Para quem está buscando idéias para começar uma empresa, ou apenas gosta de ficar por dentro das novidades e tendências do mundo dos negócios, o site Springwise.com é um bom ponto de partida. Contando com uma rede de mais de 8000 colaboradores localizados em diversos países, o site identifica e publica diariamente notícias a respeito de negócios inovadores espalhados por todo o mundo.
O foco, em geral, é em pequenas empresas que utilizam modelos de negócio diferenciados, ou oferecem serviços e produtos pouco usuais. As idéias apresentadas são as mais variadas possíveis, incluindo empresas como a Firewinder, que criou lâmpadas para iluminação externa que funcionam a partir da energia do vento; ParkAtMyHouse, que dá aos moradores de grandes cidades a chance de alugarem suas vagas de garagem quando não estiverem em casa, ou ainda a Blurb, que permite que pessoas criem e publiquem seus próprios livros a preços bastante acessíveis. Isto sem falar nos casos ainda mais curiosos, como o da Methodizaz, que oferece a “pessoas comuns” a oportunidade de ter um dia de suas vidas fotografado por um paparazzi, privilégio que custa entre de US$300 e US$400.
Para quem ficou curioso mas não tem tempo para acompanhar o site, ainda existe a opção de receber as atualizações por RSS. Vale a pena conferir!
1 comentário23 de Abril de 2008 às 08:42Guilherme Baião
Descobri através do Brainstorm #9 (fantástico blog sobre propaganda), este novo projeto da Starbucks. O My Starbucks Idea é open innovation puro. No site, qualquer pessoa pode sugerir idéias, votar e fazer comentários sobre aquelas que consideram as melhores, ajudando assim a definir o futuro da empresa.
As idéias são divididas em três categorias: produtos, experiência e envolvimento (com a sociedade). Cada idéia é analisada por uma equipe montada pela Starbucks, chamada de Idea Partners. No blog Ideas In Action, pode-se ver algumas idéias que estão sob revisão, o que significa estar a um passo da implementação.
O site tem um mês e já apresenta resultados motivadores. Uma das idéias que surgiu foi o Splash Stick, tampinha para evitar que as pessoas mais apressadas ou que levam o café no carro derramem o produto. Outra bem interessante é a “Drink of the month and giving to charity”.
Como vocês podem ver, a Starbucks acabou conquistando os seus clientes através do engajamento no processo de inovação da empresa. Tudo isso com um custo muito abaixo do valor dos benefícios obtidos e feedback quase instantâneo sobre as novas idéias. Será que outras empresas, que não tenham um relacionamento tão forte com os seus clientes como a Starbucks, atingiriam resultados tão bons?
Quem acompanha a indústria aeronáutica deve estar ansioso pela chegada do Boeing 787 ao mercado. O novo avião é uma obra prima da engenharia moderna e traz inúmeras inovações, como consumo de combustível 20% inferior aos concorrentes, turbinas 60% mais silenciosas, menor necessidade de “revisões completas” e outras maravilhas. Antes mesmo de chegar ao mercado já é o maior sucesso de vendas de indústria aeronáutica!
Tanta inovação e sucesso foram possíveis porque a Boeing possui em seu quadro os melhores engenheiros do mundo e seu departamento de P&D é capaz de gerar inúmeras inovações. Certo?
Justamente o contrário! Antigamente a Boeing desenvolvia praticamente tudo “internamente”, escrevia detalhadas especificações da cada uma das peças e pedia que seus fornecedores as produzissem. O que chamou a atenção no desenvolvimento do 787 foi que os fornecedores passaram a participar do desenvolvimento do avião e assumiram grande responsabilidade em relação às inovações. Eles entregarão a aeronave praticamente semi-montada e o que a Boeing terá de fazer é quase “tão simples quanto encaixar peças de Lego”.
Hoje em dia o desenvolvimento de novos produtos está muito relacionado à coordenação de um vasto “ecossistema” de parceiros que possuem habilidades e capacidades complementares. A inovação está menos ligada a “inventar” produtos físicos e mais ligada a orquestrar boas idéias. Para empresas que desenvolvem produtos altamente tecnológicos o desafio tem sido cada vez mais unir os fios dessa enorme rede de criação de valor.
Dasafio mesmo… semana passada a Boeing anúnciou pela terceira vez o atraso no lançamento do novo avião (agora só poderei voar nele em 2009, droga!). O problema parece estar justamente na forma de produzir a aeronave. Parece que alguns fornecedores não estão conseguindo levar os protótipos para produção em escala e a Boeing vai ter que colocar “funcionários graduados” para trabalhar diretamente nas unidades dos fornecedores.
O “caso Boeing” nos mostra que descentralização do P&D tem suas vatagens, pode trazer diferenciais competitivos e agregar a seus produtos inovações que sua empresa nunca seria capaz de gerar sozinha. Contudo, um acompanhamento rigoroso de seus parceiros-chave é fundamental.
