Arquivo de Fevereiro de 2008

Google responde: onde está a inovação no Brasil?

capa estudo 01 c - capa estudo 01 c
Em agosto do ano passado (2007), o Instituto Inovação publicou o estudo “Onde Está a Inovação no Brasil - 2007“. Um dos objetivos do estudo era responder a seguinte pergunta: “Quais as cidades mais propensas a desenvolver um projeto de inovação envolvendo empresas e centros de pesquisa?”.

Os autores do estudo levaram em consideração alguns fatores para responder a essa pegunta: número de pesquisadores por município, quantidade de patentes depositada por município, e ainda correlacionaram estes dados com indicadores como população economicamente ativa (P.E.A.), e número de empresas no município.

A resposta foi a seguinte:

“(…) as cidades com maior potencial de “Interação para a Geração de Inovações Tecnológicas” são: Belo Horizonte, Curitiba, Rio de Janeiro, São Carlos, São Paulo, Campinas, Porto Alegre e Florianópolis.”

Imagino que este trabalho deva ter levado dezenas de horas para ser concluído e “queimado” alguns neurônios dos autores.

Bem, resolvi testar um aplicativo do Google, chamado Google Trends. Esta ferramenta responde a freqüência em que determinado tópico foi procurado no Google ao longo do tempo, assim como em quais regiões geográficas as pessoas mais procuraram por determinado tópico.

Por exemplo, se eu pesquisar o tópico “Carnaval”, o Google me dirá que os picos de busca desta palavra se dão no início de cada ano (veja figura abaixo), e os internautas de Salvador, Recife, Vitória e Rio de Janeiro, respectivamente, são os mais interessados no tema. Mais do que lógico…

caranaval - caranaval

Resolvi pesquisar a palavra “inovação” e, em menos de 1 segundo, o Google Trends me disse que a pesquisa por esta palavra é mais frequente nas seguintes cidades respectivamente: Campinas, Florianopólis, Joinville, Caxias do Sul, Porto Alegre, Curitiba, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Blumenau.

Bem, à exceção de São Carlos (citada no estudo, mas não no Google), Brasília e Blumenau (citadas no Google, porém não destacadas no estudo), a correspondência foi incrível.

Cabe destacar que no estudo do Instituto Inovação, Caxias do Sul e Joinvile haviam sido destacadas como centros de “aplicação do conhecimento tecnológico”.

Em que acreditar? No estudo aprofundado do Instituto Inovação, ou na rápida pesquisa do Google Trends? Prefiro acreditar nos dois.

3 comentários 29 de Fevereiro de 2008 às 09:55 Leonardo Lage

Kiva.org

Há alguns dias somente, eu conheci o website da Kiva. Sinceramente: fiquei impressionada!

kiva.org 1 - kiva.org 1

A grosso modo, é o “orkut da filantropia”. Dentro dele existem dois tipos de pessoas: os “emprestadores” e os “tomadores de empréstimos”. Só que aqueles que pegam empréstimo, no Kiva, são empreendedores de países pobres. Pessoas que não teriam acesso a crédito em instituições financeiras tradicionais, ou que teriam que pagar juros proibitivos, para viabilizar o seu projeto. Esses projetos, normalmente, são bem simples, e não costumam envolver tecnologias, ou produtos de alto valor agregado. No Kiva, as pessoas emprestam quantias relativamente pequenas (25 dólares, ou 750 dólares, por exemplo) para empreendedores que precisam, por exemplo, comprar uma vaca para vender leite, ou adquirir tinta para tecelagem… É o microcrédito.

Não vou entrar no mérito dessa modalidade econômica, que tem o apoio do Prêmio Nobel da Paz, Muhammad Yunus, fundador do Grammen Bank, uma institutição de microcrédito também. O que me fascinou na Kiva foi a capacidade dos seus fundadores, e participantes, de usarem as comunidades virtuais para disseminar o empreendedorismo! Se em meio à onda de reality shows, surgiu o Dragon’s Den; a veia empreendedora também pulsou nas comunidades virtuais. A adesão é surpreendente! A Kiva permitiu uma espécie de massificação do microcrédito: parece que estamos diante de uma nova maneira de fazer algo que já é mais antigo.

Esse modelo de empréstimo da Kiva tem desafiado a legislação atual, que até então não havia previsto tal “coisa”! As pessoas emprestam dinheiro, sem qualquer contrato, e ainda assim 99,6% dos empréstimos são pagos. Normalmente, os que emprestam, quando recebem o seu dinheiro de volta, fazem um novo empréstimo. Algumas pessoas já definem, inclusive, perfis de empreendedores que desejam ajudar: mulheres viúvas na África, por exemplo. A Kiva parece revelar uma tendência humana, para os próximos tempos: a valorização de uma atitude empreendedora, e o envolvimento em questões globais.

