Arquivo de Março de 2008
O mercado brasileiro de Capital de Risco está a todo vapor. Só em 2004 haviam 5,5 bilhões de dólares disponíveis para investimento. Ao meu ver a existência (e o crescimento) desse tipo de fundos indica que o Brasil tem alto potencial para a inovação, afinal, em sua grande maioria o que esses investidores buscam são idéias revolucionárias que apresentam aplicabilidade prática e alto retorno financeiro.
Contudo, tal potencial ainda pode ser melhor explorado. Um exemplo disso é a alta concentração, tanto de fundos quanto de empresas investidas, em São Paulo e no Rio de Janeiro. O censo da FGV indica que 93% dos Gestores estão nessas cidades e 70% das empresas investidas estão localizadas em duas avenidas da cidade Paulistana.
Das 2.297 companhias que procuraram os fundos brasileiros no ano de 2004 apenas 6 receberam investimentos. É claro que muitos fatores justificam essa baixa taxa. Dentre eles poderíamos citar que nem todas essas empresas têm o potencial de retorno financeiro esperado pelos gestores, a falta de um perfil empreendedor por parte de quem quer ser investido e a falta de preparo por parte de nossos ‘inventores’, com planos de negócios mal elaborados e falta de direcionamento estratégico.
Algumas iniciativas ajudam a mudar esse quadro. Um exemplo é o “Desafio GV-Intel de Venture Capital e Empreendedorismo” que se encontra em sua terceira edição. O concurso, que está com inscrições abertas até o dia 28 de Abril, tem objetivo estimular e divulgar atividades empreendedoras dos jovens brasileiros. Além de ser uma ótima oportunidade para os universitários, que concorrem a prêmios em dinheiro e ao direito a participar de um desafio de empreendedorismo na Califórnia, trata-se de um prato cheio para os fundos de capital de risco que buscam oportunidades de investimento.
Para mim o evento mostra também uma tendência muito interessante de Open Innovation por parte de grandes empresas (como a Intel) que estão cada vez mais buscando “fora de seus muros” tecnologias que podem ajudá-las a ganharem diferenciais competitivos.
Enfim, como diria um antigo professor meu: “O dinheiro ta aí. O que precisamos é apenas de um bom plano de negócios.”
Fontes:
A Indústria de Private Equity e Venture Capital - Primeiro Censo Brasileiro
Site do desafio GV-Intel
A opinião / posição do autor não reflete, necessariamente, a opinião / posição do Instituto Inovação.
28 de Março de 2008 às 18:15
Bruno Brant
Eu estava lendo a carta aberta que o físico Constantino Tsallis escreveu à Sociedade Brasileira de Física, falando sobre a falta de investimento em idéias diferentes, ousadas, que não são garantias de resultados e de publicações. Como consequência, segundo Tsallis, o Brasil não inova em suas pesquisas e descobertas. Não adianta falar que inovação é importante, se os mecanismos estimulam os pesquisadores a se restringirem ao que já conhecemos.
As empresas inovadoras lidam de forma muito diferente com o desconhecido. Elas enxergam que tempo gasto em um projeto ousado, diferente, pode render alguma coisa - e tem rendido. Além disso, as empresas de tecnologia, que são muito inovadoras, ainda têm uma característica: muitas vezes, quando elas se propõe a encontrar uma solução para uma demanda, elas não sabem como o farão, simplesmente porque ainda não existe nada parecido. Desse modo, não teria como elas serem realmente inovadoras se não fossem tão desbravadoras, e tão sem medo do desconhecido. São empresas que tem a quebra de paradigmas e a busca pelo novo no seu DNA.
Outros setores, por sua vez, se apegam ao que já têm, e que ainda rende bons lucros. Esses setores não têm, por inspiração, o lidar com o desconhecido o tempo inteiro, pois não estão na fronteira da ciência. Consequentemente, inovam em uma velocidade infinitamente inferior, e muitas vezes quando já não possuem outra opção, quando já estão sendo pressionadas por variáveis mercadológicas, tecnológicas, ecológicas…
Ou seja, inovam aqueles que conseguem ver os ganhos, ao invés dos riscos.
A opinião / posição do autor não reflete, necessariamente, a opinião / posição do Instituto Inovação.
às 08:25
Isabela

No dia 26 de março, às 6:00PM Greenwich (ou 3:00PM no Brasil e 1:00PM em Dallas, nos EUA) a sincronicidade dos eventos era incrível.
