Arquivo de Julho de 2008

Teste do elevador para empreendedores…

Você é um empreendedor com uma grande idéia a busca e um investidor para abrir sua empresa. De repente, por um acaso, você se vê sozinho no elevador com um grande investidor e tem a oportunidade de naquele curto espaço de tempo expor sua idéia para a pessoa que pode tornar seu sonho viável. É o teste do elevador…

No jargão da consultoria, o teste do elevador consiste num exercício de sumarizar as conclusões importantes de uma apresentação em 30 segundos. Em tese, este seria o tempo que você teria caso encontrasse alguém no elevador e tivesse que expor sua idéia. Este exercício ajuda a sintetizar o raciocínio e ser mais objetivo em uma apresentação, destacando as idéias essenciais.

Para um empreendedor, o teste do elevador pode ser aquela oportunidade única de ter alguns minutos com um investidor, expor seu plano de negócio e conseguir dinheiro para iniciar ou acelerar seu empreendimento.

Recentemente foram lançados dois sites que exploram exatamente esta idéia. O Vator.tv (americano) e o cmypitch (inglês) tem o mesmo conceito. O empreendedor posta um vídeo curto apresentando seu negócio. O vídeo tem que ser curto e deve incluir seu plano de negócio, a diferencial de sua idéia e quanto você necessita para iniciar/acelerar sua empresa.

O objetivo é que algum investidor real veja o vídeo e invista na idéia.

Para ajudar os investidores, os usuário já dão algumas dicas das idéias mais bacanas, através de votos, comentários e outros mecanismos web 2.0. Além disso, os investidores podem lançar desafios e competições para premiar a melhor idéia em determinado ramo de negócios.

Para o investidor é a oportunidade de ver várias oportunidades de maneira organizada e em um tempo curto. Para o empreendedor é a oportunidade de expor sua idéia para o público e, quem sabe, arranjar um sócio endinheirado.

Em tempo, o próprio Vator.tv é um dos negócios que procura investidores para crescer. Se você for um investidor interessado, a quantia necessária é inferior que 500 mil dólares.

Adicionar comentário 25 de Julho de 2008 às 14:25 Leonardo Lage

Da próxima vez que for a Nova York, cuidado com a meningite…

Theo La Photo - Theo La Photo

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ATENÇÃO: Informes urgentes para o turista hipocondríaco:

- Cuidado com a meningite em Nova York.
- Gripe aviária ataca o Egito.
- Estudantes de Sydney ameaçados pela malária.
- Dengue, diarréia, febre tifóide, leptospirose, tétano e tuberculose nas Filipinas.
- E pra que tiver coragem de ir para o Iraque, tem que tomar cuidado não só com os homens bombas, mas também com a raiva canina.

Estas informações estão todas condensadas no HealthMap, um site que quer ser o mapa global de alerta para as doenças e epidemias.

O sistema do site é sem dúvida inovador. Várias fontes de notícias são agregadas: notícias que saem na imprensa sobre o aparecimento de doenças, fontes oficiais, como a OMS, ou para-oficiais, como ONG’s que monitoram o aparecimento de epidemias. Tudo isto é analisado e plotado numa ferramenta Google Maps.

O usuário pode ser desde um turista hipocondríaco, até mesmo um pesquisador que quer estudar o comportamento de determinada doença.

O fato de contar com fontes oficiais e não-oficias (porém confiáveis) faz com que o HealthMap sirva também como uma fonte do aparecimento de doenças em países onde o governo esconde tal fato, preocupado com o impacto no turismo ou na popularidade do governante.

Além disso tudo, o site ainda pode servir de alerta para as autoridade públicas sobre o aparecimento de doenças em países ou regiões próximas.

E da próxima vez que for ao Brasil, muito cuidado com a dengue, hantavívus, infecção hospitalar e febre amarela… Ops… estou no Brasil… Socorro!!!

Adicionar comentário 17 de Julho de 2008 às 18:06 Leonardo Lage

As Regras da Inovação

É incrível a quantidade de informação interessante disponível, seja na Internet, seja em Livros ou ainda em periódicos científicos. Mais impressionante ainda é a sensação de que temos cada vez menos tempo para ler mais coisas.

