Arquivo de Setembro de 2008

Inovatec 2008

Inovatec - Logo Inovatec

Palestras gratuitas e de qualidade são sempre bem-vindas, especialmente quando elas são sobre um assunto interessante. Na semana que vem (29/9 a 2/10) ocorrerá em Belo Horizonte a Inovatec: feira de ciência, tecnologia e inovação.

O evento contará com estandes das principais universidades mineiras, de empresas inovadoras, de agências de fomento e outras instituições que de alguma forma se relacionam com inovação. Além disso haverão diversas palestras, painéis e workshops interessantes, dentre as quais eu achei mais interessante:

  • Gestão do Conhecimento no processo de Inovação Tecnológica
  • Heitor Pereira (SBGC); Itaipu; Petrobrás e FIAT Automóveis

  • Abertura Oficial: Wikinomics - Como a colaboração em massa pode mudar seu negócio (paga)
  • Anthony D. Williams (co-autor do livro Wikinomics)

  • Atração e Retenção de Centros de P&D
  • Peter Oliveira (INM, Alemanha), Sérgio Queiroz (UNICAMP). Ainda não está na programação, mas participaremos desse painel, representados pela Janayna

  • Criatividade, Inovação e Trabalho (paga)
  • Domenico De Masi (Sociólogo, Itália)

    Na verdade são tantas atividades interessantes (e algumas ocorrendo no mesmo horário) que é até difícil escolher.

    Sobre as duas palestras que são pagas, acredito que valham o investimento. Já li o Wikinomics e gostei muito. O Domenico também é muito bom, o único perigo é você não querer trabalhar mais de quatro horas por dia depois que assistir.

    Eu vou. A programação e a inscrição estão disponíveis aqui.

    1 comentário 25 de Setembro de 2008 às 17:41 Bruno Brant

    Mude o mundo! Com a ajuda do Google…

    Se você foi picado pelo mesmo bicho que o Alexandre e está procurando um parceiro para te ajudar a multiplicar seu potencial humano, acabou de encontrar um.

    Através do projeto lançado recentemente, chamado de “Projeto 10¹ºº“, o Google pode te ajudar a mudar o mundo. Trata-se de um concurso de “idéias capazes de mudar o mundo ajudando o maior número de pessoas possível”. A gigante de mountain view promete disponibilizar “simplesmente” US$10.000.000 (dez milhões de dólares) para a implementação das melhores idéias.

    O funcionamento do concurso, a lá open innovation, é simples: você envia sua idéia acompanhada ou não de um vídeo de 30 segundos, espera que a “comunidade” escolha sua idéia para figurar entre as vinte semi-finalistas e torce para que um comitê consultivo considere sua idéia merecedora de estar entre as 5 finalistas.

    Se você deseja conhecer os critérios e os tipos de idéia que são aceitos, basta entrar no site do concurso. O mais interessante é que não existem letrinhas pequenas nos “termos do serviço” dizendo que ao submeter sua idéia você estará cedendo seu direito de propriedade intelectual para os organizadores.

    São iniciativas como essa que fazem com que a Google, apesar de ter se tornado uma multinacional muito poderosa, continue sendo adorada por muitos…

    2 comentários às 09:53 Bruno Brant

    Inovações Desnecessárias

    schumpeter
    A “destruição criativa” de Schumpeter detecta a tendência de definhamento das empresas de tecnologia antiquada em favor das inovadoras. A necessidade de inovar, entretanto, depende da característica do produto ofertado e da natureza do mercado que a empresa se insere. Empresas de tecnologia da informação e biotecnologia têm necessidade de inovar o tempo inteiro em um mercado onde o estado da arte é volátil e as pequenas possuem grande parte do market-share. Setores oligopolizados de carros e eletrodomésticos apresentam inovações incrementais na maioria das vezes e poucos ápices disruptivos. O setor têxtil acaba investindo mais em design para a diferenciação do produto do que propriamente na tecnologia de produção, amplamente difundida. Há casos, ainda, em que a empresa não precisa inovar. De um modo geral, o que se conclui é que não há um esforço padrão de investimento em inovação para todos os ramos de atividade. Como o tema deste post é o desincentivo mercadológico à inovação, foquemo-nos no último caso, a partir de empresários que empregam tecnologia de produção aquém da dominante.