Enquanto um senador do Texas discursava sobre os desafios para gerar inovação no estado, como diminuir o “gap” entre universidades e empresas, atrair e reter empresas de base tecnológica, gerar mais empregos e riquezas para a sociedade, no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, o governador de Minas acompanhava a apresentação do Sistema Mineiro de Inovação.
Provavelmente era só apertar a tecla SAP para ouvir exatamente os mesmos discursos.
Isso nos trouxe a reflexão de que os desafios, problemas, aí ou aqui, são os mesmos. Guardando a diferença de escala, universidades estão sendo desafiadas a levar suas tecnologias ao mercado, empreendedores tem o mesmo perfil de visão, paixão e persistência, pesquisadores contam com os mesmos medos de empreender… E ainda existem os mesmos Venture Capitalists que querem apresentações impecáveis de negócios sem risco para não perder seu precioso tempo; e inventores acreditando que suas descobertas revolucionárias estão além do seu tempo.
Na corrida da inovação, a gente não está tão atrás como parece. Há espaço para o Brasil aproveitar tão bem o seu potencial científico quanto outras nações (”guardando as diferenças de escala”).
Post escrito direto de Arlington, no Texas, EUA, onde estamos participando do evento WBTShowcase.
Gustavo Mamão é co-autor desse post.
26 de Março de 2008 às 18:42
Felipe Matos
“A lot of people in engineering at Google would be in research at other companies - that’s where all the PhDs usually are. This makes it difficult for those researchers to take an idea the whole way through the development process: Technology transfer becomes a big problem. But research isn’t off in a corner here. It’s not an ivory-tower goal. Where does innovation happen at Google? It happens everywhere, because everybody does research.” Fast Company.
Em resumo, o trecho fala sobre como, no Google, os pesquisadores estão por toda a empresa: não somente no departamento de P&D. Isso facilita a transferência tecnológica, e a inovação, que ocorre por toda a empresa. A reportagem é enorme, mas muito boa. Fala sobre as 50 empresas mais inovadoras eleitas pela Fast Company, as chamadas Fast 50. Recomendo demais! Boa leitura.
A posição da autora não reflete, necessariamente, a opinião do Instituto Inovação.
25 de Março de 2008 às 16:05
Isabela
Saiu esse mês no
site da BBC
uma matéria que diz como o excesso de e-mails é uma das principais causas de
stress. Muitas pessoas gastam mais de um terço do seu dia de trabalho “enfiados em suas caixas de entrada” e isso se configura não só como um problema de saúde pública como também de produtividade para as empresas.
Além do famoso
spam, ou excesso de lixo eletrônico, o que faz com que profissionais percam muito tempo com mensagens eletrônicas são textos mal redigidos e/ou que são direcionados às pessoas erradas.
Estamos vivendo um momento em que as empresas dispõe - inclusive gratuitamente - de ferramentas da chamada
computação social que podem substituir de maneira muito eficiente o e-mail e aumentarem o compartilhamento de conhecimento entre os colaboradores - e como consequência aumentar também a Inovação. Dentre essas ferramentas poderíamos citar as intranets, os
blogs, as
wikis e as redes sociais.
Luiz Suarez, um especialista em Gestão do Conhecimento da IBM adotou uma medida extrema:
há quatro semanas ele não responde e-mails, a não ser aqueles que sejam totalmente pessoais ou confidenciais. Aliás, ele responde, mas utilizando uma das ferramentas citadas acima.
O que a empresa ganha com isso? Conversações, diálogos abertos e conhecimento explícito disponível para todos. É incrível o re-trabalho que ocorre dentro das empresas. Pessoas diferentes fazendo as mesmas coisas e procurando as mesmas informações. Se houvesse um ponto central para os diálogos muito disso seria diminuído.
Se um dos fatores que geram um aumento das inovações dentro de uma organização são os diálogos interdepartamentais e entre pessoas que ocupam posições hierárquicas (e até geográficas) diferentes, uma nova abordagem em relação ao uso de e-mails pode, sim, contribuir para que uma empresa seja mais inovadora.
19 de Março de 2008 às 14:38
Bruno Brant
Recentemente, vi o documentário “Quem matou o carro elétrico?“, que inclusive é umas das indicações recentes do Radar do Inovação.
Um dos pontos mais instigantes do documentário dizia respeito aos carros movidos a hidrogênio.
O argumento apresentado era basicamente o seguinte: a tecnologia de célula de hidrogênio é inviável, pois o motor movido a este tipo de energia é muito caro e o modelo exige um pesado investimento em uma rede de distribuição de hidrogênio, enquanto as redes de distribuição de gasolina e energia elétrica já existem.
