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A solução do trânsito é tornar o trânsito um inferno!

22 de Dezembro de 2008 às 14:13 Leonardo Lage  | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 1077

moscow traffic - moscow traffic
Na década de 40, um cientista russo (na realidade nascido no Uzbequistão), Genrich Altshuller, publicou um estudo com 40 princípios da invenção. Utilizando-se um destes 40 princípios, qualquer um resolveria problemas de maneira inovadora.
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Entre os 40 princípios de Altshuller, talvez o décimo terceiro seja o mais estapafúrdio, à primeira vista. É o princípio da Inversão: ao invés de fazer uma ação que por lógica resolve o problema, faça a ação contrária.

Nunca consegui pensar num bom exemplo para ilustrar este princípio. Nunca até agora.

Seguindo, o 13º príncipio de Altshuller (provavelmente de maneira inconsciente), algumas cidades estão resolvendo o problema do trânsito. Como? Tornando o trânsito um inferno.

Londres, Oslo, Barcelona, Paris, Bogotá entre outras cidades adotaram medidas que, a princípio, tornam a vida dos motoristas um verdadeiro suplício: eliminar milhares de vagas de estacionamento, fechar ruas, criar faixas exclusivas para ônibus, taxis e bicicletas estão entre as medidas adotadas.

Bertrand Delanoë, prefeito de Paris, foi mais longe tornando a bicicleta em um transporte público.

Na última licitação para a concessão dos direitos de exploração de publicidade no mobiliário público (pontos de ônibus, bancas de jornais, relógios, metrôs, etc), a contrapartida da empresa ganhadora foi o investimento num sistema de transporte público por bicicleta, o Velib.

O Velib é uma frota de cerca de 20 mil bicicletas públicas, que podem ser alugadas por dia, semana ou mês ou ano, com vários pontos de estacionamento por toda a cidade (aproximadamente a cada 300 metros). Em tese, basta ter um cartão de crédito e alugar esta bicicleta em um dos pontos e deixá-la em qualquer outro ponto da cidade. O aluguel diário custa apenas 1 euro, com direito a percursos de 30 minutos (ilimitados). Se você usar a bicicleta por mais de 30 minutos, será cobrada uma taxa de 1 euro por hora-extra.

Author Cedric Bonhomme - Author Cedric Bonhomme

O Velib é complementar ao sistema de metrô de Paris e além de ser um meio de locomoção, ajuda os Parisienses e visitantes a ser exercitarem um pouquinho. A JC Decaux (empresa que ganhou o direito de explorar a publicidade no mobiliário público) investiu mais de 12 milhões de euros no sistema e toda a receita de aluguel é da Prefeitura de Paris.

E aí? Será que algum dos novos prefeitos vai usar o 13º princípio de Altshuller ou teremos mais do mesmo: mais viadutos, mais trincheiras, mais avenidas, mais estacionamentos, mais carros e mais trânsito?


Para ver vídeo sobre o assunto, clique aqui.

Publicação arquivada em: Experiências Internacionais, Produtos, serviços ou processos inovadores, Novos modelos de negócios

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6 Comentários Faça seu próprio

  • 1. Alexandre Alves  |  23 de Dezembro de 2008 às 10:53

    Gostei do “pense ao contrário”, mas fiquei curioso em conhecer os 40 princípios para inovação.
    Sobre o trânsito, a solução é tão simples quanto antiga: elimine o desejo humano de ostentar veículos individuais e resgate a inteligência da raça ao optar em viver em comunidade: soluções para a coletividade…

  • 2. Bruno Brant  |  25 de Dezembro de 2008 às 03:58

    Também gostei do “pense ao contrário”.

    Se formos acreditar nesse princípio e o problema for o desejo humano de ostentar veículos, talvez os marketeiros de plantão já estejam (provavelmente de maneira inconsciente) fazendo a sua parte para que tenhamos invenções para resolver tal questão: levar o desejo humano ao extremo.

    Será que o planeta aguenta?

  • 3. Caio Palma Jacobino  |  29 de Dezembro de 2008 às 18:28

    Leonardo, parabens pela excelente postagem!

    Para os que quiserem conhecer os 40 principios da invencao segue link:
    http://www.triz40.com/aff_Principles.htm

    Abs e otimo 200inove a todos!!!
    Caio.

  • 4. Cláudio Botelho  |  7 de Janeiro de 2009 às 22:31

    Léo,

    Será que tornar o trânsito um caos funcionaria no Brasil? Somos condicionados desde o nascimento a desejarmos possuir um carro. E com a valorização da cultura do conforto, acredito que o problema só tende a se agravar. Quem sabe quando chegarmos ao ponto em que nossos carros funcionarem mais como adornos de garagem que opção de deslocamento essa cultura mude? Veremos…

  • 5. Joel  |  28 de Janeiro de 2009 às 22:48

    Acho que a prefeitura de São Paulo, por exemplo, nem precisa tomar medidas “anti-carro”. O próprio trânsito já dá conta disso naturalmente…

  • 6. Marcelo Mirisola  |  27 de Março de 2009 às 20:34

    Leonardo, o seu texto é fantástico. Então, será que a solução para São Paulo é investirmos em duplicação, triplicação, quadriplicação … de avenidas? Imaginem o Super Highway do Maluf?!!! Acho que não………..

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