    Em um mercado competitivo, a empresa sobreviveria apenas se ofertasse bens às camadas inferiores da distribuição de renda, que mantêm a demanda pelo bem inferior. A livre competição nos mercados faz também com que a tecnologia empregada na produção do bem já tenha se banalizado, ou seja, já é adquirida pelo nosso empresário ao preço de mercado “justo”. Mesmo com a possibilidade de compra da tecnologia ao menor preço possível, ela não permite que o ganho de qualidade do produto deixe de se converter em preço mais alto. Em outras palavras, a nova tecnologia não força a empresa a se modernizar, pois acarretaria em perda do seu mercado de nível inferior.

    O desincentivo à modernização também se justifica pela existência de demanda por bens artesanais. Neste caso, o consumidor paga pela exlusividade ou detalhes artísticos.

    Outra hipótese é a de que a empresa funcione em monopólio. As atividades econômicas que possuem custo fixo muito alto e custo marginal muito baixo são geralmente monopólios naturais, ou seja, monopólios que existem mesmo em caso de bom funcionamento do mercado. O caso da fornecedora de energia elétrica é clássico na literatura que trata do tema. Ela incorre em custos fixos altíssimos de geração de energia e construção de redes abrangentes; feito isto, o custo de transmitir uma unidade de energia é mínimo. Para que seja proveitoso o funcionamento da empresa, lhe é necessário economias provindas da escala de operação. Minimizando o “economês”, isso significa que ela tem que ser muito grande. Logo, tende-se ao monopólio. Sem concorrentes e com barreiras de custo fixo fortíssimas à entrada de novas operadoras no mercado não é necessário se diferenciar.

    Mas isso tem solução?

    Como são falhas de mercado, os monopólios tendem a ser regulados. Ao regular, as agências definem as dimensões pelas quais se oferta, ou seja, definem o preço que poderá ser cobrado, bem como abrangência, produtividade e qualidade dos serviços prestados. Ganhos de produtividade e qualidade envolvem na maioria das vezes necessidade de inovar. Nesta perspectiva, cabe ao regulador estimular a inovação com vistas aos ganhos de produtividade e qualidade em detrimento da cobrança de preços inferiores se julgar ser mais necessária à sociedade qualidade do que preço baixo.

    No caso da falha de mercado ser coberta por uma estatal, fica a cargo do governo definir as metas de qualidade, produtividade, etc. Uma vez impostas, haverá necessidade de inovar.

    2 comentários 24 de Setembro de 2008 às 17:23 Gustavo Saddi

    Quanto você colaborou hoje? E quanto você operou no modo “geladeira velha”?

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    Aí é o seguinte: Apagão Humano® Invertido.

    O conceito de “apagão” nasceu quando faltou energia para acompanhar o “progresso”. Até então, nunca antes da história deste país havíamos conseguido tamanha mobilização em prol de uma causa comum: economizar energia. Engraçado, que depois do sucesso em nível nacional fomos “bonificados” com o pagamento adicional nas nossas contas de energia pelo prejuízo que as concessionárias tiveram com a economia que nos foi pedida; entendeu? É isto mesmo, pagamos um adicional pela economia que fizemos.

    Feita a referência, o Apagão Humano Invertido se caracteriza pelas abundâncias tanto de energia humana, quanto do uso completamente dispersivo da mesma. Somos uma nação de geladeira velha, ligada na tomada, consumindo muita energia, sem nenhuma garrafa de água para gelar.

