Há algum tempo eu escrevi aqui no blog que a indústria fonográfica passa por uma grande crise. Praticamente ninguém discordou. Já é quase um consenso que se essa indústria não se renovar continuará a perder importância dia após dia.
O que tem ficado claro pra mim é que a sociedade está mudando tanto e as tecnologias estão causando tanto impacto, que todo o modelo de comercialização de propriedade intelectual está sendo posto em xeque.
Esse mês a banda Nine Inch Nails resolveu inovar: disponibilizaram seu novo álbum, Ghosts I-IV com 36 músicas em MP3 de alta qualidade, encarte de 40 páginas em PDF por U$5,00. Além disso, disponibilizaram gratuitamente as nove primeiras faixas do disco.
Tudo que os fãs querem, certo? Afinal, as pessoas preferem baixar/comprar a versão ‘pirata’ do CD porque as gravadoras diabólicas querem lucros exorbitantes e vendem CDs a U$25,00, procede? Não é bem por aí…
Uma busca simples em uma rede de compartilhamento mostra que há aproximadamente 3.000 pessoas que já fizeram o download da versão ilegal do disco (sem considerar as pessoas que já baixaram e não estão compartilhando). Isso tudo analisando apenas uma rede, das várias que existem. A verdade é que os números não importam muito. O que importa é que o compartilhamento de músicas e filmes na Internet (que eu tendo a considerar diferente da pirataria das ruas) é um caminho sem volta.
A única conclusão que consigo chegar é que ainda há muita água pra passar debaixo dessa ponte. Novos modelos de negócios ainda estão pra surgir. Uma banda pode se sustentar através de shows, mas e quanto ao autor de um livro, ou o desenvolvedor de um software? Sinto que a nova geração de jovens estará cada vez menos disposta a pagar por esses produtos e quem quiser viver de criação intelectual terá que ser, além de tudo, inovador.
Começa a ser apresentado em feiras, o robô ReadyBot, versão 1.0. É uma prova de conceito do robô, que tem a tarefa de arrumar a cozinha. Os fabricantes disseram que o objetivo é que ele consiga fazer 80% das tarefas comuns de limpeza de cozinha, sem usar recursos tecnológicos que inviabilizem a sua comercialização.
Hoje em dia muito se fala em empreendedorismo, e seu conceito foi, cada vez mais, banalizado e distanciado do conceito de inovação – ao menos para o senso-comum.
No Brasil encontramos uma situação especial: nas universidades a cultura acadêmica ainda teme a movimentação de seus professores/pesquisadores em direção a esse tema. É que “a academia deve servir à ciência, e não ao mercado” e como o conceito de empreendedor está muito associado ao de empresário, as pessoas esquecem que o empreendedor também é importante em projetos sociais, na política, ciência e em tantos outros tipos de atuação da nossa sociedade.
Além disso, percebemos que existe um tipo de empreendedor que não domina os conhecimentos de mercado, mas que se destaca em seu ambiente acadêmico e gera idéias capazes de serem transformadas em inovação para a sociedade.
Por causa de toda essa discussão e do desgaste do termo, o Instituto Inovação sentiu a necessidade de utilizar o termo “Empreendedor Tecnológico”, dando destaque ao tipo de empreendedor que atua no meio científico: os pesquisadores de nossas universidades, por exemplo, que além de possuirem competência técnica alta, desejam ver suas idéias saírem dos laboratórios. A idéia de utilizar esse termo também envolve mostrar para essas pessoas que suas competências podem, e devem, ser complementadas pelo “Empreendedor Mercadológico”, esse sim, com conhecimento de mercado, finanças, marketing etc. As competências desses dois tipos de empreendedor são diferentes e complementares, como mostrado na figura.