Um dos fundadores da Kiva, Matt Flannery, já diz: “(microfinance) adresses one need, not every need“. O microcrédito não vai resolver os problemas do mundo. É preciso bem mais do que isso. Mas é louvável a iniciativa inovadora de usar as comunidades virtuais para viabilizar o envolvimento de uma enorme quantidade de pessoas nas questões dos países mais pobres. A Kiva conta com cerca de 123.000 “emprestadores”, que juntos já emprestaram mais de 14 milhões de dólares a aproximadamente 18.000 empreendedores de 39 países. Ela conta com apoio de grandes organizações: Google, Yahoo, Microsoft, My Space, Stanford, Kellogg. Bill Clinton também já manifestou o seu apoio. Não estranhe o número de instituições de tecnologia: a Kiva tem um pé no Vale do Silício.

Existem instituições de microcrédito, localizadas nas regiões atendidas pelo Kiva. Elas têm a função de indicar empreendedores para receber empréstimos, e administrar os empréstimos feitos. Além disso, essas instituições criam laços com os empreendedores para tentar transmitir habilidades de negócios, atuando como espécies de mentores. Essas instituições recebem notas, de acordo com a taxa de empréstimos pagos, auditorias e outras avaliações. A Kiva não excluiu atores que já existiam, no processo do microcrédito. Ela aproximou e maximizou o poder de atuação dessa cadeia.

19 comentários 28 de Fevereiro de 2008 às 08:49 Isabela

Registro de patentes no Brasil

No dia 21 de fevereiro, a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI) divulgou o ranking de registro de patentes. O Brasil até apresentou avanço (4 posições), e foi para a 24ª posição, tendo apresentado 384 registros de patentes internacionais. Mas Francis Gurry, vice-diretor da OMPI, declarou que, diante do tamanho da economia brasileira, poderia ter sido apresentado um número melhor. Mais: disse que os dados revelam que o Brasil ainda é um país voltado à exploração de matérias primas.

Os fatores responsáveis por este resultado são vários, e eu levaria dias comentando cada um deles. Escolhi apenas um, o sistema de registro de patentes. Como não sou especialista no assunto, apenas vou citar dois exemplos que nós fazem refletir sobre o assunto:

1. O Sistema de registro de patentes no Brasil é lento. Uma patente que está sendo analisada hoje, 26/02, pelos técnicos do INPI, foi requerida ainda em 2005.

Pergunto: uma inovação pode esperar tanto? Vale lembrar que há três anos, em meados de 2005 começaram a circular nas ruas do país os primeiros carros com a tecnologia Flex, e hoje eles representam mais de 90% das vendas. Em 2005 a tecnologia Flex levou o prêmio FINEP de inovação na categoria produto.

2. Só o iPhone, lançado pela Apple, empresa reconhecidamente inovadora, em janeiro de 2007, já gerou 200 patentes para a empresa. Nos EUA, o registro de uma patente é rápido, simples assim, rápido.

Citando esses exemplos, podemos concluir que temos muito o que aprender com o USPTO, órgão que exerce a mesma função do INPI nos Estados Unidos. Chega a ser um contrasenso um processo de registro de patentes, para proteger tecnologias, demorar tanto tempo. As tecnologias evoluem muito rápido; são rompidas por novas tecnologias muito rápido. Precisamos de um processo mais ágil. Será que podemos copiar os métodos de trabalho do USPTO?

A opinião / posição do autor não reflete necessariamente a opinião / posição do Instituto Inovação, e / ou da Ecovec.

25 comentários 26 de Fevereiro de 2008 às 16:08 Luis Felipe, Ecovec

Monte Carlo X Tubo de Ensaio

Acompanhando os blogs internacionais que mencionam estratégias de inovação, percebemos que existe uma demanda latente sobre como justificar e embasar os projetos de inovação mais radicais.

Então, por que a inovação ainda precisa ser justificada? A contra-pergunta é “Não seria melhor pegar o meu orçamento de P&D e fazer apostas em cassinos?”. Essa insegurança se dá pelo histórico não tão bom que os investimentos em P&D têm mostrado aos executivos. Ao olhar as entrelinhas, percebe-se que a justificativa demandada na verdade é uma ânsia por resultados.

