordagens vem surgindo na Pedagogia há mais de 100 anos, parte das aprendizagens são adaptadas às regras do jogo e inseridas no nosso modelo educacional. O mais engraçado da relação entre educação e tecnologia é que a tecnologia parece que está sendo o elemento que vai OBRIGAR a mudança a acontecer na educação, enquanto isso, parte da educação resiste à tecnologia. Eu é que não queria ser parte da geração de transição… rrs! Até um novo modelo conseguir emergir, tem muita água pra rolar.
7. Alexandre Alves | 6 de Julho de 2009 às 17:43
Sigo com a impressão que no fundo, no fundo, tudo reside na educaçao das pessoas, que forma a cultura, que cria as “barreiras”. A “cultura econônica da era moderna” foi construída a partir do papel moeda e do lucro financeiro. Com isto, esqueceu-se (ou desaprendeu-se) que o conceito de riqueza não se traduz em papel moeda e lucro. Riqueza, cada vez mais, tem a ver com a condição humana, as relações humanas, como as pessoas conversam e se entendem. Empresa rica é aquela em que todo mundo pode conversar, se expressar e propor. Se assim fosse, a estorinha será outra.
8. Paulo Renato | 9 de Julho de 2009 às 18:09
Tempo, tempo, tempo e tempo, urgente x importante.
Nas empresas gigantes os processos são estruturados para que máquinas operem o sistema, mas estes são operados por pessoas. As pessoas, sonham, erram e aprendem. Curto prazo, curto prazo, curto prazo….implementar novas idéias ou soluções significa parar um pouco o curto prazo, para se dedicar a algo de médio longo prazo. São os dilemas em que todos perdem….
9. trainspotting | 13 de Julho de 2009 às 14:35
esperimente ser ou parecer melhor que seu chefe/superior/diretor/presidente/dono.
se não gostar, seja dono de seu proprio negocio e pratique empatia na pratica.
10. O melhor da semana 12/07 &hellip | 20 de Julho de 2009 às 10:34
[…] Uma questão de Gestão do Conhecimento, de Cultura Organizacional ou as coisas são assim mesmo? – Bruno Brant (Blog Instituto Inovação); […]
11. Faby | 27 de Agosto de 2009 às 11:42
Um dos motivos pelo qual acredito que muitas pessoas se calam é falta de segurança, medo de errar, medo de falar algo e estar errado, porém, elas esquecem que é errando que se aprende, que expondo suas idéias ela estará cada dia evoluindo mais. Nós seres humanos temos uma capacidade que não conhecemos sua imensidão, toda a tecnologia que temos hoje, foi feita por nós. Independente do cargo que ocupamos, podemos ter idéias brilhantes, e com elas conquistarmos cada dia um cargo mais elevado.
Os cargos como gerente,chefia, presidente, deveria ser melhor ocupado, uma vez que a pessoa esta nessa posição, é porque ela tem capacidade de exercer, tem mais preparo que outras, mais estudo, mais experiencia. Ela deveria usar tudo isso, fazendo feedback com seus funcionários, dar a eles a confiança de que é muito importante saber suas idéias, opiniões e sugestões, que com a participação deles a empresa crescerá cada vez mais, e que todos devem vestir a camisa e trabalhar com amor, ser grato por seu sustento sair dali e que ela ajudando a empresa estará se ajudando, que conseguirá cada dia crescer com ela.
No meu ponto de vista então, falta iniciativa dos funcionários em ser ousado ao se pronunciar e dos cargos mais elevados de se interessarem em ouvir.
12. Andre | 13 de Setembro de 2009 às 22:30
Medo de mudança e senso de auto preservação ……
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