Há algum tempo recebi a indicação de um livro que parece ser interessante, mas que por enquanto está naquela situação: “vou ler assim que eu tiver tempo”. Vai me dizer que você não tem pelo menos uns três artigos na sua caixa de emails nessa mesma situação?

Capa do Livro - As regras da inovação
Enquanto não leio a obra posso compartilhar a indicação (e a sensação de falta de tempo) e fazer com que mais pessoas se interessem pelo livro. A resenha do release diz que:

Nesta obra, os autores mostram como gerenciar, medir e lucrar com a inovação. Além de acentuar que ela não acontece por mera casualidade ou inspiração, apontam os caminhos que podem estimular a criatividade e a inovação dentro de uma empresa.

Ficou interessado? Se você não tiver tempo eu posso ler pra você, estou cobrando baratinho…

Adicionar comentário às 10:34 Bruno Brant

Blind date

mharrsch - mharrsch

Blind date é uma expressão da língua inglesa que se refere a um encontro amoroso de duas pessoas que não se conhecem. Normalmente um amigo comum promove este encontro, tentando dar uma de cupido e desencalhar os amigos.

Na última quarta-feira, dia 9 de julho, realizou-se o primeiro Encontro de Inovação do setor de Madeira e Móveis de Minas Gerais. O encontro de inovação é uma espécie de blind date da inovação. Vou explicar por que…

No encontro de inovação, o organizador junta dois agentes da inovação que pouco se conhecem para conversar, com vistas a um futuro namoro.

Neste caso, o organizador era o Simi (Sistema Mineiro de Inovação) em parceria com o Centro Minas Design. Os pretendentes eram os empresários do setor de móveis e os pesquisadores das ICT’s mineiras.

Durante o encontro, foram debatidos os principais problemas tecnológicos do setor e discutidas as possíveis soluções para estes problemas. O ideal é que estes problemas sejam resolvidos através de uma parceria (namoro) entre empresários e pesquisadores.

As propostas surgidas no evento estarão disponíveis na comunidade de madeira e móveis do site do Simi.

A execução das ações propostas será fundamental para o desenvolvimento tecnológico da industria moveleira mineira e para a aproximação entre os empresários do setor e pesquisadores.

Será que vai dar namoro?

2 comentários 15 de Julho de 2008 às 15:54 Leonardo Lage

Proteção patenteária

Mario Avila é Agente da Propriedade Industrial. Trabalhou na área de Propriedade Intelectual da Petrobras. Hoje ele é autor convidado do Blog do Inovação:

Após participar do evento Conecta 2008, e diante do convite feito pelo Instituto Inovação, aproveito este espaço de discussão para fazer algumas observações que julgo serem importantes.

Foi sempre mencionada nas palestras a importância da execução da proteção patentária das tecnologias desenvolvidas. Entretanto, nada foi comentado sobre as técnicas e estratégias empregadas para se fazer esta proteção de uma maneira efetiva.

Produção de conhecimento nacional sobre proteção patenteária - Existem no país, trabalhando na área de PI, um bom número de pessoas capacitadas a executar tarefas em suas áreas específicas de atuação, tais como advogados, economistas, etc. Entretanto, quando nos voltamos para os profissionais técnicos devidamente qualificados para efetuar uma proteção patentária abrangente, verificamos que este número é bem menor, muito aquém do que se observa em outros países. Em nosso país a maior parte do trabalho executado por estes profissionais técnicos está relacionada a pedidos de patente originados fora do país, nos quais o trabalho de elaboração da proteção e de estabelecimento de uma estratégia global de proteção já foi efetuado no exterior. Há, é claro, a necessidade de que estes profissionais adaptem os pedidos vindos do exterior à prática patentária do país, mas, embora esta tarefa seja importante, não se compara, em termos de capacidade de geração de conhecimento, à elaboração de um novo pedido de patente. Mais ainda, ao se depositar no país um pedido de patente vindo do exterior, cumpre-se aqui uma etapa de um planejamento de depósitos de pedidos de patente que foi planejada pelo titular do pedido, ou por alguém agindo em seu nome, mas não se participa da elaboração deste planejamento.

