“Mass Mistake” (Erro em massa) Robô que limpa a cozinha

Empreendedor Tecnológico e Empreendedor Mercadológico

4 de Março de 2008 às 10:26 Renata Horta  | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 2853

Hoje em dia muito se fala em empreendedorismo, e seu conceito foi, cada vez mais, banalizado e distanciado do conceito de inovação – ao menos para o senso-comum.

No Brasil encontramos uma situação especial: nas universidades a cultura acadêmica ainda teme a movimentação de seus professores/pesquisadores em direção a esse tema. É que “a academia deve servir à ciência, e não ao mercado” e como o conceito de empreendedor está muito associado ao de empresário, as pessoas esquecem que o empreendedor também é importante em projetos sociais, na política, ciência e em tantos outros tipos de atuação da nossa sociedade.

Além disso, percebemos que existe um tipo de empreendedor que não domina os conhecimentos de mercado, mas que se destaca em seu ambiente acadêmico e gera idéias capazes de serem transformadas em inovação para a sociedade.

Por causa de toda essa discussão e do desgaste do termo, o Instituto Inovação sentiu a necessidade de utilizar o termo “Empreendedor Tecnológico”, dando destaque ao tipo de empreendedor que atua no meio científico: os pesquisadores de nossas universidades, por exemplo, que além de possuirem competência técnica alta, desejam ver suas idéias saírem dos laboratórios. A idéia de utilizar esse termo também envolve mostrar para essas pessoas que suas competências podem, e devem, ser complementadas pelo “Empreendedor Mercadológico”, esse sim, com conhecimento de mercado, finanças, marketing etc. As competências desses dois tipos de empreendedor são diferentes e complementares, como mostrado na figura.

EMPREENDEDOR - EMPREENDEDOR

Dessa forma, não temos que obrigar nossos pesquisadores a aprender contabilidade para empreender. Ao contrário, podemos ajudá-los a usar seu tempo e se dedicar ao que realmente são bons: gerar conhecimento com potencial de inovação – destacando, ainda, que isso pode acontecer via transferência de tecnologia ou geração de spin-offs.

Acredito nessa idéia e tenho visto que é pertinente, principalmente ao pensar que, no longo prazo, as empresas de base tecnológica não devem sobreviver de uma única inovação, e o grande desafio é continuar inovando. Para isso, entendo que o empreendedor de base tecnológica será melhor aproveitado, e estará mais feliz, conduzindo pesquisas e gerando novas idéias. Enquanto isso, o Empreendedor Mercadológico avalia o potencial dessas idéias frente ao mercado dando novos inputs para seu desenvolvimento, além de levá-las efetivamente para fora do laboratório. Essa dupla pode, na verdade, multiplicar o potencial de inovação tecnológica.

Publicação arquivada em: Institucional, Pesquisa e Desenvolvimento, Fomento

Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 2854

7 Comentários Faça seu próprio

  • 1. Fabiana  |  4 de Março de 2008 às 17:33

    Acho que antes de tudo a academia deveria inovar na didática. Os métodos de ensino estagnados acabam gerando uma cultura do “é bom porque sempre foi assim”.

  • 2. Guilherme Pereira  |  4 de Março de 2008 às 19:44

    Essa dupla de empreendedores, para ter uma taxa de sucesso mais elevada, devem “saber conversar”. Assim como dizemos que entre ciência e mercado o P&D deve ser feito em ambos os lados, mas a ciência com foco maior em “P” e o mercado em “D”, estes dois empreendedores devem ter essa percepção.

    O tecnológico tem que estar de certa forma alinhado com o mercado, e o mercadológico deve compreender os anseios que o primeiro tipo lhe coloca. Essa interação é a chave para o sucesso desta relação!

  • 3. Renata Horta  |  5 de Março de 2008 às 09:19

    É isso aí Guilherme! O EMBATE (Seminário de Empreendedorismo de Base Tecnológica) leva um pouco dessa perspectiva do mercado para o pesquisador, porque além de entender, ele tem que saber acompanhar a empresa já que será parte efetiva do empreendimento. A grande diferença é mesmo o nível e a dedicação que ele teria relacionado a esses assuntos.

  • 4. Fernando  |  7 de Março de 2008 às 01:47

    Empreendedor mercadológico parece um pleonasmo…; por outro lado, chamar pesquisadores de Empreendedores Tecnológicos é uma idéia bastante interessante. Explico. O primeiro sempre desempenhou este papel, ou seja, vender, investir, negociar, alavancar, arriscar, etc. “Inovação” está em chamar à atenção de que o último precisa desenvolver um papel fundamental de ajudar a entregar à sociedade o que está sendo desenvolvido — e muitas vezes se encontra esquecido — nos laboratórios.

    Afinal de contas, quantos problemas (sociais, científicos, econômicos, etc.) estão por aí “sem solução” porque o estado da arte da ciência não consegue endereçá-los? Poucos acredito. A maioria está sem solução porque a prática (o mercado) está muito longe da teoria — e não o contrário.

    Ou seja, pesquisadores com a cultura de procurar no mercado necessidades para suas pesquisas poderiam acelerar em muito a adoção de soluções derivadas das mesmas — vide lugares onde este distanciamento não existe, por exemplo, vale do silício.

    A associação com os empreendedores mercadológicos é ótimo caminho.

  • 5. Felipe Matos  |  10 de Março de 2008 às 12:50

    Renata, parabéns pelo post. A reflexão é mais que válida, é crucial no modelo brasileiro de ciência e tecnologia. Empreender não é ser empresário. Tanto é que o perfil de colaboradores que temos aqui no Instituto Inovação é empreendedor.

    Empreendedor é aquele que toma iniciativa, que tem visão, é proativo e está sempre em buscando o novo, o melhor.

    Ter pesquisadores que empreendam suas pesquisas seria fantástico para as nossas universidades. Por isso é importante a discussão que vemos em alguma universidades - inclusive a UFMG - na inclusão da disciplina empreendedorismo em todos os cursos superiores.

  • 6. Manuela Soares  |  16 de Março de 2008 às 22:15

    É bastante interessante a perspectiva de ensino da matéria Empreendedorismo nos cursos técnicos. Porém acho bastante importante que o ” lado tecnológico vá pra perto da Administração e da Economia”. O que se ensinam nas “melhores” escolas de Administração é a gestão com base em cases de grandes empresas, mercado de capitais - conhecimento este já consolidado. Sinto ainda que os administradores são muito carentes de competência em identificação e modelagem de negócios, o que necessariamente para pela geração de spin-offs, licensiamento, propriedade intelectual, entre outros. Assim, o empreendedor mercadológico acaba por focar em mercado financeiro e não tecnológico.

  • 7. pedro  |  25 de Março de 2008 às 19:22

    preciso de um e-mail de contato para falar com algum administrador deste site por favor.

Deixe um Comentário

Requerido

Requerido,escondido

Linkar esta publicação  |  Assine os comentários via o RSS


Minhas Publicações Recentes

Publicações por Mês

Estatísticas

Meta