Arquivo de Junho de 2008

O fim do jornal impresso como o conhecemos…

inju - inju

Estava folheando um jornal (daqueles de papel) estes dias e me deparei com uma entrevista de Rupert Murdoch para o Wall Street Journal. Para que não sabe, Murdoch é o maior magnata da mídia mundial. É dono, dentre outros, do próprio Wall Street Journal, do New York Post, de 14 periódicos australianos, de vários tablóides ingleses (incluindo The Sun), da Sky, da Twentieth Century Fox, da liga de rúgbi australiana e do MySpace. Ufa!

Murdoch falava 70% da entrevista sobre o MySpace e os 30% restantes, que eu achei mais interessante, sobre o fim do jornal impresso.

Segundo Murdoch, esta mídia tem ainda mais 20 a 30 anos de vida, mas o modelo de negócios já passa por uma revolução. A tiragem global não está sofrendo profundas alterações, mas a participação dos grandes jornais (como o próprio WSJ) diminuiu em detrimento da ascensão de jornais gratuitos, como o Metro (já distribuído no Brasil pelo Grupo Bandeirantes em São Paulo).

Murdoch prevê que as novas gerações vão acessar as informações e notícias através de outros meios, como a internet e principalmente outros meios móveis, como o celular.

No ano passado a circulação de jornais impressos nos EUA caiu 3,6% em relação a 2006.

No Brasil, surpreendentemente, a circulação de periódicos cresceu quase 10%. O bom ambiente econômico contribuiu, mas sobretudo um novo fenômeno deu um impulso à venda de jornais: o crescimento vertiginoso de jornais populares, vendidos em bancas ou nos semáforos por 25 ou 50 centavos. O jornal de maior circulação no Brasil não é Folha de São Paulo, tão pouco O Globo. Os jornais de maior circulação na Brasil são os populares Super (de Belo Horizonte) e o Extra (do Rio de Janeiro).

Estes dados remetem ao modelo de negócios destes novos periódicos, que são gratuitos ou quase gratuitos (obviamente 25 ou 50 centavos não cobre o custo de redação, impressão e distribuição de um jornal).

Estamos lidando com mais um exemplo da “economia do grátis” ou o freeconomics. Este assunto já foi abordado no blog em um post recente.

O modelo de negócio destes jornais está baseado na publicidade que subsidia o preço ínfimo ou a gratuidade do jornal. É o mesmo que ocorre com a TV aberta. A publicidade subsidia a produção de novelas, telejornais e outros programas, além da sua distribuição.

Assim como na indústria fonográfica, a internet e modelos inovadores de negócio estão ameaçando os jornaizões. Será que nossos netos lerão a Folha de São Paulo, O Globo ou o Estado de Minas?

Foto: inju (www.flickr.com/photos/inju)

1 comentário 27 de Junho de 2008 às 17:46 Leonardo Lage

Adeus, Bill Gates! Bem-vindos Larry e Sergey!

Bill Gates - Fundador da Microsoft. Fonte: Wikimedia (CC)

A despedida foi anunciada com cuidado para evitar tropeços na bolsa, há exatos 2 anos: a partir de junho de 2006, Bill Gates, o fundador da Microsoft deixaria gradualmente a empresa para tocar exclusivamente seus projetos filantrópicos, através de sua fundação. Sua saída total foi confirmada para os próximos dias.

Mundialmente famoso por ter sido considerado por vários anos o homem mais rico do mundo, Gates deixou a faculdade de Harvard antes de se formar para fundar a empresa que revolucionaria o mundo ao criar o Windows, sistema operacional usado por 90% dos computadores. Amado por sua genialidade e odiado pelas práticas agressivas e monopolísticas de sua empresa, Gates deixa a Microsoft em um momento divisor de águas para o cenário da computação pessoal. Pai de muitos acertos, a Gates é também creditado um dos maiores erros da Microsoft: a sub-estimação do poder da Internet. Esse erro custou à Microsoft a liderança do mercado de navegadores online, que deixou a rival Netscape com mais de 80% do mercado no final de década de 90, exigindo enormes esforços e milhões de dólares de investimentos para a reação do Internet Explorer.

Ironicamente, é ela - a Internet - que está subvertendo as bases do mercado da Microsoft. A era do software tradicional, que roda instalado offline no PC e é escrito para um sistema operacional específico está definitivamente posta em xeque. Desde a ameaça do Linux - impulsionada pelas possibilidades de colaboração em massa justamente dela, a rede Internet, as estruturas da gigante multinacional nunca havia sido tão abaladas como agora. A grande responsável por essas mudanças é uma nova entrante, que assume cada vez mais o título de estrela no palco da computação pessoal: o Google, comandado por seus jovens fundadores Larry Page e Sergey Brin.

