Google responde: onde está a inovação no Brasil? Empreendedor Tecnológico e Empreendedor Mercadológico

“Mass Mistake” (Erro em massa)

3 de Março de 2008 às 09:12 Leonardo Lage  | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 1373

O mercado brasileiro de mídia movimenta anualmente cerca de R$18 bilhões de reais. Quase a totalidade do bolo vai para mídias tradicionais, as chamadas mídias de massa (rádios, TV, jornais, outdoors, etc). Sendo que a televisão, sozinha, é responsável por 60% dos investimentos, algo próximo de R$ 11 bilhões/ano. Este mercado tem crescido a taxas próximas a 10% ao ano.

Apesar dos números graúdos, o modelo tradicional de mídia está obsoleto, devido a uma mudança no comportamento do consumidor.

Um estudo da Harvard Business Review chegou à conclusão que para cada dólar gasto em mídia de massa nos EUA, o ganho a curto prazo foi de apenas 54 centavos. Outros dados corroboram esta hipótese: um estudo do DeutscheBank demonstrou que apenas 18% das campanhas publicitárias deram retorno positivo em um ano, nos EUA.

Segundo o diretor de Marketing (Chief Marketing Officer) do McDonalds, Larry Light, hoje em dia, “Mass Marketing is a Mass Mistake” (“Marketing em massa é um erro em massa”).

É uma tendência inexorável e está chegando ao Brasil, se é que já não chegou.

Pois bem: retornos declinantes, anunciantes insatisfeitos, mudanças no comportamento do consumidor, novas tecnologias, etc… O que norteará o novo paradigma do investimento em mídia?

Bem, não vou me alongar no assunto até porque não sou especialista. Mas eu tenho duas hipóteses:
1. Inovação nos modelos de negócio.
2. Inovação tecnológica.

O exemplo mais evidente em inovação nos modelos de negócios é o GoogleAds. Pode-se anunciar na internet e só pagar pelo click que o internauta der no anúncio. Você relaciona seu negócio a algumas palavras-chave e a alguma região e pronto! Seu anúncio estará nas páginas de busca do Google, no Gmail, no Youtube e em inúmeros sites parceiros. E o melhor: o anúncio será acessado prioritariamente pelo seu público alvo, na região que você atua.

Em relação à inovação tecnológica, tudo aquilo que promover a interação do consumidor com a mídia terá espaço nesse novo cenário. O próprio GoogleAds é um exemplo. Os advergames (advertising games ou games com publicidade) são outra tendência. Há desde simples advergames em páginas na internet (em flash) até games para consoles promovendo uma marca, como Gran Turismo 4 Toyota Prius para PlayStation2.

A criatividade é o limite para as inovações tecnológicas em mídia.

Vejam o vídeo abaixo. É um advergame feito para o cinema, onde o joystick são os espectadores.

Este vídeo foi feito nos EUA, mas o Plantão INFO noticiou esta semana que a mesma tecnologia está sendo usada num complexo de cinemas em São Paulo, numa ação publicitária da Cultura Inglesa.

Bem, o caminho está aberto para a inovação no mercado de mídia.

* Marcel Neves colaborou com este texto.

Publicação arquivada em: Experiências Internacionais, Produtos, serviços ou processos inovadores, Novos modelos de negócios

Enviar por e-mail | Hits para esta publicação: 1374

8 Comentários Faça seu próprio

  • 1. Isabela  |  3 de Março de 2008 às 09:25

    Dois vídeos da ação no Brasil, em São Paulo:

    http://www.youtube.com/watch?v=9kfo-u2m2kM&feature=related

    http://www.youtube.com/watch?v=LoDztQO7WUE&feature=related

  • 2. Isabela  |  3 de Março de 2008 às 09:45

    Por enquanto, chama atenção por ser uma propaganda diferente. Mais à frente, quando a tecnologia estiver disseminada, o interessante será estabelecer momentos de experimentação dos produtos. A tecnologia, propriamente dita, será apenas o meio pelo qual as empresas podem interagir com seus clientes. E os comerciais mais interativos e dirigidos ganharão destaque.