Por um lado, ainda existe uma grande deficiência em como se deve medir os resultados dos investimentos em inovação (e até mesmo os resultados da inovação propriamente dita). Por outro, será que se usarmos exclusivamente as melhores práticas de gestão da inovação vamos garantir resultados interessante? Não! As boas práticas ajudam, quando já temos algum tipo de estratégia implantada. Uma vez que se trata, também, de estratégia, é importante pensar na inovação como uma prática sustentável, que precisa de investimentos sistemáticos e consistentes antes de atingirmos níveis de sucesso mais relevantes.

Entretanto, o que as boas práticas nos mostram é que a inovação e a sua gestão devem ser bem balizadas com a estratégia do negócio. Além disso, deve-se garantir que, se um projeto começa a divergir muito da estratégia, temos que saber como “falhar” esse projeto de modo rápido e alocar esforços para os próximos projetos.

Empresas que investem em inovação de forma sustentável têm pouca dificuldade de justificar projetos de inovação. Empresas que estão dando seus primeiros passos rumo à inovação sistemática podem recair na questão do que é melhor: cassino ou estratégia de longo prazo?

A opinião e/ou posição do autor não reflete, necessariamente, a opinião e/ou posição do Instituto Inovação.

4 comentários 25 de Fevereiro de 2008 às 16:09 Guilherme Pereira

Na Caverna do Dragão

Um empreendedor com uma idéia inovadora, mas sem nenhum capital. Uma única chance: fazer uma apresentação de 15 minutos para 5 dos mais destacados investidores do país. A meta: conseguir o capital necessário para iniciar o negócio em troca de uma participação na nova empresa. Além dos 5 mega-investidores, a platéia é composta por milhões de pessoas.

Este é o cenário de Dragon’s´Den, um dos reality shows de maior sucesso na Grã-Bretanha, transmitido semanalmente pela BBC.
Apesar de ter surgido no Japão em 2001 (o formato do programa pertence a Sony), Dragon’s Den conseguiu maior repercussão na TV inglesa, onde acaba de encerrar sua quinta temporada.

A fórmula não é tão simples quanto aparenta: inicialmente o empreendedor informa a produção do programa a quantia de dinheiro que precisa para iniciar ou acelerar seu negócio. O empreendedor deve conseguir a quantia inteira de um ou mais investidores (os Dragões). O único ponto que se pode negociar é o percentual de participação dos investidores na empresa. Se o empreendedor não conseguir todo o dinheiro, ele não leva nada.

Após os 15 minutos de apresentação, os Dragões bombardeiam o empreendedor com perguntas sobre prova de conceito, estágio de evolução, fluxo de caixa previsto, concorrência, proteção intelectual, modelo de negócios, mercado potencial, projeção de vendas, parcerias, etc. Uma verdadeira aula de gestão, empreendedorismo e inovação no horário nobre da televisão.

O inusitado do programa está em mostrar idéias absolutamente novas, muitas delas malucas, sob uma visão de negócios. Um dos cases que mais repercutiram foi de um imigrante jamaicano, Levi Roots, que apresentou seu “inovador” molho de pimenta (receita da avó) intitulado “Reggae Reggae Sauce”.

O empreendedor cativou dois dos investidores mais pelo seu carisma que pela inovação do produto e conseguiu o dinheiro para começar sua empresa (50 mil libras, cerca de 170 mil reais, por 40% do negócio). O empreendedor ganhou fama imediata. Além de conseguir comercializar seu molho em diversos supermercados do país, Levi Roots relançou sua banda de Reggae. A banda tem uma agenda de shows cheia pelo Reino Unido e gravou um clip de seu maior sucesso, justamente o jingle do Reggae Reggae Sauce.

Mais de 30 novos negócios foram gerados a partir do reality show. Além deste benefício, o grande mérito de Dragon’s Den talvez seja disseminar o vírus do empreendedorismo num veículo de comunicação de massa.

Quem se interessar em conhecer o programa pode assistir um episódio completo aqui.

6 comentários 21 de Fevereiro de 2008 às 15:34 Leonardo Lage

Inovação das grandes

Como vêm fazendo nos últimos anos, os pesquisadores da Booz Allen Hamilton’s publicaram recentemente um estudo sobre as mil empresas que mais investem em P&D no mundo. Um dos principais objetivos do estudo é entender como essas empresas distribuem esses recursos e as estratégias de inovação adotadas por elas.

Os autores detectaram dois fatores-chave que devem ser observados. Segundo eles, empresas que querem transformar seus investimentos em P&D em inovações de sucesso devem:

  • Alinhar o modelo de inovação à estratégia da empresa;
  • Ouvir os consumidores a cada passo do caminho.