O evento abordou temas que vão desde as políticas públicas até as experiências empresariais e internacionais relacionadas à PI e à Biotecnologia. Confira no site do evento a programação.
Um destaque interessante no evento foi a palestra do Dr. Martin Raditsch, Deputy Managing Director do European Molecular Biology Laboratory (EMBL). O EMBL é uma grande rede de laboratórios que pesquisa de forma colaborativa vários tópicos em Biologia Molecular. São mais de 1.400 pessoas em mais de 60 países trabalhando no EMBL, que possui também uma rede de mais de 3.000 alunos em todo o mundo. Com essa rede de colaboração, o laboratório é o primeiro laboratório fora dos EUA no ranking ISI Science Indicator.
Além da pesquisa básica, o EMBL possui uma série de outras atividades que são muito importantes para a comunidade científica e para a sociedade em si. Vários treinamentos são oferecidos para diferentes públicos; há um corpo de estudantes de PhD com mais de 170 alunos; o laboratório criou uma empresa que faz a gestão da Propriedade Intelectual e da transferência das tecnologias para empresas interessadas em levá-las ao mercado; existe até um fundo de investimento próprio, que financia pesquisas e a criação de spin-offs.
Esse é um claro exemplo da importância da integração para a geração da inovação. Integração tanto entre os pesquisadores quanto entre as ICT’s e o mercado. Como estamos no Brasil em termos dessa integração?
A posição do autor não reflete, necessariamente, a posição do Instituto Inovação.
Quem nunca ouviu críticas a respeito da “falta de personalidade” das pessoas, como parece que todo mundo escuta as mesmas músicas, veste as mesmas roupas e assiste aos mesmos filmes? O livro “A Cauda Longa” (“The Long Tail”), de Chris Anderson, sugere que, muito pelo contrário, o gosto dos consumidores parece ser mais diversificado do que se pensava.
O titulo do livro, assim como sua idéia central, deriva do modelo de gráfico abaixo, que relaciona os produtos existentes em um determinado mercado com seu consumo.
A curva se divide em duas partes básicas. De um lado, temos alguns poucos itens que atingem um volume de vendas muito alto, os famosos “hits”. Do outro, temos uma “cauda” de produtos que representam inúmeros nichos, cada um interessante apenas para públicos bastante específicos.
Até pouco tempo atrás, as empresas focavam seus negócios quase exclusivamente nestes hits, visto que a baixa demanda pelos produtos da cauda não era suficiente para cobrir as despesas envolvidas em sua comercialização. Desta forma, boa parte dos consumidores tinha seus hábitos de consumo restritos àqueles itens de maior sucesso. No entanto, à medida que avanços tecnológicos reduziram custos e começaram a mudar esta situação, o que se observou foi que, embora pouco populares individualmente, estes nichos representavam uma grande fatia do mercado quando analisados em conjunto.
Diversas empresas passaram, então, a desenvolver estratégias para explorar esta oportunidade. A Amazon.com, por exemplo, ao manter mercadorias em estoque ainda nos fornecedores, conseguiu oferecer produtos que não poderiam ser vendidos de forma lucrativa em lojas tradicionais.
A iTunes e a Rhapsody, que comercializam músicas em modelos exclusivamente digitais, vão ainda mais longe. Com custos de estoque e distribuição praticamente inexistentes, até mesmo itens que serão vendidas uma única vez passam a ser um negócio viável. No caso da Rhapsody, músicas consideradas “de nicho” já respondem por aproximadamente 40% das vendas.
Vale ressaltar uma peculiaridade desse mercado: a necessidade de mecanismos que permitam aos consumidores encontrar aquilo que desejam no meio de tanta diversidade. Soluções comuns variam de sistemas de busca até classificações por tags e recomendações de usuários.
Resta aguardar as surpresas que os próximos anos certamente trarão em termos de novas empresas e modelos de negócio voltados para as oportunidades que estão surgindo. O que já está claro, no entanto, é a transição de uma era de escassez para um mundo de abundância e variedade. Melhor para as empresas, e melhor para os consumidores.
3 comentários10 de Abril de 2008 às 14:32Guilherme Baião
Outro dia, zapendo a TV, peguei o meio de uma reportagem que falava sobre o Segway, aquele “patinete” estiloso que fez muito barulho uns anos atrás, prometendo revolucionar os meios de transporte.
Bem, a reportagem falava não só do Segway, mas de uma série de invenções de um inventor norte-americano chamado Dean Kamen.
Semana passada, o Heber da SECTES (Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais) comentou comigo sobre esta reportagem, depois o Alfredo (também da SECTES) mandou o link, que também foi postado no site do SIMI (Sistema Mineiro de Inovação).
Bem, quem tiver 20 minutinhos… vale a pena assitir.
