Inovação em redes: orquestrando boa idéias

Tanta inovação e sucesso foram possíveis porque a Boeing possui em seu quadro os melhores engenheiros do mundo e seu departamento de P&D é capaz de gerar inúmeras inovações. Certo?
Justamente o contrário! Antigamente a Boeing desenvolvia praticamente tudo “internamente”, escrevia detalhadas especificações da cada uma das peças e pedia que seus fornecedores as produzissem. O que chamou a atenção no desenvolvimento do 787 foi que os fornecedores passaram a participar do desenvolvimento do avião e assumiram grande responsabilidade em relação às inovações. Eles entregarão a aeronave praticamente semi-montada e o que a Boeing terá de fazer é quase “tão simples quanto encaixar peças de Lego”.
Hoje em dia o desenvolvimento de novos produtos está muito relacionado à coordenação de um vasto “ecossistema” de parceiros que possuem habilidades e capacidades complementares. A inovação está menos ligada a “inventar” produtos físicos e mais ligada a orquestrar boas idéias. Para empresas que desenvolvem produtos altamente tecnológicos o desafio tem sido cada vez mais unir os fios dessa enorme rede de criação de valor.
Dasafio mesmo… semana passada a Boeing anúnciou pela terceira vez o atraso no lançamento do novo avião (agora só poderei voar nele em 2009, droga!). O problema parece estar justamente na forma de produzir a aeronave. Parece que alguns fornecedores não estão conseguindo levar os protótipos para produção em escala e a Boeing vai ter que colocar “funcionários graduados” para trabalhar diretamente nas unidades dos fornecedores.
O “caso Boeing” nos mostra que descentralização do P&D tem suas vatagens, pode trazer diferenciais competitivos e agregar a seus produtos inovações que sua empresa nunca seria capaz de gerar sozinha. Contudo, um acompanhamento rigoroso de seus parceiros-chave é fundamental.
Delegue, mas não se esqueça do follow-up.
Fonte:
Wikipedia, O Globo e Wikinomics
2 comentários 17 de Abril de 2008 às 17:07 Bruno Brant