Tudo isto dificulta o desenvolvimento no país, na velocidade desejada, de uma capacitação de proteção patentária em uma escala mais ampla, que atenda às necessidades observadas no atual estágio do desenvolvimento científico e tecnológico que alcançamos.

Falta de investimentos no INPI e diminuição do número de patentes depositadas nos EUA - Para agravar a situação, por cerca de vinte anos não foram feitos investimentos no INPI em capacitação de mão de obra e recursos materiais, justamente no período em que a Propriedade Intelectual passou a ser claramente um dos grandes pilares do desenvolvimento econômico. Com isto o quadro funcional do INPI foi sendo reduzido, e não houve reposição. Muitos profissionais experientes foram se afastando, por diversos motivos, e muito se perdeu com isto.

Como tem sido também amplamente discutido, esta redução nos quadros do INPI prejudicou o andamento dos exames de pedidos de patente, e há hoje um grande atraso na execução desses exames. Este atraso vem contribuindo fortemente para retardar a capacitação de pessoal na proteção patentária.

Em países nos quais as patentes são consideradas um dos pilares do crescimento econômico, usualmente é relativamente pequeno o espaço de tempo entre o depósito de um pedido de patente e o início do exame. Neste processo é comum que os examinadores apresentem questionamentos em relação a aspectos da inovação a qual se pretende patentear, as chamadas exigências de exame. Para contraditar o que foi apresentado na exigência, o profissional necessariamente terá de efetuar uma avaliação mais profunda das características patentárias da inovação, para apresentar seus argumentos. Com isto cumpre-se uma das etapas mais importantes para aumentar a capacitação do profissional, e este aprofunda-se no conhecimento da doutrina patentária.

A demora na execução dos exames retira a dinâmica do processo, e com isto perde-se a oportunidade de se manter uma linha contínua de crescimento na capacitação.

Recentemente foi publicado na imprensa ter havido nos últimos anos uma redução no número de concessão de patentes nos EUA originadas no Brasil, ao contrário do que se esperava, após a aprovação de leis de incentivo à inovação. Isto é aparentemente paradoxal, mas, na verdade, é um reflexo dos fatos acima abordados. Como vem sendo propagado com freqüência, apesar de o Brasil contribuir com cerca de 1,8% da publicações científicas, nossa contribuição com o depósito de pedidos de patente é bem pequena, cerca de 0,2%. O pequeno número de profissionais técnicos com habilitação nesta área da proteção patentária pode ser relacionado como um dentre vários fatores que contribuem para esta discrepância nos números.

Ao não dispormos no país de uma boa quantidade desses profissionais, torna-se difícil haver uma boa disseminação dos fundamentos desta área, e isto se reflete já na fase inicial do desenvolvimento de uma inovação. A não identificação da possibilidade de patentear é um dos maiores fatores que impedem bons resultados futuros nos negócios, ou até mesmo a perda de negócios.

Lacuna no ensino superior; e a importância de se pensar a estratégia de proteção patenteária - O Prof. João Furtado, em sua palestra inicial no Conecta, comentou que na sua universidade, a Politécnica, em nenhuma cadeira há uma atividade que leve os alunos a efetuar uma busca de patentes. Com isto, formam-se engenheiros que, como ocorreu comigo, desconhecem totalmente a existência deste aspecto fundamental da ordem econômica mundial.

No meu caso particular, somente após ter acompanhado um caso de infração de uma patente, já formado havia quase dez anos, é que fui travar conhecimento com o sistema patentário. Depois disto acabei indo trabalhar na proteção de tecnologias desenvolvidas pela empresa em que trabalho, redigindo patentes e acompanhando todo o processo de exame, no Brasil e no exterior. Trabalhando nesta área passei a acompanhar mais de perto o que ocorria neste segmento. Circulam muitas informações sobre este tema, em vários fóruns, poucos, muito poucos aqui no Brasil. Comparando o que se via no exterior com o que se via aqui no país, pude observar como esta atividade de proteção é aqui ainda pouco conhecida por aqueles envolvidos no desenvolvimento de tecnologia.