O documentário então faz uma alegação um tanto quanto polêmica: o investimento em células de hidrogênio é apenas um artifício para acalmar a opinião pública e passar a imagem que a indústria automobilística estaria investindo em energia “verde”. Tudo seria uma grande farsa, uma grande “conspiração” das grandes corporações. O hidrogênio seria um engodo para adiar a discussão sobre tecnologias realmente viáveis para substituir os combustíveis fósseis.
Apesar de achar as teorias da conspiração interessantíssimas, eu não acredito em nenhuma delas. Na minha opinião quem matou JFK foi Lee Harvey Oswald, a princesa Diana não foi morta pelo serviço secreto inglês, foi a Al Qaeda que derrubou as torres gêmeas, o homem realmente pisou na Lua, a CIA não dopou o Maradona na Copa de 94 e realmente Elvis Presley morreu.
Bem, voltando à célula de hidrogênio, o Wall Street Journal publicou uma reportagem sobre os veículos movidos a célula de hidrogênio.
A reportagem aponta as dificuldades no desenvolvimento da tecnologia e como as montadoras já jogaram a toalha, pois “finalmente perceberam” que veículos movidos a células de hidrogênio não faz muito sentido.
No salão do automóvel de Genebra, o vice-presidente da GM teria deixado a entender que o tão anunciado programa de veículos movidos células de hidrogênio seria nada mais que uma mera jogada de marketing. Já o presidente da Toyota deixou claro seu ceticismo em relação à tecnologia pela razão do altíssimo custo de fabricação dos carros e pelas dificuldades na distribuição do hidrogênio.
A solução, segundo as montadoras, seria o carro elétrico com baterias de lithium-ion que dariam ao veículo uma autonomia de aproximadamente 500 quilômetros.
Será que estamos no meio de uma conspiração??? Será que o carro movido a hidrogênio é uma grande farsa??? Será que Elvis não morreu???
17 de Março de 2008 às 12:42
Leonardo Lage
(Continuação…)
Propiedad intelectual
Todos los países visitados cuentan con políticas para la defensa de la propiedad intelectual, sin embargo algunos tienen mayor propensión a invertir en la protección de los conocimientos desarrollados, casos como el de Unicamp (Brazil), con más de 500 patentes anuales, contrastan con las 12 que tiene actualmente la Universidad de Buenos Aires. Colciencias, en Colombia co-financia la solicitud patentes de colombianos en otros países, sin embargo el volumen de solicitudes es aun bajo. Es importante anotar, sin embargo, que el verdadero indicador de innovación no esta en la cantidad de patentes solicitadas sino en el número de estas que ha sido licenciadas o desarrolladas en un spin off. No hay información al respecto.
Recurso humano
En este ítem, la diferencia es notoria entre Brasil y el resto de países de la región, solo EMBRAPA cuenta con 1200 doctores dentro de sus líneas de investigación, poco menos del 25% del total de doctores con que cuenta Colombia. Argentina ha hecho la tarea y solo el Conicet cuenta con más de 10.000 investigadores doctorados. Sin embargo la cantidad de doctores está en un gran porcentaje, vinculado a la universidad y centros de investigación públicos, el porcentaje que trabaja directamente en empresa privada es bajo.
El desarrollo de agentes que intermedien entre universidad, empresa y estado capaces de construir puentes entre mundos con objetivos, aparentemente muy diferentes, surge entonces como una “alternativa innovadora para abrir camino a la innovación”. No es una fórmula mágica ni una solución estándar a todas las economías, pero es sin duda un paso en el camino correcto.
En resumidas cuentas, el trabajo esta por hacerse, pero hay un buen punto de partida, según la Cámara de Comercio de Bogotá (Colombia), en el país una de cada 5 personas económicamente activas ha desarrollado alguna actividad de emprendimiento empresarial. Argentina, luego de consecutivas crisis políticas y económicas comienza a consolidar una economía fuerte basada en el conocimiento intentando regresar a los tiempos en que obtuvieron 3 premio nobel en ciencias. Brasil tiene casi una responsabilidad moral de llevar las riendas del desarrollo regional por el camino de la innovación; el mundo nos ha tomado ventaja pero la tortuga aun puede ganarle a la liebre.

Este artigo foi escrito pelo nosso colega colombiano Mauricio Reyes, que esteve conosco no mês passado em suas andanças pela América do Sul e acaba de regressar a sua terra natal. Hasta!
