Como construir uma nação inovadora
23 de Junho de 2008 às 14:58 Guilherme Pereira | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 1676

“We aim to build an Innovation Nation in which innovation thrives at all levels – individuals, communities and regions”
Analisando o relatório, vemos diversas ações e planos que devem ser desenvolvidos pelo Governo Britânico para dar melhores condições para o desenvolvimento dos três pilares-alvo do estudo. Essas atividades estão distribuídas ao longo de sete eixos de desenvolvimento, que suportam a construção que o “Department for Innovation, Universities and Skills” (DIUS) visualizou para o país, sendo elas:
1. Demandar inovações: a demanda encoraja os inovadores a atingir novos e mais avançados desejos. Uma das ações interessantes nesta linha é o intercâmbio entre setor privado e academia, onde um expert do setor privado será o mentor de uma equipe acadêmica pró-inovação. Além disso, um conselho misto (público e privado) fará análise regulatória para verificar onde o marco poderá ser melhorado.
2. Suporte a inovação em negócios: a iniciativa privada é o motor da inovação, e o Governo deve atuar de forma estratégica fomentando oportunidades onde a iniciativa privada pode gerar inovação e prover suporte direto onde o mercado falha. Uma ação de destaque é a criação do “Voucher da Inovação”, que somará £3 milhões até 2011, fomentando a colaboração entre PMEs e a academia. Além disso, outra ação interessante é o auxílio que o Governo promete em relação à re-educação das empresas sobre como reportar seus ativos intangíveis como forma de obterem investimentos futuros.
3. Uma base de pesquisa inovativa forte: como parte integrante do ecossistema da inovação, grandes, médias e pequenas empresas, assim como os demais usuários, devem interagir e desenvolver a criação de novas idéias. Ações como a criação de sistemas de auxílio à confecção de contratos de sigilo e cooperação entre instituições e de como a Propriedade Intelectual deve ser gerida fazem parte deste eixo estratégico. Neste ponto, o DIUS relata a criação do “Innovation Index” para meados de 2010.
4. Inovação internacional: a inovação não pode ser enxergada como regional, uma vez que a mobilidade e os recursos são cada vez mais globais. São esperadas diversas reuniões entre as partes interessadas e ações de aconselhamento do Governo.
5. Pessoas inovativas: o relatório acredita que a maioria das novas idéias não vem como ‘insights’, mas sim da forma como as pessoas criam, combinam e compartilhas suas idéias. Nesse sentido, o DIUS pretende rodar programas piloto para especialização em inovação.
6. Inovação nos serviços públicos: os serviços públicos (como educação, saúde, transporte, etc.) devem ser eficientes para que o processo inovativo não se prejudique. O tempo “público” deve acompanhar os processos privados, e para tanto o DIUS se compromete a interagir e orientar os profissionais públicos em relação à importância do tema.
7. “Lugares” inovativos: apesar da globalização das comunicações, a inovação tende a ocorrer em clusters específicos. Aproveitando a interações por proximidade, a idéia é trazer para o mesmo lugar o venture capital, universidades, empresas e governo, alinhando esforços e desenvolvendo soluções para desafios locais e regionais.
Esse é um pequeno relato das ações planejadas para os próximos anos. Contudo, até onde isto ficará apenas no falatório? Como foi muito bem dito por Susan Robertson em um post, a resposta a essa pergunta é realmente difícil. Diversas ações são ainda muito subjetivas e dificilmente terão uma reação no curto ou médio prazo. De qualquer forma, valeu o tremendo esforço interdisciplinar que o DIUS teve para elaborar este relatório.
Ações como o próprio “Voucher da Inovação” são bem tangíveis, mas até que ponto poderiam ser aplicáveis no Brasil? E mais: Como podemos unir esforços públicos e privados para que o Brasil se livre de suas correntes e dos diversos entraves à inovação?
Publicação arquivada em: Experiências Internacionais, Pesquisa e Desenvolvimento, Sistemas de Inovação
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3 Comentários Faça seu próprio
1. Bruno Brant | 23 de Junho de 2008 às 16:13
Acho interessante essa reflexão sobre até que ponto tais sugestões serão implementadas, especialmente porque exigem um nível de coordenação e interação praticamente inimiganáveis para nós, brasileiros.
Creio que a existência de um ministério (ou departamento) que tem como missão promover a Inovação já é um bom começo…mas o desafio, sem dúvidas, é enorme.
2. Felipe Matos | 23 de Junho de 2008 às 16:17
A Lei do Bem, que é a principal ação concreta pró-inovação do governo brasileiro, tem sido muito criticada por atingir apenas as empresas que declaram Imposto de Renda pela modalidade de Lucro Real. Isto corresponde a menos de 10% das empresas brasileiras. Ficaram de fora 90% da massa de empresas do país, especialmente as micro e pequenas empresas.
A idéia do voucher da inovação - um mecanismo que permita a pequenas empresas usarem serviços de ICTs para incrementar suas inovações seria uma alternativa para essa lacuna. Em entrevista para a Revista do Conecta, o João Furtado sugere a implantação de algo semelhante por aqui, que ele chama de “cheque em branco” para PMEs contratarem serviços pró-inovação. É claro que a excessiva burocracia e a tendência corruptora desse tipo de iniciativa por aqui adicionam mais um desafio extra para tal projeto.
3. Alexandre Alves | 16 de Julho de 2008 às 18:39
Grande Guilherme, antes de ler o post, tive um sonho onde me vi com a minha família vivendo por um semestre na Inglaterra… Porém, a pergunta “como fazer no Brasil” não é restrita à inovação. Creio, vejo, sinto e constato, cotidianamente: temos gente e recursos para fazer o precisamos fazer enquanto nação, em todos os campos, sobre todos os aspectos. Mas somos uma nação (e tb um mundo…) completamente doente, pois não SOMOS. Amor e (re)educação estão no cerne do que precisamos para voltarmos a SER. Individualmente, de forma coletiva, não conseguimos mais enxergar nós mesmos: somos o trabalho, o consumo, a notícia, a análise das tragédias, o riso amarelo do descalabro que assombra toda uma geração “pós-moderna”. Os jornais, diários, representam as notícias da nossa ausência: estampam o crime, não alcançam a origem que desencadeou o desiquilíbrio da humanidade. Todos os os responsáveis ainda manifestam os seus sinceros e pretensos justificáveis argumentos.
Enfim, um desabafo, em plena férias, com toda lucidez que a luz que irradia destes posts inspira.
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