Incomoda bastante saber de casos de inventores e empresas nacionais que desenvolvem algum produto e, por não protegerem seus desenvolvimentos, acabam perdendo grandes oportunidades.

O país está, hoje, querendo acelerar nesta área de inovação, mas este aspecto fundamental da proteção patentária tem sido pouco abordado. Nas palestras que assisto, a única menção que se faz é, invariavelmente, a de que “depositou-se uma patente”. Quase nada é comentado sobre a política de proteção, sobre a qualidade da proteção conferida pela patente, etc. Estes temas, aparentemente áridos, são fundamentais para o futuro de eventuais negócios que venham a ser feitos com base na patente. Uma proteção mal feita, ou uma estratégia de proteção mal elaborada, podem ambas trazer sérios problemas ou até mesmo comprometer os negócios futuros. E não vejo nunca este assunto ser abordado em seminários e encontros.

Mais ainda, criaram-se vários dispositivos de incentivo à inovação, mas os esforços de capacitação de pessoal para efetuar a proteção patentária são ainda muito tímidos. Em função da quase inexistência no país de formação nesta área, o INPI tem assumido este papel, mas creio que deveria ser avaliado se este deveria ser o seu papel, pois com isto desviam-se profissionais de sua atividade fim, a de examinar patentes. Como há um grande atraso nesta atividade, decorrente dos anos de baixos investimentos no INPI, talvez fosse mais adequado usar toda a capacitação do INPI para acelerar os exames de patente pendentes.

Creio que o papel maior de formação de pessoal deveria caber às instituições de ensino. Observa-se atualmente um crescente interesse das universidades em obter ganhos pela exploração de patentes geradas no desenvolvimento de suas atividades. Há uma grande capacitação para tais desenvolvimentos, mas, salvo algumas exceções, não se observa nas universidades capacitação para se efetuar esta proteção patentária. Assim, creio que elas deveriam considerar também preparar seus alunos para tratar adequadamente todos os aspectos relacionados à comercialização de tecnologias, a proteção patentária entre eles.

Em mais de vinte anos trabalhando nesta área já pude observar vários casos de fracasso devidos exclusivamente a erros na preparação da proteção patentária e/ou na estratégia de proteção. Acredito que seja a hora de, finalmente, se começar a abordar estes assuntos nos seminários, para que esta nossa fragilidade seja discutida e, espero eu, equacionada.

Uma proteção patentária adequada é um firme fundamento para bons negócios futuros. Peço desculpas por ter escrito tanto, mas por ter considerado o evento Conecta um dos melhores e bem elaborados que participei nos últimos anos, creio que as considerações acima poderão ter eco, e, quem sabe, seja possível sensibilizar os atores envolvidos sobre a necessidade de se melhorar um ponto fundamental para as pretensões do país de se tornar um pólo de desenvolvimento tecnológico.

Mario Luiz Novaes Avila
- Agente da Propriedade Industrial e Engº Mecânico.
- Trabalhou na Área de Propriedade Intelectual da Petrobras.
- Trabalha atualmente na Gerência de Desenvolvimento de Novos Processos e Produtos/Tecnologia de Refino, da Gerência Executiva de Refino - Diretoria de Abastecimento da Petrobras.

Obs.: O artigo acima retrata as opiniões do autor, dadas em caráter exclusivamente particular.

4 comentários 14 de Julho de 2008 às 10:53 Isabela

As políticas de fomento à inovação geram resultados práticos?

A professora e economista do Instituto de Economia da Universidade Federal de Uberlândia, Ana Paula Avellar, em seu artigo “IMPACTO DAS POLÍTICAS DE FOMENTO À INOVAÇÃO SOBRE O GASTO EM ATIVIDADES INOVATIVAS E EM ATIVIDADES DE P&D DAS EMPRESAS” discute a eficiência dos programas de fomento bem como os resultados obtidos por estes no cenário brasileiro.