    Para exemplificar, proponho um índice AHI: cada cidadão amanhece diariamente com uma determinada capacidade igual de PH (potencial humano): imaginamos que este número seja 100. Ao final do dia, cada pessoa pode fazer a sua contabilidade e calcular seu índice:

    a) Quantos % empenhou em multiplicar a sua energia com a de outros seres em prol do impactar positivamente a vida das pessoas;

    b) Quantos % dedicou a fazer algo útil (não atrapalhou ninguém e ainda conseguiu contribuir para o progresso da humanidade, mesmo que de forma singela);

    c) E, por fim, quantos % ele operou no modo “geladeira velha ligada na tomada sem nada para gelar”; aqui entram todas as rotinas e ações que representam completa fuga de PH, tais como movimentos insanos, burocráticos, circulares, normativos, carimbos, processos, regras, etc.

    Diariamente, junto com o índice Bovespa, por exemplo, teríamos o índice AHI da nação, anunciado pelos principais telejornais. Comece a sua tabela e vamos fazer aqui uma prévia.

    3 comentários 23 de Setembro de 2008 às 15:34 Alexandre Alves

    My Barack Obama

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    Barack Hussein Obama já fez história. É o primeiro negro candidato à presidência dos EUA, a maior potência mundial, por um dos partidos majoritários.

    Mas, um ano atrás, você saberia quem é Barack Hussein Obama?

    Provavelmente não. E o mais surpreendente é que a maioria dos americanos também teriam a mesma resposta. Pouco gente conhecia Barack Obama.

    Então, como o obscuro senador de Illinois tornou-se este fenômeno. Como ele conseguiu derrotar o establishment democrata e vencer Hillary Clinton? Como ele conseguiu ser o favorito a se tornar o quadragésimo terceiro presidente na história dos Estados Unidos da América?

    Semana passada, assisti pela segunda vez uma palestra do Oswaldo Gouvêa, um dos sócios do Peabirus, rede social ligada ao Grupo Estadão. O Oswaldo, além de ser um orador de primeiríssima, consegue dar vários insights sobre as perspectivas tecnológicas e principalmente da web 2.0 durante sua palestra. Um dos exemplos que o Oswaldo usa para ilustrar suas idéias é o site do Barack Obama. “É uma revolução. Nunca mais as eleições em qualquer canto do mundo serão as mesmas”. A palestra do Oswaldo atiçou minha curiosidade.

    Depois me deparei com uma reportagem da Technology Review (publicação sobre tecnologia do MIT - Massachusetts Institute of Technology). O título da reportagem “How Obama Really Did It”, que numa livre tradução seria “Como Obama Realmente Conseguiu”.

    Bem, o que Barack Obama fez de diferente foi fundamentalmente utilizar as ferramentas de web 2.0 como ninguém utilizou antes e com resultados surpreendentes. Obama botou a web no centro de sua estratégia de campanha, contratou profissionais gabaritados e montou uma rede social de qualidade, extremamente inteligente e inovadora.

    Parte da equipe que está capineando este projeto tentou fazer o mesmo pelo pré-candidato democrata Howard Dean em 2004, mas sem sucesso. Qual seria a diferença entre Dean 2004 e Obama 2008? Nos últimos 4 anos a internet sofreu uma revolução. O surgimento de sites como Facebook, Myspace, Orkut e Youtube mudaram radicalmente o modo como as pessoas se relacionam com a web. Em 2004, blog era novidade, em 2008 é realidade. Em 2004, rede social era o futuro, em 2008 é presente. O cidadão e o eleitor já estão educados na nova web, não precisam ser tutoriados.

    Obama criou em seu site uma rede social, chamada “My Barack Obama“, ou “MyBO“, para os íntimos.

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    Uma vez cadastrado da rede, o cidadão se transforma de eleitor para apoiador, participando ativamente da campanha. E o site dá ferramentas e instruções de como apoiar ativamente o candidato.

    O pessoal que mora na vizinhança está cadastrado para votar? MyBO dá o telefone de cada um dos seus vizinhos e já sugere o que você deve falar com cada um deles. Se eu quero organizar um evento de apoio, MyBO já te dá dicas de quanta gente convidar, como deve ser feito o convite, etc. Você pode fazer o download de um modelo e imprimir em casa.