Vale lembrar o que relatório foi publicado no final de 2007 e é baseado em dados de 2006.

O estudo completo foi publicado na revista “strategy+business” e pode ser acessado através desse link.

8 comentários 20 de Fevereiro de 2008 às 12:10 Bruno Brant

Inovação na agenda política nacional

Bandeira brasileira - foto por VanMagenta
É praticamente um consenso que o Brasil ainda tem muito a evoluir quando o assunto é inovação. O que nos deixa um pouco mais felizes é o fato de que a Inovação tem ganhado destaque nas discussões políticas e empresariais, e sua importância para o desenvolvimento do país está ficando clara para todos.

Prova disso é o pré-projeto que foi apresentado este mês ao presidente Lula. Esse projeto, que é fruto de ampla pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, sob encomenda da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), faz um diagnóstico do cenário da Inovação no Brasil e o compara com as experiências de algumas potências mundiais, como EUA, França e Japão.

Os autores do estudo citam alguns obstáculos à inovação encontrados no Brasil e propõe algumas formas de superá-los. Dentre os oito problemas levantados podemos destacar a falta de coordenação entre os órgãos governamentais, falta de empreendedores e a pouca aplicação do conhecimento produzido nas universidades.

Dentre as “saídas” propostas para melhorar o quadro brasileiro, as mais interessantes são: a elaboração de um projeto de metas junto ao setor privado, exploração das compras governamentais para incentivar a inovação, e o desenvolvimento de estratégias para aproximação entre universidades e empresas.

Vale ressaltar que muito do que foi concluído pelos pesquisadores está em sintonia com a percepção do Instituto Inovação. Um exemplo disso é o Portal do Sistema Mineiro de Inovação, projeto que estamos desenvolvendo conjuntamente com o Governo de Minas, e que tem como um dos seus principais objetivos a aproximação entre Universidades, Empresas e Governantes.

Os relatórios dos pesquisadores da USP estão disponíveis através do site da MOBIT (Mobilização Brasileira pela Inovação Tecnológica).

Fonte: Estadão

2 comentários 19 de Fevereiro de 2008 às 11:14 Bruno Brant

Inovar é preciso, liderar é necessário, compartilhar é essencial

Construindo a Rede -   por JC**
Um recente artigo publicado pela McKinsey, uma das maiores empresas de consultoria do mundo, intitulado “Leadership and Innovation” (Liderança e Inovação) reforça o fato de que a inovação deixou de ser uma palavra da moda e passou a ser uma exigência, trazendo crescimento, performance e valor às empresas.

O que os estudos realizados por eles mostram também é que apesar de a maioria das organizações já terem despertado para tal fato, pouquíssimos executivos se sentem satisfeitos com sua capacidade de gerar inovação. O interessante é que esse é justamente um dos pontos que os autores do artigo tentam chamar a atenção: a importância que os líderes têm quando o assunto é inovação.

Entre as dicas a serem seguidas pelos executivos que desejam alavancar a inovação poderíamos citar:

  • Inserção da inovação na pauta das reuniões dos gerentes, torná-la uma prioridade estratégica;
  • Criação de uma “cultura da inovação”, onde as pessoas sentem suas idéias valorizadas e buscam inovar a todo o momento;
  • Definição de métricas de performance específicas para a inovação;
  • Estabelecimento de condições que permitam o surgimento de redes dinâmicas de inovação;

Esse último ponto nos leva a outra questão interessante levantada pelos autores do artigo. A existência de redes, onde as pessoas se conectam umas às outras e compartilham idéias, tem se mostrado como fator chave para a existência de contínuos processos de inovação. Os consultores da McKinsey sugerem que os gerentes além de estarem abertos a correr riscos e a novas idéias, devem também desenvolver competências relacionadas ao planejamento, implementação e gestão de redes de inovação.

Como novas idéias tendem a gerar mais novas idéias, a existência dessas redes potencializa, e muito, os ciclos de inovação. Especialmente quando se consegue aglutinar pessoas com diferentes formações e de diferentes setores da organização. Como a eficiência em gerar inovações está diretamente ligada com o quanto a rede é descentralizada, cabe aos gestores ao invés de funcionarem como gargalos confiar em seus colaboradores e deixar “as idéias fluírem”.

E você, já está preparado para atuar como Gerente de uma organização verdadeiramente inovadora? Está apto a gerenciar redes, aceitar colaborações de todos e a abrir mão de ser o centro por onde todas as idéias são obrigadas a passar?

Via: The McKinsey Quarterly

5 comentários 1 de Fevereiro de 2008 às 09:52 Bruno Brant


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