O artigo tem o objetivo de discutir a existência de dois fenômenos:
• Efeito crowding out (efeito substituição) – Isso ocorre quando as empresas privadas destinam recursos financeiros às atividades de P&D&I que já seriam alocados mesmo na ausência de alguma forma de fomento. Sendo assim as políticas de fomento seriam incapazes de estimular as empresas a aumentarem seus dispêndios na área, restringindo-se a reduzir o custo das atividades de P&D&I.
• Efeito additionality (efeito alavancagem) – Isso ocorre se os programas públicos de inovação conseguem estimular as empresas a investirem em inovação um montante superior ao previamente alocado sem a interferência de um programa.

De acordo com a literatura internacional apontada pela autora:
• Para as indústrias, há 14 estudos empíricos, sendo que apenas 2 comprovam a existência do efeito crowding out entre gasto público e privado em P&D, havendo assim a predominância do efeito additionality – aumento do gasto privado estimulado pelo gasto público.
• Para as empresas de modo geral há 19 estudos, sendo que 9 apontam o efeito crowding out e 10 apontam o efeito additionality. Destaca-se que a maioria dos estudos que apontam a substituição dos gastos, concentram-se principalmente no comportamento das empresas dos EUA no setor de defesa do país.

Para avaliação do impacto de programas de incentivos fiscais e incentivos financeiros do Brasil, a autora considerou os seguintes programas: o programa de incentivo fiscal, o Programa de Desenvolvimento Tecnológico Industrial (PDTI); um programa de incentivo financeiro reembolsável, o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico da Empresa Nacional (ADTEN) e o programa de incentivo financeiro não reembolsável, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT Cooperativo).

Os resultados obtidos pela autora mostram que as empresas beneficiárias dos Programas indicam um cenário positivo em função da participação da empresa no programa público de fomento à inovação, sendo eles:
• Aumento de 36% na receita líquida
• Aumento de 23% na produtividade do trabalho
• Aumento de 55% nos gastos em P&D
• Aumento de 40% nos gastos em inovação

Assim a autora conclui: “… ao se considerar a amostra total de empresas inovadoras, que participaram de ao menos um dos programas referidos, pode-se dizer que o impacto das políticas é positivo tanto em ampliar os gastos em atividades inovativas (GAI) quanto os gastos em atividades de P&D (GPD). Porém, deve-se considerar que, diante da impossibilidade de se isolar os efeitos da política, dado que está sendo trabalhada uma amostra conjunta de empresas, não se pode firmar em termo de eficiência de cada programa, mas sim sobre a efetividade destes no aumento dos gastos em atividades inovativas das empresas. Deste modo, pode-se concluir que impacto dos programas na amostra conjunta de empresas foi efetivo pela capacidade de promoção de maiores gastos em atividades inovativas e de P&D.”

Sendo assim, pode-se esperar um futuro promissor para os resultados da Lei do Bem (lei que revogou O PDTI e ampliou os incentivos fiscais)? Até que ponto é válido “investir mais” em inovação tecnológica e não “investir melhor”?

Link do estudo.

1 comentário 11 de Julho de 2008 às 09:50 Manu

Inovação por resultados (ou Outcome-driven innovation)

Tive alguns insights essa semana assistindo a uma entrevista do Tony Ulwick, CEO da Strategyn – empresa de consultoria pioneira na Inovação por Resultados (Outcome-Driven Innovation®). A interpretação de Ulwick sobre o livro “The Innovator’s Solution” é a de que os consumidores compram produtos que ajudam uma tarefa a ser executada.

Daí vem o termo Inovação por Resultados, que não foca no consumidor em si, nem no produto ou nos competidores. Esse tipo de inovação é definida pela estrutura, conteúdo e formato do que deve ser entregue, onde a tarefa a ser executada demarca o foco da inovação.

Então podemos, de forma geral, categorizar os focos de criação da inovação tecnológica em ao menos quatro: as chamadas Outcome-Driven Innovation, Consumer-Driven Innovation, Product-Driven Innovation e Competitor-Driven Innovation.

