Além do excesso de mensagens, excesso de informação e excesso de produtos, vivemos num momento de excesso de inovações. Essa é a opinião de Luli Radfahrer, Ph.D em comunicação digital pela ECA-USP.
Em palestra ministrada recentemente, o professor faz uma análise muito divertida dessa sobrecarga que vivemos, nos mostra sua visão do que seria a criatividade, dos tipos de “criativos” que percebe e define muito bem a inovação.
Depois dessa introdução e contextualização, Luli apresenta com a propriedade de um inovador o processo de inovação, iniciando pelos obstáculos, passando pela formatação da idéia e chegando no “produto sexy”.
O vídeo traz vários insights interessantes e sem dúvidas vale o tempo despendido.
Para assistir o vídeo em tela cheia basta clicar no ícone da direita (depois de dar play no vídeo). Caso você tenha gostado muito da palestra e queira ver os slides, eles estão disponíveis aqui.
A Apple, que junto com o Google é a dupla do momento ícone de sucesso e inovação, superou essa semana o Google em valor de mercado. Foi por bem pouco, e aconteceu em um momento em que a Apple vendeu 1 milhão de Iphone 3G em um fim de semana, e o Google perde dinheiro com publicidade por causa da crise nos Estados Unidos.
Muito já se falou em como as duas empresas são diferentes na geração de inovações estrondosas, com o Google lançando produtos com agilidade, ainda na versão beta, e a Apple segurando o desenvolvimento fechado até os “i” products estarem perfeitos para irem ao mercado. Acredito que não existe só um jeito de ser inovador. As cifras da Apple e do Google demonstram que estilos diferentes podem funcionar bem. O importante é que a cultura da empresa, a estratégia, a estrutura, os processos das organizações considerem o fator “inovação”, e façam com que ele trabalhe a seu favor, gerando desempenho superior. Por ora, ligeiramente superior, no caso da Apple: U$ 158,8 bilhões, frente os U$ 157,2 bilhões do Google. Nada mal.
Procurar vida em outros planetas é só uma das missões da Nasa. Para sobreviver, a agência tenta se tornar uma máquina de inovações para as empresas americanas.
Durante boa parte de seus 50 anos de existência, a Nasa, agência espacial americana, foi um dos símbolos do poderio de um país. Seus laboratórios impressionantes e sua equipe de cientistas transformaram delírios — como a chegada do homem à Lua e a exploração de Marte — em realidade. Em parte, graças à Nasa os Estados Unidos ganharam a corrida espacial e a batalha de imagem que cercou os anos da Guerra Fria. Mas o socialismo caiu com o Muro de Berlim, e a conquista do espaço perdeu muito de seu charme. E, para sobreviver e garantir recursos, a Nasa teve de encontrar um novo caminho. Nos últimos anos, sua formidável máquina de inovação vem sendo colocada a serviço do desenvolvimento de idéias que possam mudar o dia-a-dia de pessoas comuns, que jamais sairão da Terra. Assim como boa parte das universidades americanas, a Nasa tornou-se uma extensão das áreas de pesquisa e desenvolvimento de grandes empresas. Nos gloriosos tempos da Guerra Fria, quando andar à frente dos russos era a obsessão da Casa Branca, o orçamento anual da Nasa era de 25 bilhões de dólares. Hoje, a verba repassada é 30% menor e as críticas ao apoio governamental são cada vez maiores.“A tendência é que, no futuro, uma parte considerável do dinheiro da Nasa venha da iniciativa privada”, afirma Michael Kearney, presidente da SpaceHab, consultoria dos Estados Unidos especializada na indústria tecnológica.
Ao mesmo tempo que procura vestígios de vida em Marte e vasculha o universo em busca de planetas que um dia possam servir de novos lares para a humanidade, a Nasa prospecta hoje novos negócios em campos que vão do turismo espacial à indústria farmacêutica. Até a década de 70, a Nasa possuía cerca de 30 parcerias com empresas. Hoje, são quase 400, que incluem nomes como Google, Ford e Goodyear. Caso prosperem algumas das inovações que estão sendo desenvolvidas, os carros de passeio ganharão, no futuro, equipamentos como pneus da Goodyear à prova de furos. E sistemas capazes de diagnosticar problemas elétricos nos modelos montados pela Ford.
Este texto é parte da reportagem da revista Exame de 07/08/08.
O texto completo pode ser acessado pelo link a seguir: Revista Exame
Talvez nem os mais entusiastas da web 2.0 tenham previsto essa: desde 2006, o Governo dos Estados Unidos vem usando uma Diplopedia.
A wiki para assuntos diplomáticos veio substituir os memorandos impressos, que continham biografias úteis em encontros entre diplomatas dos EUA e figurões de todo o mundo. Hoje, Stacie R. Hankins, que trabalha na embaixada dos EUA em Roma, contou que Ronald P. Spogli, o embaixador americano por lá, costuma ler em seu BlackBerry, a caminho dos encontros, as informações mais completas e atualizadas de praticamente qualquer personalidade do planeta.
A dinâmica de construção colaborativa da Diplopedia possibilita que os diplomatas encontrem com facilidade dados atualizados. E isso é um ponto chave: a Diplopedia é mais do que a fonte de informação mais completa, ela é a melhor forma de organizar a informação para que ela seja facilmente encontrada. No mundo 1.0, a biografia de um economista americano influente poderia estar com o departamento de economia, ou de política, ou sabe-se lá onde. Na wiki, a informação pode estar em diversas categorias, e serem rapidamente disponibilizadas por mecanismos de busca.
É surpreendente que a cultura wiki – leia-se compartilhamento, estruturas achatadas, iniciativas emergentes, participação – tenha “pegado” em uma organização que é sinônimo de burocracia e controle de discursos. Mas pegou: desde que foi criada são 650.000 páginas vistas, e, recentemente, atingiu a marca de 20.000 novas páginas vistas por semana. Não existe nenhuma censura formal ao conteúdo, mas nunca foi preciso deletar uma página. Ela não está disponível para o público em geral. Hoje existe até mesmo um departamento de eDiplomacy. Abrir-se dessa maneira para a web 2.0 demonstra uma intenção de transformação cultural grande, e que envolve os valores mais profundos de uma organização. Blogs internos também são estimulados.
Questionado sobre o que aconteceria com uma pessoa que usasse dessa cultura aberta de forma indevida, Mr. Hankins falou que existem diversas formas de um indivíduo acabar com sua carreira, e que “o jeito wiki” é apenas o mais moderno.