    De acordo com o CEP da sua casa, o site já sabe qual é o problema que mais aflige aquela comunidade. Se é desemprego, dá-lhe material sobre as propostas de Obama para gerar postos de trabalho. Se é poluição, eis as propostas de Obama para combater o aquecimento global.

    Meus contatos do Outlook (ou do Gmail, ou do Yahoo, ou do Facebook ou…) são eleitores? MyBO dá uma ferramenta para você baixar automaticamente estes dados e sugere que você mande um e-mail para cada um deles convidando a fazer parte da rede.

    No MyBO, o apoiador pode estabelecer metas próprias de arrecadação de fundos. Para bater a meta, o apoiador pode tanto doar seu próprio dinheiro, quanto convencer seus parentes, vizinhos, colegas a doar e isto conta para a meta do apoiador. E MyBO aceita qualquer cartão de crédito, basta ser cidadão americano que você está apto a doar qualquer quantia. 48% dos fundos arrecadados por Obama vieram de doações inferiores a 200 dólares.

    Tudo o que apoiador faz é de certa maneira coordenado e gerenciado pela equipe de campanha.

    Finalmente, e talvez o item mais importante da estratégia de Obama: torne-se viral na internet. Qualquer ferramenta importante web 2.0 é usada por Obama. No Facebook, no Twitter, no Linkedin, nas redes sociais hispânicas, em qualquer lugar, Obama e seus apoiadores estão. Veja quadro abaixo publicado originalmente na Technology Review com dados comparativos da ação de Obama internet.

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    E os outros candidatos não estão fazendo algo semelhante? Sim, mas a grande diferença é que Obama colocou a web e as ferramentas 2.0 no centro de sua campanha e não como acessório. A campanha de McCain ainda está num paradigma de campanha antigo, contando com grandes doadores e com estratégias de comunicação mais tradicionais e que foram vencedoras no passado.

    E o futuro?

    Podemos imaginar um cenário bem interessante tanto com Obama eleito presidente, como ele derrotado por McCain. No primeiro caso, MyBO pode se transformar num embrião de governo 2.0. Na oposição, Obama continuaria forte, se conseguir manter o entusiasmo dos seus milhões de apoiadores.

    De qualquer forma, a revolução nas campanhas eleitorais Obama já fez.

    6 comentários 8 de Setembro de 2008 às 14:51 Leonardo Lage

    Brasil no mapa mundial do Open Innovation

    Saiu mais uma newsletter do Radar do Inovação, o centro de conhecimento do Instituto Inovação.

    Nesta edição:

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    Instituto Inovação realiza alianças internacionais com InnoCentive e Ninesigma e insere Brasil no mapa mundial do Open Innovation

    Métodos de Valoração de Tecnologias

    A Política de Desenvolvimento Produtivo do Governo Federal e a macrometa de aumentar o investimento privado em P&D

    Internacional: Colômbia utiliza metodologias do Instituto Inovação para avaliar potencial de tecnologias

    Quem quiser receber sempre, é só registrar.

    Adicionar comentário 5 de Setembro de 2008 às 17:27 Isabela

    Tendências que inspiram

    Uma boa dica para aqueles que trabalham com o desenvolvimento de novos produtos ou serviços é o site Trendwatching. Anualmente eles publicam um “Trend Report”, um completíssimo e inspirador relatório. Na lista das empresas que compram regularmente esse relatório estão: Google, Natura, Lego, Apple, Rede Globo e Disney.

    Além desse relatório anual, que é pago, eles publicam mensalmente um briefing muito interessante com diversas tendências de consumo. O título do briefing desse mês é:

    OFF = ON

    pixelsofa - Sofá de Pixels

    De um grosso modo podemos dizer que eles apontam a tendência de que o mundo offline se espelhe cada vez mais no mundo online, desde o desenvolvimento de produtos até a relação com consumidores.

    O briefing do mês passado, chamado “Innovation Avalanche” também é muito bom e merece uma visita.

    1 comentário 2 de Setembro de 2008 às 15:06 Bruno Brant


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