Entretanto, sabemos que existem diversas fontes, métodos e ferramentas para a promoção da geração de inovações e que estas práticas têm cada vez mais sido utilizadas pela empresas. O problema é: de que adianta termos acesso a diferentes fontes de inovação mas não termos canais, estrutura e processos adequados para o recebimento, processamento e desenvolvimento das oportunidades que nos chegam à vista? As empresas estão preparadas para tal?

Adicionar comentário 10 de Julho de 2008 às 14:45 Guilherme Pereira

Conecta evidencia evolução no cenário de Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil

Conecta 2008

Quarta-feira, 25 de junho, foi realizada a segunda edição do Conecta, evento promovido pelo PIT, o Programa de Investigação Tecnológica da UNESP, Unicamp, USP, IPEN e IPT, gerido pelo Instituto Inovação.

É fácil fazer um paralelo entre as edições (2007 e 2008) do Conecta e a evolução do sistema de ciência, tecnologia e inovação brasileiro, especialmente nas universidades.

Antes da primeira edição, falava-se muito que era preciso estabelecer essa conexão entre universidade e empresa. Havia um discurso da necessidade, mas muito pouco se falava sobre o “como fazer”.

O primeiro Conecta trouxe de forma pioneira, em 2007, os resultados iniciais do PIT. Um programa que usa a metodologia da Diligência da Inovação para investigar o potencial inovativo de tecnologias desenvolvidas pelas universidades. Saímos do discurso do “é preciso fazer a conexão” para a proposição de um caminho prático. E isso faz toda a diferença.

Em 2008, o tema Comercialização e Valoração de Tecnologia mostra que avançamos ainda mais. Não estamos mais falando que é preciso conectar ciência e mercado, nem propondo um caminho. Estamos agora tratando de pontos específicos do processo de transferência de tecnologias, que já está consolidado quanto à necessidade, e ao mérito.

Seria muito difícil falarmos, anos atrás, em como definir o valor de uma tecnologia, ou em mecanismos de comercialização. Essa maturidade marca o início da expansão e consolidação dessas práticas.

Como pano de fundo dessa evolução está o bom trabalho do governo, ao criar a Lei de Inovação e ampliar os estímulos a esse processo. Mais recursos de fomento, mais capital de risco… O trabalho dos Nit’s - Núcleos de Inovação Tecnológica - das universidades, agora inseridos nesse contexto da comercialização também faz muita diferença. Tudo isso associado ao bom momento econômico, gera um interessante e empolgante aquecimento desse segmento.

A ponte foi construída, agora precisamos pavimentá-la e promover cada vez mais fluxo sobre ela.

Alguns links interessantes:

- Site do Conecta
- Revista Conecta (PDF)
- Site do PIT

1 comentário 7 de Julho de 2008 às 15:35 Felipe Matos

Por que alguns setores inovam mais do que outros?

É fácil perceber que o grau de inovação tecnológica varia entre os setores. Se compararmos mineração e tecnologia da informação, por exemplo, na maioria dos casos isso fica gritante. Mas por que isso acontece?

Acreditamos que podem haver fatores que influenciam positivamente a geração de inovação tecnológica. Assim, a ocorrência desses fatores em determinado setor determinaria uma maior geração de inovação tecnológica, enquanto que a não ocorrência desses fatores dificultaria essas inovações. Alguns desses fatores seriam:

