Arquivo de Dezembro de 2007

Transferência tecnológica para diminuir o aquecimento global

Na reunião sobre mudanças climáticas das Nações Unidas (ONU) em Bali, poucos temas parecem ter dominado a pauta. E um deles foi a questão da transferência de tecnologia limpa entre países, para possibilitar que resultados realmente relevantes sejam obtidos, na redução de emissão de dióxido de carbono.

Diante disso, os participantes da reunião de Bali decidiram criar um grupo de especialistas em transferência tecnológica para aconselhar os países em desenvolvimento. Paralelamente, os países devem refletir e debater formas de eliminar barreiras e dar incetivos (quem sabe financeiros) para possibilitar essa transferência de tecnologias limpas.

Ao meu ver, a transferência tecnológica é central no combate ao aquecimento global. Pouco adianta colocar metas de redução de emissão de gases poluentes, se não houver uma tecnologia que de fato supra as necessidades energéticas dos países, sem agravar o aquecimento global. Acredito que os países estão cientes e sensibilizados para a questão do aquecimento global. O que é preciso agora são instrumentos tecnológicos (entre outros instrumentos: por exemplo, os legais…) que faça-os passar do discurso para ação. Daí a importância da transferência tecnológica, ou do investimento em pesquisas que produzam resultados satisfatórios, nos países, ou áreas geopolíticas. Acredito que uma parte da solução do problema do aquecimento global esteja no financiamento de pesquisas de energias limpas; e no desatar deste nó entre propriedade intelectual e a necessidade de difusão de tecnologias (a um custo acessível para países em desenvolvimento).

Entendo que os interesses político-comerciais têm sim um peso grande nessas tomadas de decisões. Mas em um momento onde organismos com grande credibilidade se propõe a debater o tema, essas barreiras políticas talvez possam ser diminuídas.

1 comentário 19 de Dezembro de 2007 às 16:03 Isabela

Innovation Awards

O The Economist organiza anualmente o Innovation Awards para premiar os melhores inovadores em oito categorias: ciências biológicas, computação e comunicação, energia e meio ambiente, inovação econômica e social, inovação em modelo de negócio, bens de consumo, uso corporativo da inovação e uma categoria flexível sem restrições.

Premiados no dia 18 de outubro em Londres, os vencedores do Innovation Awards deste ano foram:

- Ciências Biológicas: Hermes Chan (MedMira) e Abdullah Kirumira (BioMedica Diagnostics) pelo desenvolvimento de um teste que diagnostica em 3 minutos se o paciente é portador do HIV. Atualmente, um terço das pessoas que fazem testes de Aids não pegam os resultados. Agora, eles estão desenvolvendo testes para outras doenças.

- Computação e Comunicação: Mike Lazaridis, fundador do Research in Motion, pela concepção do BlackBerry. O dispositivo criado na sua garagem em 1999 é utilizado por onze milhões de pessoas em todo o mundo.

- Energia e Meio Ambiente: George Craford (Philips) e Roland Haitz (HP) pelo desenvolvimento de LEDs (light-emitting diodes) para uso em novas áreas. Os LEDs são muito mais eficientes que lâmpadas convencionais e podem ser utilizados em iluminação de tráfego e doméstica.

- Inovação Econômica e Social: Mo Ibrahim, fundador da CelTel, pela promoção de telefones celulares na África. Além de impulsionar a atividade econômica, Ibrahim provou que é possível construir uma empresa multibilionária que não esteja relacionada a petróleo ou mineração na África.

- Inovação em Modelo de Negócio: N. R. Narayana Murthy, co-fundador da InfoSys, pioneiro na indústria indiana de serviços de TI. A idéia de prover serviços de TI da Índia para o resto do mundo abriu caminho para um mercado de 40 bilhões de dólares.

- Bens de Consumo: Shigeru Miyamoto (Nintendo) pelo seu papel decisivo na indústria de video games. Desde a criação de Donkey Kong, ao sucesso de Mario e Zelda e o sucesso do Nintendo DS e do Wii, ambos consoles com sensores de movimento, Miyamoto criou e redefiniu uma nova indústria.

