Sobre proxys, economistas e indicadores de inovação
3 de Abril de 2009 às 15:26 Leonardo Lage | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 1910
Quando eu fazia faculdade de Administração na UFMG, eu tive um grande privilégio de conviver com muitos economistas, ou futuros economistas. Havia um certa rivalidade entre os cursos e alguns dos meus colegas menosprezavam o pessoal da Economia. Seriam teóricos, bitolados, nerds, etc.
Eu, ao contrário, sempre tive inveja destes seres tão peculiares.
Cite um grande administrador.
- Taylor? Engenheiro.
- Ford? Engenheiro.
- Mayo? Engenheiro ou Psicólogo… sei lá.
- Jack Welch? Engenheiro.
Agora cite um grande economista.
Adam Smith, Keynes, Marx, Pedro Malan (ops… este é engenheiro), Schumpeter… e por aí vai.
Um dos conceitos mais bacanas que que aprendi com um economista é o tal do proxy. Outro dia, o Saddi, futuro economista e ex-estagiário do Instituto Inovação, estava me falando dos tais dos proxys.
Proxy é o seguinte: se não existe algum indicador que meça determinado fenômeno, existirá outro indicador cuja correlação com o fenômeno é alta então podemos usá-lo como um indicador aproximado. Vejamos:
- Produção de papelão nas indústrias é um proxy da atividade industrial.
- Taxa de repetência escolar é um proxy da qualidade da educação.
- Percentual de cheques sem fundos é um proxy do endividamento da população.
- Busca pela palavra “inovação” no Google é um proxy de onde está a Inovação (veja post).
Uma das discussões mais polêmicas que temos no nosso dia a dia é aquela acerca do indicador de inovação. Bem, minha conclusão é que não existe um indicador de inovação, mas um montão de proxys. Vejamos:
Para um país ou região:
- Quantidade de patentes.
- Quantidade de publicações científicas.
- Quantidade de mestres e doutores.
- Balança comercial de royalties.
- Dinheiro (ou percentual do PIB) investidos em P&D.
- Quantidade de contratos de cooperação universidade-empresa.
- Quantidade de incubadoras (ou de empresas incubadas).
- Etc.
Para uma empresa/instituição:
- Quantidade de patentes.
- Receita com produtos novos.
- Quantidade de produtos novos.
- Despesas com P&D.
- Quantidade de pesquisadores.
- Quantidade de projetos de inovação.
- Ganho de produtividade.
- Etc.
E aí? Não ficou mais simples discutir os proxys do que os indicadores? Nem sempre os economistas complicam as coisas.
Quem quiser contribuir com mais proxys, seja bem-vindo.
Publicação arquivada em: Conceitos de inovação e gestão
Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 1911
2 Comentários Faça seu próprio
1. Alexandre Alves | 30 de Abril de 2009 às 12:37
Nhu! Gostei demais desse negócio de proxys (aqui fala um Administrador não famoso). Pensei que “proxy” era só um “servidor que atende a requisições repassando os dados a outros servidores” (Wiki…).
Acabei de descrever um sonho num comentário a outro post: a grande mídia poderia se debruçar mais sobre “proxys” do que esperar sobre os minguados e às vezes inexistentes indicadores.
2. Francisco | 7 de Fevereiro de 2010 às 06:10
Interessantel! Já havia visto esse termo algumas vezes, porém, mesmo sendo estudante de economia, não tinha entedido ou mesmo me atentei sobre seu real significado. Com a explicação e os exemplos acima ficou fácil, foram bem esclarecedores. Parabéns!
Deixe um Comentário
Linkar esta publicação | Assine os comentários via o RSS