• Ciclo de vida do produto: parece ser um princípio bem lógico, uma vez que quanto menor o ciclo de vida de produto, maior é a necessidade de lançar novos. Isso pode ser agravado em maior ou menor quantidade pelo próximo fator: grau de competitividade do setor.
• Grau de competitividade: em mercados muito competitivos, é preciso inovar. Em primeiro lugar para atender melhor os consumidores; depois para não oferecer tecnologias defasadas.
• Especialização da fonte de conhecimento: a necessidade de fontes de informações especializadas pode fazer um setor produzir mais inovações tecnológicas.
• Foco em custo X diferenciação: buscar cortar custos não deve levar à inovação tecnológica tanto quanto a estratégia de diferenciação.
• Valor agregado do produto: produtos com alto valor agregado tem mais necessidade de inovar tecnologicamente do que setores de commodities, por exemplo.
• Tempo de desenvolvimento de novos produtos: não deve ser confundido com o ciclo de vida do produto. Está relacionado com o ciclo de pesquisa no setor. Quanto menor o tempo necessário, maior a ocorrência de inovações tecnológicas.
• Legislação: benefícios e subsídios à inovação tecnológica em um setor podem favorecer uma maior geração de inovação tecnológica.
• Cultura: um setor com cultura mais aberta e vanguardista, legitima atitudes e códigos sociais que propiciam mais inovação. Por outro lado, a falta de cultura voltada para a inovação pode impossibilitar o surgimento de tecnologias inovadoras. Consideramos a cultura um fator muito relevante.
• Estrutura do setor para parcerias: por estrutura entendemos o estabelecimento de consórcios não-competitivos entre empresas do setor, ou a união em torno de fundos que irão financiar pesquisas para a inovação no setor.
• Indicadores de desempenho do setor: existem setores que tem o desempenho avaliado por fatores tecnológicos, portanto mais ligados à inovação. Esses setores, portanto, irão traçar estratégias que levem ao aumento desse desempenho.

Fizemos um gráfico em que ilustramos (sem pretensão de precisar cientificamente) a diferença de relevância desses fatores:

imagem - imagem

Esses fatores, porém, não são condições. Isso significa que a ocorrência de alguns deles não garante de inovações tecnológicas. Além disso, eles não estão desarticulados. Assim, influenciam-se, de modo que a não-ocorrência de um fator com relevância média, por exemplo, pode não diminuir o grau de inovação se houver outro fator muito relevante e recorrente.

E você, leitor: que aspectos você acredita que influenciam o grau de inovação em um setor? E que aspectos citados neste post podem ser desconsiderados?

2 comentários 4 de Julho de 2008 às 10:16 Isabela

Propriedade Intelectual x Atração de Investimento Privado

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Em entrevista à Fapesp, Robert Sherwood, um dos especialistas internacionais consultados para a elaboração da Lei Federal de Inovação, disse que “a fraqueza do sistema de propriedade intelectual é o principal obstáculo para que a inovação brasileira ganhe espaço no mercado internacional”. Segundo Sherwood, essa vulnerabilidade impede investimentos internacionais que viabilizariam o desenvolvimento da inovação em grande escala. Ele se baseia nos seguintes argumentos:

· A lei de inovação ainda tem um caráter experimental, dando mais importância à inovação com investimentos estatais do que ao fomento por meio de investimento privado.

· A exigência de edital para o licenciamento exclusivo de tecnologias desenvolvidas com financiamento do governo é um ponto a ser revisto.

· A Lei da Propriedade Industrial - assim como a Lei de Inovação - tem artigos confusos e pouco esclarecedores.

Dada a situação apresentada, Sherwood aponta a necessidade de realização de algumas mudanças, como:

· Aproximação das ICTs da cultura de comercialização

· Busca, por parte dos pesquisadores ou ICT, nos bancos de patentes antes de iniciar a pesquisa, para certificar-se que não se está investindo em uma tecnologia que já existe e/ou está protegida

· Depositar o pedido de patente antes da publicação

· Aproximação dos pesquisadores dos especialistas em Propriedade Intelectual

· Reestruturação do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) com o objetivo de aprimorar e tornar mais eficiente o processo de comercialização de tecnologias

· Atenção das incubadoras à propriedade intelectual

· Envolvimento de profissionais com capacidade de negociação de patentes entre os envolvidos no projeto de pesquisa

Percebe-se que todos os pontos levantados são pertinentes à realidade brasileira, porém acredito que a propriedade intelectual é apenas um dos obstáculos, e que se destaca quando se trata de investimentos em inovação tecnológica. Na minha opinião, a raiz da questão da Propriedade Intelectual é um pouco mais profunda, e está na insegurança dos investidores frente ao sistema jurídico brasileiro.

1 comentário 2 de Julho de 2008 às 08:59 Manu


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