A posição do autor não reflete, necessariamente, a posição do Instituto Inovação.
14 de Março de 2008 às 09:40
Isabela
Decir que este es un estudio formal sería bastante pretencioso, e incluso irrespetuoso con aquellos que realmente han hecho la tarea; esta es más bien una reflexión juiciosa sobre lo visto en cuatro países de América Latina (Argentina, Colombia, Uruguay y Brasil) a lo largo de un mes de viaje y tras revisar documentos que hablan sobre su economía y modelos de innovación. Al final del artículo se incluye una tabla con algunas cifras, es importante señalar que, en cuanto a estadísticas, se pueden hallar algunos datos en relación con investigación (pesquisa,em português) y desarrollo (con un par de años de atraso), pero realmente poco sobre innovación, procesos de transferencia exitosos, patentes licenciadas, spin off… no son cifras “al alcance de la mano”.
¿Qué tan heterogénea es la región en términos de innovación? Si bien compartimos la misma problemática, cada país (de los visitados) ha afrontado el reto (desafio, em português) de forma diferente. En todos los casos la inversión (investimento, em português) en investigación y desarrollo por parte del gobierno es baja [en comparación con países más desarrollados] en relación con el PIB, y las herramientas jurídicas están en estados iniciales de desarrollo para convertirse verdaderamente en políticas de estado sobre innovación.
Apoyo gubernamental
Argentina, por ejemplo cuenta desde diciembre de 2007 con un Ministerio de Ciencia, Tecnología e Innovación productiva, Brasil, con un Ministerio de ciencia y tecnología que desarrolla a través de entes descentralizados actividades de innovación, mientras en Uruguay los organismos gubernamentales dedicados al tema son escasos y dependen del Ministerio de Educación y Cultura; en Colombia, entre tanto, el sistema depende del Departamento de Planeación Nacional. Esta primera diferencia tiene marcada relevancia en términos de inversión y direccionamiento estratégico y por ende en los resultados posteriores.
Vinculación con la empresa
La vinculación universidad-empresa-estado ha sido identificada de forma general como la fórmula para llevar a cabo innovaciones en el sector productivo, así Argentina cuenta por ley, con UVTs (Unidades de vinculación tecnológica) y UTT (Unidades de transferencia tecnológica) en todas las universidades, sin embargo (porém, em português) la falta de una política clara de apoyo al desarrollo de Spin off no ha permitido un desarrollo empresarial profundo a partir de la investigación. Colombia, de manera informal, ha desarrollado comités regionales en el mismo sentido, su funcionamiento y continuidad dependen únicamente del sentido innovador y emprendedor de sus participantes por lo cuál solo uno de los cinco existentes (comité Antioquia) cuenta con una gestión exitosa; es de resaltar, sin embargo que el Foro Económico Mundial (weforum.org) señala los esfuerzos de vinculación universidad-empresa en Colombia como una de las mejores en América Latina. En Brasil se cuenta con sitios del gobierno como redebrasil.gov.br; en todos los casos hay desarrollo de incubadoras y parques tecnológicos, sin embargo este no ha sido, en general un mecanismo suficiente para lograr la transferencia de tecnología.
Continua…
Este artigo foi escrito pelo nosso colega colombiano Mauricio Reyes, que esteve conosco no mês passado em suas andanças pela América do Sul e acaba de regressar a sua terra natal.
A posição do autor não reflete, necessariamente, a posição do Instituto Inovação.
13 de Março de 2008 às 15:20
Isabela
Mioma é um tipo de tumor benigno que se desenvolve no útero. Calcula-se que 77% das mulheres são portadoras de miomas, mesmo sem sintomas. Normalmente, nestes casos, há necessidade de intervenção cirúrgica, porém algumas pesquisas têm sido desenvolvidas na busca de alternativas de tratamento.
É o caso de Israel, que vem se destacando como pioneiro em diversas pesquisas tecnológicas, dentre elas um equipamento de ultra-som de alta potência com um gerador de imagem de alta resolução por ressonância magnética que permite ver com detalhes o interior do corpo humano, sem necessidade de incisão ou inserção de sondas. Com esse sistema, os médicos conseguem focalizar uma área minúscula dentro do útero, e irradiar calor produzido pelo ultra-som para o tumor. Assim, o mioma é ressecado e absorvido pelo organismo.
Este é um exemplo dos produtos de tecnologia de ponta que Israel vem desenvolvendo e que comprova que o país fez da inovação um objetivo estratégico, tanto para as empresas, como para o governo.