  • 3. Marcel Neves  |  3 de Março de 2008 às 16:01

    O que eu acho que está acontecendo é que a internet está saindo da internet. Deixe eu explicar melhor. A experiência de navegar pelo oceano de informações de forma interativa na internet está mudando a maneira como parte da população interage fora da internet. Quem nunca se viu numa situação onde desejaríamos que alguma coisa fosse tão fácil de fazer como é na web (eu penso nisso toda vez que tenho algum motivo para ir ao banco).

    Algumas agências e anunciantes estão antenados a essas mudanças de comportamento, e por isso estamos presenciando tantas iniciativas inovadoras no mercado publicitário, tanto na web, como fora dela.

  • 4. Bruno Brant  |  4 de Março de 2008 às 11:22

    Concordo plenamente Leo. Na era da “cauda longa” a publicidade segmentada será lei. Não é à toa que dobradinha AdWords+AdSense fez do Google a maior empresa de mídia do mundo (por valor de mercado das ações) superendo inclusive gigantes como a “Time Warner”.

    E sobre a publicidade no Brasil, estão começando a notar só agora. Mas já vemos alguns movimentos. Um exemplo são grandes empresas anunciando em Blogs.

    Mas, o preço de um anúncio no Google (que é feito através de leilões) ainda é relativamente baixo, o que mostra como essa ferramenta ainda é pouco explorada pelas empresas brasileiras.

    Uma razão para isso talvez seja o modelo de negócios do Google, que deixa as Agência de Publicidade de fora. Essas empresas estão acostumadas a ganhar comissões altíssimas dos veículos de massa (mais de 20% em alguns casos) e dificilmente vão abrir mão de uma de suas principais fontes de renda…

    Na minha opinão, pra mudar de verdade o mercado publicitario as empresas precisam começar a se preocupar com o ROI de suas verbas de merketing (e fazer estudos profundos nesses sentido).

  • 5. Isabela  |  4 de Março de 2008 às 11:30

    A questão é que com as mídias mais segmentadas, as empresas podem mensurar melhor o ROI, não acha?

    Eu acho que existe a tendência da segmentação máxima, e da experimentação.

  • 6. Bruno Brant  |  4 de Março de 2008 às 11:37

    Sim, acho que calcurar o ROI nos casos das mídia segmentada é mais fácil, mas, tem-se que tentar mensurar nos dois casos. O próprio artigo do Leo aponta alguns estudos de ROI das mídias tradicionais.

    Se você gastou R$100.000 num comercial de TV e suas vendas aumentaram 2%, isso já quer dizer algo. Ainda que o valor da IMAGEM da empresa e da MARCA são ainda mais difíceis de serem mesurados… e fortalecer essas duas pode ser muitas vezes o principal objetivo da publicidade.

    Uma pequena correção: Devido à forte queda no preço das ações da Google nos últimos 3 meses ela foi ultrapassado pela Time Warner novamente.

  • 7. Isabela  |  4 de Março de 2008 às 11:45

    “Se você gastou R$100.000 num comercial de TV e suas vendas aumentaram 2%, isso já quer dizer algo.” (Bruno).

    Verdade. Mais difícil ainda é medir os impactos que o investimento em imagem de marca pode gerar ao longo do tempo, e não somente no período logo após o investimento.

  • 8. Isabela  |  4 de Março de 2008 às 11:55

    Mas o caso dessa inovação tecnológica é a experimentação, a interação. A possibilidade do consumidor construir junto e chegar na personalização extrema.

Deixe um Comentário

Requerido

Requerido,escondido

Linkar esta publicação  |  Assine os comentários via o RSS


Minhas Publicações Recentes

Publicações por Mês

Estatísticas

Meta