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O fim do jornal impresso como o conhecemos…

27 de Junho de 2008 às 17:46 Leonardo Lage  | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 3120

inju - inju

Estava folheando um jornal (daqueles de papel) estes dias e me deparei com uma entrevista de Rupert Murdoch para o Wall Street Journal. Para que não sabe, Murdoch é o maior magnata da mídia mundial. É dono, dentre outros, do próprio Wall Street Journal, do New York Post, de 14 periódicos australianos, de vários tablóides ingleses (incluindo The Sun), da Sky, da Twentieth Century Fox, da liga de rúgbi australiana e do MySpace. Ufa!

Murdoch falava 70% da entrevista sobre o MySpace e os 30% restantes, que eu achei mais interessante, sobre o fim do jornal impresso.

Segundo Murdoch, esta mídia tem ainda mais 20 a 30 anos de vida, mas o modelo de negócios já passa por uma revolução. A tiragem global não está sofrendo profundas alterações, mas a participação dos grandes jornais (como o próprio WSJ) diminuiu em detrimento da ascensão de jornais gratuitos, como o Metro (já distribuído no Brasil pelo Grupo Bandeirantes em São Paulo).

Murdoch prevê que as novas gerações vão acessar as informações e notícias através de outros meios, como a internet e principalmente outros meios móveis, como o celular.

No ano passado a circulação de jornais impressos nos EUA caiu 3,6% em relação a 2006.

No Brasil, surpreendentemente, a circulação de periódicos cresceu quase 10%. O bom ambiente econômico contribuiu, mas sobretudo um novo fenômeno deu um impulso à venda de jornais: o crescimento vertiginoso de jornais populares, vendidos em bancas ou nos semáforos por 25 ou 50 centavos. O jornal de maior circulação no Brasil não é Folha de São Paulo, tão pouco O Globo. Os jornais de maior circulação na Brasil são os populares Super (de Belo Horizonte) e o Extra (do Rio de Janeiro).

Estes dados remetem ao modelo de negócios destes novos periódicos, que são gratuitos ou quase gratuitos (obviamente 25 ou 50 centavos não cobre o custo de redação, impressão e distribuição de um jornal).

Estamos lidando com mais um exemplo da “economia do grátis” ou o freeconomics. Este assunto já foi abordado no blog em um post recente.

O modelo de negócio destes jornais está baseado na publicidade que subsidia o preço ínfimo ou a gratuidade do jornal. É o mesmo que ocorre com a TV aberta. A publicidade subsidia a produção de novelas, telejornais e outros programas, além da sua distribuição.

Assim como na indústria fonográfica, a internet e modelos inovadores de negócio estão ameaçando os jornaizões. Será que nossos netos lerão a Folha de São Paulo, O Globo ou o Estado de Minas?

Foto: inju (www.flickr.com/photos/inju)

Publicação arquivada em: Produtos, serviços ou processos inovadores, Novos modelos de negócios

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