Desde 1948, a sociedade israelense apoiou governos comprometidos com investimentos na educação. Um alto nível educacional é condição necessária, mas não suficiente para incentivar a inovação. A oferta de recursos humanos de alta qualificação posiciona Israel ao lado de países como Alemanha, Japão, França e as nações escandinavas. Contudo Israel leva vantagens em relação aos demais países citados pela postura audaciosa e a capacidade de assumir riscos.
“Graças à qualidade da educação, Israel é hoje um dos mais avançados países do mundo” afirmou Bill Gates.
A partir dos anos 1980, tornou-se consenso para a sociedade israelense que o desenvolvimento do país exigia uma estratégia em sintonia com o mercado global. Na década seguinte, patentes se tornaram tão ou mais importantes que produtos e serviços de alto valor agregado. Assim o Estado de Israel passou a atrair investidores e multinacionais muito mais interessados em seus centros de P&D que nas fábricas. Isso envolveu movimento de saída e retorno dos talentos do país.
Yigal Erlich, fundador e principal executivo da Yosma, uma das mais importantes firmas de capital de risco do país, foi um dos responsáveis pela transposição da cultura de risco do Vale do Silício americano para Israel. Incentivou parcerias acadêmicas entre universidades e o setor privado, criou incubadoras de empresas, e montou fundos de capital de risco.
Israel tem hoje mais de 300 fundos de capital de risco, contra pouco mais de 80 no Brasil. Como observado por Yigal: “Inovação é um negócio de alto risco, e a presença do governo é importante para ajudar a melhorar as condições.”
Em Israel, os ativos mais importantes não são os recursos naturais, industriais ou patrimônio. São indivíduos motivados, e com alta qualificação. O país demonstrou que não é preciso passar por todas as etapas para desenvolver uma sociedade. Não é investimento em infra-estrutura que promove o progresso. É a atitude e o investimento em capital humano.
Israel é um exemplo que convida a refletir sobre os caminhos do Brasil.
Texto adaptado da Revista Época de 03/03/2008.
12 de Março de 2008 às 09:27
Janayna
“Negócio bom assim, ninguém nunca viu. (…) Nós não `vamo` pagar nada. É tudo free“. Na letra da música de Raul Seixas e Cláudio Roberto, mais recentemente interpretada pelos Titãs, os autores referem-se ao Brasil, mas os versos serviriam muito bem para o próximo livro de Chris Anderson, autor de The Long Tail. A obra intitulada “Free” estenderá a discussão iniciada em The Long Tail sobre a economia do grátis, como a indústria digital e a material podem lucrar, oferecendo produtos e serviços de graça.

Uma prévia do livro foi publicada na revista Wired deste mês (os primeiros 10.00 exemplares foram distribuídos por US$ 0.00 para os leitores que preenchessem um formulário no site da revista). Nesta matéria, achei muito interessante as explicações do autor de como o CD, o gravador de DVD e até a passagem aérea podem ser “quase” grátis. Esta última é baseada numa estratégia que parece simples: cortar custos, utilizando aeroportos pouco movimentados, por exemplo; aumentar as taxas auxiliares, ou seja, cobrar pelo lanche a bordo, pelo checkin de bagagem e outros; e cobrar mais pelas passagens em feriados. Desta forma, a Ryanair (empresa aérea irlandesa) consegue cobrar apenas US$ 20 pela passagem entre Londres e Barcelona.
O mais impressionante da teoria do Free é que, ao contrário do que muitos podem pensar, os custos não são cobertos apenas com propaganda como é comum acontecer nos serviços online grátis como Hotmail, GoogleDocs, entre tantos outros. Kevin Kelly, um dos fundadores da Wired Magazine, defende que a economia do grátis é baseada na cópia. Quando você não tem custos para copiar algo como músicas, textos e softwares, o pulo do gato está em vender coisas que não possam ser copiadas e que são promovidas com a ajuda daquelas que possam.
Ele indica oito valores que podem ser vendidos e que não podem ser copiados. São eles: imediatismo, personalização, interpretação, autenticidade, acessibilidade, incorporação, reconhecimento e exposição. Ou seja, com estas qualidades, o desafio deixa de ser como distribuir ou proteger os seus produtos ou serviços, e passa a ser como aproveitar a abundância, algo que vai contra a própria definição da economia moderna - gerenciamento dos recursos escassos.
10 de Março de 2008 às 07:35
Bruno Knoedt
Publicações anteriores