- Sem Restrições: Stuart Parkin, Peter Grünberg e Albert Fert pela descoberta e desenvolvimento do Efeito GMR (giant-magnetoresistive effect). Aumentando a sensibilidade dos sensores usados na leitura de discos magnéticos, o Efeito GMR aumentou a capacidade de armazenamento de discos rígidos, diminuindo custos e tornando possível o primeiro iPod.

- Uso Corporativo da Inovação: Procter & Gamble pelo seu pioneirismo no uso do open innovation model (modelo de inovação aberta) no seu programa “Connect + Develop” para encontrar idéias de novos produtos fora da empresa.

Adicionar comentário 18 de Dezembro de 2007 às 14:20 Bruno Knoedt

200 livros em 300 gramas

Livros eletrônicos já existem há bastante tempo, mas nunca foram muito difundidos, principalmente porque eles só podiam ser lidos em um PC. Com a chegada de tecnologias portáteis e sem-fio, os e-books têm uma nova chance. Aproveitando a onda, a Amazon, maior loja virtual de livros do mundo, lançou, em novembro, o Kindle: um dispositivo portátil destinado à leitura de livros. O Kindle pesa apenas 292 gramas e armazena cerca de 200 livros.
Kindle X Livro

Jeff Bezos, CEO da Amazon, no evento de lançamento do Kindle, disse: “O livro é tão evoluído e adaptado para as suas funções que é difícil substituí-lo. O atributo principal de um livro é a sua capacidade de desaparecer quando você o lê. Todos nós leitores conhecemos aquele estado em que não pensamos na cola, no papel, tudo aquilo desaparece. Resta apenas o mundo do autor, e nós mergulhamos nele”.

A Amazon tomou este atributo como característica fundamental para conquistar o público, e eles conseguiram. No site do Kindle, alguns autores americanos elogiam a usabilidade e as funcionalidades existentes no novo aparelho. Erick Schonfeld, blogueiro do Techcrunch, concorda com os escritores, mas critica a ausência de funcionalidades óbvias, como o compartilhamento e empréstimo de livros, e de uma rede social em que os leitores possam escrever suas resenhas e fazer sugestões das melhores obras.

Entretanto, o que mais impressiona no Kindle é a facilidade de acesso aos livros. Através de uma rede própria, chamada Whispernet, a Amazon vende livros, revistas, jornais e conteúdos de blogs que podem ser baixados em um minuto. Por enquanto, são cerca de 90.000 livros e os best sellers custam US$ 9,99. Com os custos de edição reduzidos, fica mais fácil publicar um livro e autores desconhecidos podem ter a sua vez.

No Japão, cinco, dos dez livros mais vendidos, são escritos para celulares. Segundo o Sydney Morning Herald, os keitai shousetsu (romances para telefones celulares) “são um fenômeno de publicação, dando chance para pequenas editoras e autores desconhecidos fazerem pequenas fortunas”. De volta ao ocidente, o Google Book Search promete disponibilizar 32 milhões de livros online até 2014, de acordo com a The Weekly Standard. Kevin Kelly escreveu no seu artigo para a New York Times Magazine que o objetivo do Google é tornar “todas as obras da humanidade, desde o início da história registrada, em todas as línguas, disponível para todo o mundo, o tempo todo”.

Um estudo da National Education Association, realizado em 2004, apontou que apenas 57% dos adultos americanos lêem um livro – qualquer livro – por ano. No Brasil, o problema começa com o baixo número de alfabetizados. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE, mostrou que 2,4 milhões de brasileiros acima de 10 anos são analfabetos. Frente a estes números, tentativas como estas de facilitar o acesso à leitura, aliadas a projetos de inclusão digital, são ótimas alternativas para difundir o conhecimento.

3 comentários 10 de Dezembro de 2007 às 17:33 Bruno Knoedt


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