Dessa forma, não temos que obrigar nossos pesquisadores a aprender contabilidade para empreender. Ao contrário, podemos ajudá-los a usar seu tempo e se dedicar ao que realmente são bons: gerar conhecimento com potencial de inovação – destacando, ainda, que isso pode acontecer via transferência de tecnologia ou geração de spin-offs.
Acredito nessa idéia e tenho visto que é pertinente, principalmente ao pensar que, no longo prazo, as empresas de base tecnológica não devem sobreviver de uma única inovação, e o grande desafio é continuar inovando. Para isso, entendo que o empreendedor de base tecnológica será melhor aproveitado, e estará mais feliz, conduzindo pesquisas e gerando novas idéias. Enquanto isso, o Empreendedor Mercadológico avalia o potencial dessas idéias frente ao mercado dando novos inputs para seu desenvolvimento, além de levá-las efetivamente para fora do laboratório. Essa dupla pode, na verdade, multiplicar o potencial de inovação tecnológica.
7 comentários4 de Março de 2008 às 10:26Renata Horta
O mercado brasileiro de mídia movimenta anualmente cerca de R$18 bilhões de reais. Quase a totalidade do bolo vai para mídias tradicionais, as chamadas mídias de massa (rádios, TV, jornais, outdoors, etc). Sendo que a televisão, sozinha, é responsável por 60% dos investimentos, algo próximo de R$ 11 bilhões/ano. Este mercado tem crescido a taxas próximas a 10% ao ano.
Apesar dos números graúdos, o modelo tradicional de mídia está obsoleto, devido a uma mudança no comportamento do consumidor.
Um estudo da Harvard Business Review chegou à conclusão que para cada dólar gasto em mídia de massa nos EUA, o ganho a curto prazo foi de apenas 54 centavos. Outros dados corroboram esta hipótese: um estudo do DeutscheBank demonstrou que apenas 18% das campanhas publicitárias deram retorno positivo em um ano, nos EUA.
Segundo o diretor de Marketing (Chief Marketing Officer) do McDonalds, Larry Light, hoje em dia, “Mass Marketing is a Mass Mistake” (“Marketing em massa é um erro em massa”).
É uma tendência inexorável e está chegando ao Brasil, se é que já não chegou.
Pois bem: retornos declinantes, anunciantes insatisfeitos, mudanças no comportamento do consumidor, novas tecnologias, etc… O que norteará o novo paradigma do investimento em mídia?
Bem, não vou me alongar no assunto até porque não sou especialista. Mas eu tenho duas hipóteses:
1. Inovação nos modelos de negócio.
2. Inovação tecnológica.
O exemplo mais evidente em inovação nos modelos de negócios é o GoogleAds. Pode-se anunciar na internet e só pagar pelo click que o internauta der no anúncio. Você relaciona seu negócio a algumas palavras-chave e a alguma região e pronto! Seu anúncio estará nas páginas de busca do Google, no Gmail, no Youtube e em inúmeros sites parceiros. E o melhor: o anúncio será acessado prioritariamente pelo seu público alvo, na região que você atua.
Em relação à inovação tecnológica, tudo aquilo que promover a interação do consumidor com a mídia terá espaço nesse novo cenário. O próprio GoogleAds é um exemplo. Os advergames (advertising games ou games com publicidade) são outra tendência. Há desde simples advergames em páginas na internet (em flash) até games para consoles promovendo uma marca, como Gran Turismo 4 Toyota Prius para PlayStation2.
A criatividade é o limite para as inovações tecnológicas em mídia.
Vejam o vídeo abaixo. É um advergame feito para o cinema, onde o joystick são os espectadores.
Este vídeo foi feito nos EUA, mas o Plantão INFO noticiou esta semana que a mesma tecnologia está sendo usada num complexo de cinemas em São Paulo, numa ação publicitária da Cultura Inglesa.
Bem, o caminho está aberto para a inovação no mercado de mídia.
* Marcel Neves colaborou com este texto.
8 comentários3 de Março de 2008 às 09:12Leonardo Lage