2 comentários8 de Abril de 2008 às 13:51Leonardo Lage
Parti para Brasília sem saber realmente o que me esperava. É sempre assim com o EMBATE (Empreendedorismo de Base Tecnológica), cada vez que desenvolvemos o seminário ele se transforma e toma a feição de quem dele está participando. Levar um seminário como esse para uma cidade como Brasília, o centro das decisões mais importantes para o Brasil, também leva a refletir sobre como pessoas empreendedoras poderiam dar um rumo diferente a várias ações e decisões que acompanhamos na esfera pública.
Nessa primeira semana de Abril, a Unidade Coordenadora Centro-Oeste da Embrapa ofereceu um treinamento para participantes de 17 unidades diferentes da Embrapa a respeito do PROETA (Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Novas Empresas de Base Tecnológica Agropecuária e Transferência de Tecnologia - conduzido pela própria Embrapa).
Esse programa tem como objetivo transferir tecnologias e serviços, gerar empresas de base tecnológica agropecuária, apoiar e disseminar a cultura de inovação e empreendedorismo, entre outros. Podemos ver que é um programa que tem tudo a ver com o Instituto Inovação e, felizmente, tivemos a chance de participar nesse curso oferecendo o EMBATE e também um treinamento sobre a Diligência da Inovação.
Participaram do EMBATE tanto pesquisadores quanto pessoas da área de negócios, cada um aproveitando o conteúdo e as vivências de sua forma, mas a troca de experiências tendo como foco o empreendedorismo e o processo de inovação foi realmente enriquecedora. O envolvimento da turma com o seminário foi impecável e acredito que por isso os resultados foram tão bons.
Levar o EMBATE à Embrapa foi uma experiência muito boa. Encontramos pessoas extremamente motivadas, capacitadas e alinhadas com as idéias de inovação da Embrapa e do Instituto Inovação. É muito importante reconhecer essa iniciativa da Embrapa, enquanto grande geradora de conhecimento, de quebrar paradigmas buscando multiplicar sua capacidade de levar o conhecimento ao mercado.
O vôo de volta foi controverso, em meio à minha esperança e empolgação depois da experiência com o EMBATE, discuti com os passageiros ao meu lado (um juiz federal e um funcionário público) questões que iam da especulação imobiliária à redução da maioridade penal… passando pelos modelos pedagógicos vigentes! A discussão foi riquíssima e minha conclusão pessoal foi de que em todas essas esferas, paradigmas precisam ser quebrados por pessoas que sejam capazes de ver as oportunidades, e tenham energia e liderança para conduzir as transformações necessárias – pessoas empreendedoras.
Sem querer dizer que o empreendedorismo é a solução para todos os problemas do país, acredito que ele seja fundamental para o salto que o Brasil precisa dar, como o salto que a Embrapa, que comemora 35 anos, está dando ao lançar novo olhar sobre a inovação.
O uso de indicadores para medir o grau de inovação em empresas é um tema cada vez mais discutido no meio gerencial.
Mas afinal, qual é a sua real importância?
Indicadores permitem a uma organização medir os progressos em direção a metas estabelecidas; fornecendo dados para a tomada de decisões e ajudando no alinhamento entre as ações dos colaboradores e os interesses da empresa. É como dizem os administradores, “não se pode gerenciar o que não se pode medir”. Em um mercado cada vez mais dinâmico e competitivo, a inovação deve ser cuidadosamente administrada, tarefa na qual os indicadores possuem papel determinante. Sendo assim, o interesse pelo tema tem crescido rapidamente, embora certos aspectos de seu desenvolvimento e aplicação permaneçam ainda pouco compreendidos.
Estudos como o “Measuring Innovation”, publicado pela BCG em 2007, confirmam o interesse dos gestores em quantificar a inovação em suas empresas, além de apontarem algumas das dificuldades existentes no processo. Um exemplo é a dúvida freqüente em relação a quantos e quais indicadores utilizar. Atualmente, a grande variedade de métricas disponível vai desde aquelas mais clássicas, como gasto com P&D ou número de patentes registradas, até as mais subjetivas, como avaliação da cultura de inovação. É interessante notar que, embora a maioria das empresas opte por medidas mais tradicionais, uma combinação dos dois tipos pode levar a insights importantes, que muitas vezes surgem apenas da análise de dados mais qualitativos. A grande conclusão, porém, é que não existe uma resposta mágica que resolva os problemas de qualquer empresa, devendo-se sempre ter em mente as particularidades de cada negócio.
Os próximos anos certamente serão marcados por uma grande evolução na área, guiada principalmente pela validação prática da eficácia de diferentes indicadores. Até lá, caberá aos gestores assumir o importante papel de definir a combinação de métricas que mais se adeque às características de cada empresa, seja ela uma indústria ou uma prestadora de serviços, atuando em setores de base tecnológica ou não.
1 comentário3 de Abril de 2008 às 11:03Guilherme Baião