Larry Page e Sergey Brin, fundadores do Google. (Wikimedia)

Os dois representam um novo momento que pode ser retratado com a antítese das práticas da rival. Aplicações gratuitas, on-line, fáceis de usar, que rodam em navegadores da internet, em qualquer ambiente ou dispositivo, fazendo com que o sistema operacional não seja mais importante. Depois da invenção e popularização do Ajax (abordagem tecnológica que permite a páginas da internet se comportarem como aplicações de PC), a indústria do software nunca mais foi a mesma.

O Google atacou justamente os pradigmas que eram a base do modelo de negócios da empresa de Gates. Software como serviço, grátis e sob o irônico lema Don’t Be Evil (Não seja malvado), com forte apelo colaborativo e simpatia pelo código aberto e comunidades de colaboração. Criou um modelo que coloca a inovação no centro do negócio (enquanto a Microsoft foi sempre tida como empresa seguidora, hábil em copiar ou engolir concorrentes, utilizando o poder de seu monopólio).

Bill Gates se despede e leva com ele um modelo de negócios em declínio, deixando um enrome desafio para a empresa que criou. Com o insucesso na recente tentativa de compra do Yahoo, que acabou se aliando com o Google, resta saber se a Microsoft conseguirá mais uma vez reagir a contento.

Adicionar comentário 23 de Junho de 2008 às 15:50 Felipe Matos

Como construir uma nação inovadora

Innovation Nation - Capa do estudo Innovation Nation
Em março de 2008, o Governo britânico lançou o “Innovation Nation”, um relatório com recomendações e planos de ação para aumentar a competitividade e produtividade utilizando-se de ações e estratégias relacionadas à inovação. A temática central e a conotação dada é a de fomentar e desprender os “talentos” daquele povo, levando a Inglaterra à uma posição de liderança mundial novamente.


“We aim to build an Innovation Nation in which innovation thrives at all levels – individuals, communities and regions”

Analisando o relatório, vemos diversas ações e planos que devem ser desenvolvidos pelo Governo Britânico para dar melhores condições para o desenvolvimento dos três pilares-alvo do estudo. Essas atividades estão distribuídas ao longo de sete eixos de desenvolvimento, que suportam a construção que o “Department for Innovation, Universities and Skills” (DIUS) visualizou para o país, sendo elas:

1. Demandar inovações: a demanda encoraja os inovadores a atingir novos e mais avançados desejos. Uma das ações interessantes nesta linha é o intercâmbio entre setor privado e academia, onde um expert do setor privado será o mentor de uma equipe acadêmica pró-inovação. Além disso, um conselho misto (público e privado) fará análise regulatória para verificar onde o marco poderá ser melhorado.

2. Suporte a inovação em negócios: a iniciativa privada é o motor da inovação, e o Governo deve atuar de forma estratégica fomentando oportunidades onde a iniciativa privada pode gerar inovação e prover suporte direto onde o mercado falha. Uma ação de destaque é a criação do “Voucher da Inovação”, que somará £3 milhões até 2011, fomentando a colaboração entre PMEs e a academia. Além disso, outra ação interessante é o auxílio que o Governo promete em relação à re-educação das empresas sobre como reportar seus ativos intangíveis como forma de obterem investimentos futuros.

3. Uma base de pesquisa inovativa forte: como parte integrante do ecossistema da inovação, grandes, médias e pequenas empresas, assim como os demais usuários, devem interagir e desenvolver a criação de novas idéias. Ações como a criação de sistemas de auxílio à confecção de contratos de sigilo e cooperação entre instituições e de como a Propriedade Intelectual deve ser gerida fazem parte deste eixo estratégico. Neste ponto, o DIUS relata a criação do “Innovation Index” para meados de 2010.

4. Inovação internacional: a inovação não pode ser enxergada como regional, uma vez que a mobilidade e os recursos são cada vez mais globais. São esperadas diversas reuniões entre as partes interessadas e ações de aconselhamento do Governo.

5. Pessoas inovativas: o relatório acredita que a maioria das novas idéias não vem como ‘insights’, mas sim da forma como as pessoas criam, combinam e compartilhas suas idéias. Nesse sentido, o DIUS pretende rodar programas piloto para especialização em inovação.

6. Inovação nos serviços públicos: os serviços públicos (como educação, saúde, transporte, etc.) devem ser eficientes para que o processo inovativo não se prejudique. O tempo “público” deve acompanhar os processos privados, e para tanto o DIUS se compromete a interagir e orientar os profissionais públicos em relação à importância do tema.

