Na década de 40, um cientista russo (na realidade nascido no Uzbequistão), Genrich Altshuller, publicou um estudo com 40 princípios da invenção. Utilizando-se um destes 40 princípios, qualquer um resolveria problemas de maneira inovadora.
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Entre os 40 princípios de Altshuller, talvez o décimo terceiro seja o mais estapafúrdio, à primeira vista. É o princípio da Inversão: ao invés de fazer uma ação que por lógica resolve o problema, faça a ação contrária.
Nunca consegui pensar num bom exemplo para ilustrar este princípio. Nunca até agora.
Seguindo, o 13º príncipio de Altshuller (provavelmente de maneira inconsciente), algumas cidades estão resolvendo o problema do trânsito. Como? Tornando o trânsito um inferno.
Londres, Oslo, Barcelona, Paris, Bogotá entre outras cidades adotaram medidas que, a princípio, tornam a vida dos motoristas um verdadeiro suplício: eliminar milhares de vagas de estacionamento, fechar ruas, criar faixas exclusivas para ônibus, taxis e bicicletas estão entre as medidas adotadas.
Bertrand Delanoë, prefeito de Paris, foi mais longe tornando a bicicleta em um transporte público.
Na última licitação para a concessão dos direitos de exploração de publicidade no mobiliário público (pontos de ônibus, bancas de jornais, relógios, metrôs, etc), a contrapartida da empresa ganhadora foi o investimento num sistema de transporte público por bicicleta, o Velib.
O Velib é uma frota de cerca de 20 mil bicicletas públicas, que podem ser alugadas por dia, semana ou mês ou ano, com vários pontos de estacionamento por toda a cidade (aproximadamente a cada 300 metros). Em tese, basta ter um cartão de crédito e alugar esta bicicleta em um dos pontos e deixá-la em qualquer outro ponto da cidade. O aluguel diário custa apenas 1 euro, com direito a percursos de 30 minutos (ilimitados). Se você usar a bicicleta por mais de 30 minutos, será cobrada uma taxa de 1 euro por hora-extra.
O Velib é complementar ao sistema de metrô de Paris e além de ser um meio de locomoção, ajuda os Parisienses e visitantes a ser exercitarem um pouquinho. A JC Decaux (empresa que ganhou o direito de explorar a publicidade no mobiliário público) investiu mais de 12 milhões de euros no sistema e toda a receita de aluguel é da Prefeitura de Paris.
E aí? Será que algum dos novos prefeitos vai usar o 13º princípio de Altshuller ou teremos mais do mesmo: mais viadutos, mais trincheiras, mais avenidas, mais estacionamentos, mais carros e mais trânsito?
Constatação óbvia: quanto mais patentes uma instituição possui mais ela é inovadora. Certo?
Huuum, talvez. Apesar do número de patentes depositadas ser constantemente utilizado como um indicador do tanto que uma instituição é inovadora, o consenso que existe entre os estudiosos do tema é que apesar desse poder ser um indicador, ele não deve ser o indicador.
Patentes inúteis que nunca serão utilizadas e empresas que registram patentes só pra usá-las como moeda de barganha no futuro (coisa muito comum nos EUA) são exemplos que mostram que nem sempre “patente = inovação” (para ser efetivamente inovação uma invenção tem que chegar ao mercado!).
Além disso, em algumas áreas o segredo industrial (quando você registra uma patente é obrigado a divulgar sua tecnologia) é muito mais interessante. Alguns estudos indicam, inclusive, que nos Estados Unidos, aonde as guerras judiciais envolvendo patentes são comuns, muitas empresas estão deixando de patentear suas inovações devido aos altos custos desses processos. A única exceção a essa tendência seria a indústria farmacêutica.
Vale lembrar também que as patentes não são eternas e as empresas que as exploram devem tomar muito cuidado para não ficarem “deitadas eternamente em berço esplêndido”. Um caso clássico disso é o da Xerox que quando perdeu a exclusividade dos direitos da “fotocopiadora” não estava preparada para enfrentar a concorrência de suas rivais japonesas.
Não quero dizer com isso que as empresas não devam patentear suas inovações nem que o número de patentes de uma instituição não quer dizer nada. O importante é ter uma visão crítica e lembrar que quantidade nem sempre está diretamente ligada a qualidade.
4 comentários18 de Dezembro de 2008 às 19:00Bruno Brant
O Boletim da Unicamp perguntou a especialistas: os recursos do governo que apóiam P&D na empresa induzem ou não mais investimentos delas?
Em workshop organizado pela Incentivar Consultoria, no dia 27 de novembro, perguntou-se: os incentivos fiscais servem ao aumento do investimento em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação; ou à redução da carga tributária?
Sobre isso, Christimara Garcia, da Incentivar Consultoria, disse: “o objetivo da Lei [Lei do Bem] é claramente incentivar o aumento dos gastos das empresas com inovação tecnológica, mas para que isso realmente aconteça é preciso um maior envolvimento da alta direção das empresas na decisão de re-investimento dos valores recuperados nas próprias atividades de inovação.”
Vale a leitura da pesquisa com os especialistas no Boletim Unicamp, e fica a reflexão.
1 comentário17 de Dezembro de 2008 às 09:26Isabela
Como podemos gerar inovações se nossas crianças e jovens não tiverem interesse em buscar soluções para problemas? O processo de inovação é uma busca incansável por problemas e suas soluções.
Há alguns dias postei aqui o vídeo de uma palestra do Luli Radfahrer sobre inovação. O cara é, definitivamente, fera! Semana passada ele falou sobre sua visão da educação e de como as tecnologias podem e vão impactar os processos de aprendizagem. Para nossa sorte o evento foi gravado e mais uma vez temos um excelente vídeo cheio de reflexões interessantes.
Para os construtivistas e críticos ao modelo tradicional de educação pode não haver muita novidade, afinal, a mensagem principal da palestra é que a função do professor/educador não é passar informação e sim despertar a vontade de aprender, é de criar “curadores”.
Algumas reflexões presentes no vídeo:
A Internet não fala para o pobre;
A escola é uma rede social: a criança não vai na escola pra aprender e sim para encontrar os amigos;
O professor deve ser um guia e não um adestrador;
O verdadeiro líder tem a capacidade de despertar a curiosidade, a criatividade;
A atual crise financeira é uma crise de idéias, é o colapso de um modelo baseado num ambiente de escassez de informação;
A empresa de hoje é a repartição pública de ontem;
Qualquer informação que você busca deve marcar o início de um diálogo;
Os orientais não estão prontos para serem inovadores como nós, brasileiros, estamos;
Sei que parecem idéias soltas, mas ele as amarra muito bem. Meu intuito foi mais tentar aguçar o interesse de assistir o vídeo…bom apetite!
3 comentários3 de Dezembro de 2008 às 15:32Bruno Brant