7. “Lugares” inovativos: apesar da globalização das comunicações, a inovação tende a ocorrer em clusters específicos. Aproveitando a interações por proximidade, a idéia é trazer para o mesmo lugar o venture capital, universidades, empresas e governo, alinhando esforços e desenvolvendo soluções para desafios locais e regionais.

Esse é um pequeno relato das ações planejadas para os próximos anos. Contudo, até onde isto ficará apenas no falatório? Como foi muito bem dito por Susan Robertson em um post, a resposta a essa pergunta é realmente difícil. Diversas ações são ainda muito subjetivas e dificilmente terão uma reação no curto ou médio prazo. De qualquer forma, valeu o tremendo esforço interdisciplinar que o DIUS teve para elaborar este relatório.

Ações como o próprio “Voucher da Inovação” são bem tangíveis, mas até que ponto poderiam ser aplicáveis no Brasil? E mais: Como podemos unir esforços públicos e privados para que o Brasil se livre de suas correntes e dos diversos entraves à inovação?

3 comentários às 14:58 Guilherme Pereira

Immune Attack

Lute contra bactérias e ajude o sistema imune a se preparar para enfrentar patógenos invasores. Este é o universo de Immune Attack, um jogo educativo desenvolvido pela Federation of American Scientists (FAS) para ensinar conceitos básicos de imunologia humana a crianças e adolescentes.

No jogo, disponível gratuitamente para download, o usuário controla um nano-robô que viaja em meio a vasos sanguíneos e tecidos do corpo humano ajudando o organismo a lutar contra bactérias que estão afetando a saúde de um paciente. Enquanto travam batalhas e se divertem, os jogadores aprendem sobre os componentes do sistema imune e descobrem processos que fazem parte do mecanismo de defesa do organismo. Um dos destaques fica por conta dos elementos gráficos do software. Além de atraírem a atenção dos jovens, eles também ajudam na compreensão de fenômenos biológicos complexos; difíceis de serem ensinados unicamente através de métodos de ensino tradicionais, como a leitura de textos e aulas expositivas.

A iniciativa ajuda a comprovar que, no nosso mundo cada vez mais tecnológico e inovador, o ensino não precisa mais ficar restrito às salas de aula e àquela velha imagem de um professor falando na frente de um quadro negro. Ferramentas como esta, que tornam o aprendizado mais interativo e dinâmico, adquirem, então, um importante papel na tarefa de despertar o interesse dos jovens para a ciência, contribuindo, assim, para a formação dos nossos futuros pesquisadores e cientistas.

Outras informações sobre o Immune Attack podem ser encontradas nessa notícia no site Inovação Tecnológica.

Veja o trailer:

1 comentário 18 de Junho de 2008 às 10:25 Guilherme Baião

O que é inovação?

Alguns dados de acesso ao site do Instituto Inovação revelam que uma parte considerável das pessoas entram no site porque, quando digitam “inovação” no Google, o site do Instituto é um dos primeiros na página de resposta.

Na realidade, a princípio, esses internautas não estão muito interessados em saber o que é o Instituto Inovação. Eles querem a resposta para uma pergunta mais singela, porém bem complexa: O que é Inovação?

Recentemente, o Instituto Inovação desenvolveu junto com a equipe do Simi (Sistema Mineiro de Inovação) uma cartilha intitulada “O que é Inovação?” A intenção é atingir um público leigo, utilizando um linguajar coloquial e exemplos simples.

Vocês podem conferir o conteúdo da cartilha na apresentação abaixo:

O objetivo da equipe do Simi é difundir o conceito de inovação na sociedade em geral. Por isso, o material é livre (sem copyright). Basta solicitar o arquivo pelo email Contato SIMI - Contato SIMI e qualquer um pode mandar a cartilha para gráfica com seu próprio logo e espalhar a inovação por aí.

1 comentário 16 de Junho de 2008 às 12:34 Leonardo Lage

Eventos e mais eventos…

audiencesleep460 - audiencesleep460

Você foi em algum evento recentemente? Vale palestra, seminário, congresso, workshop, etc…

O que você achou destes eventos? Como foram organizados? Qual era o formato?

Possivelmente, você foi em algum auditório onde alguém apresentaria algo sobre um assunto qualquer (física quântica ou sexo dos anjos… isto não importa).

Inicialmente se formaria uma mesa com os especialistas / autoridades / organizadores onde cada um sentaria em sua cadeira e faria uma breve abertura… sempre aquela rasgação de seda:

“… estou muito satisfeito de estar aqui….”
“… tive o prazer de reencontrar fulaninho de tal que foi meu colega de colégio em 1974, lembra da professora de português, fulaninho?”
“… nunca estive diante de uma platéia tão calorosa e inteligente…”

Bem, depois chama-se o palestrante que vem com a onipresente apresentação de PowerPoint… cheia de tópicos, agendas, citações, piadinhas prontas, etc…

Depois de uma hora e meia de blábláblá, o palestrante lamenta pois o tema é muito envolvente e o tempo já estourou em 30 minutos e os 5 minutos de perguntas tem que ser cancelados. “Mas vocês podem me passar as perguntas por escrito que eu respondo por e-mail!!! Ah… e o coffee break vai ser só de 10 minutos, pois estamos com a agenda atrasada…”

Coxinhas de frango, empadinhas com azeitona, guaraná Kuat sem gás e 10 minutos depois voltamos para mais uma maratona verborrágica.

Será que ainda vale a pena sair de casa, pegar aquele trânsito, ou ainda pior, enfrentar um aeroporto para ir a um destes eventos? Será que vale a pena perder 1 dia para extrair o conteúdo que poderia ser condensado em 1 hora?

Os eventos precisam passar por uma inovação radical…

A velocidade das coisas mudou, a informação não flui mais, ela voa… a geração MTV / Internet / Orkut / MSN já está em outra sintonia.

Algumas idéias:

1. Chega de monólogo. As pessoas querem dialogar: 15 minutos de apresentação e 45 minutos de pergunta.
2. Coffee break não serve só para encher a pança. O networking entre as pessoas se dá nestas ocasiões. O coffee pode permanecer, o break tem que ser bem maior.
3. PowerPoint ainda vai, mas pelo amor de Deus, não copie o livro na transparência. Se fosse para ler, não precisaria de fazer um evento.
4. Menos verborragia, metodologias, citações, rasgações de seda… Mais interatividade, discussão, conteúdo, resultados…

Bem, entre um evento e outro, ainda estou esperando o convite para um evento inovador…

2 comentários 11 de Junho de 2008 às 08:10 Leonardo Lage

InovaPoa

Está “pra sair” a Agência de Inovação e Desenvolvimento Científico e Tecnológico de Porto Alegre – InovaPOA.

“A entidade será uma autarquia público-privada, com presidente indicado pela prefeitura, mas submetido ao veto de um Conselho de Administração no qual terão assento diversas entidades empresariais, incluindo Federasul, Fecomércio e do CETI, conselho que reúne as associações do setor de TI.”

Seria essa uma tendência a ser seguida por outras cidades brasileiras?

1 comentário 9 de Junho de 2008 às 10:36 Bruno Brant

Open Innovation ganha destaque no Brasil

O modelo de inovação aberta, no qual as empresas buscam idéias e tecnologias fora de seus muros, é sem dúvida alguma uma forte tendência internacional.

Ao permitir que as organizações utilizem talentos do mundo inteiro, esse modelo faz com que as empresas gerem (ou incorporem) inovações que dificilmente conseguiriam desenvolver sozinhas.

Open Innovation - Adapatado de Henry Chesbrough

O livro que é considerado uma referência no assunto foi escrito em 2003 por Henry Chesbrough. Ainda que o livro tenha sido escrito há cinco anos, observamos que a imensa maioria das empresas brasileiras ainda engatinha quando o assunto é incorporar tecnologias desenvolvidas por terceiros.

Todos nós sabemos que as mudanças, especialmente as culturais, não ocorrem repentinamente. Com o Open Innovation não está sendo diferente. Mesmo que de forma relativamente lenta, podemos notar que nossas empresas estão se mexendo nessa direção. Um exemplo disso foi a conferência da ANPEI realizada recentemente em Belo Horizonte em que o tema foi muito discutido.

O assunto está tão quente que até eventos e palestras que tratam exclusivamente sobre ele estão sendo realizadas. Agora em junho haverá a palestra “Open Innovation e as Oportunidades de Empreendedorismo Tecnológico” na FGV-EASP (interessados devem entrar em contato pelo email camila.moraes @ fgv.br até o dia 04).

Também em junho teremos o “Open Innovation Seminar 2008“, evento que terá o Henry Chesbrough como palestrante.

Para aqueles que desejam se aprofundar um pouco mais no tema, sugiro a leitura desse texto. Na biblioteca do Simi também existem algumas boas apresentações sobre a Inovação Aberta.

Adicionar comentário 2 de Junho de 2008 às 15:13 Bruno Brant


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