Por que o Brasil não inova? E COMO Inovar?
Nesta segunda-feira, tive a oportunidade de ministrar uma palestra para nos alunos da pós-graduação da escola de negócios da UFMG, falando sobre o trabalho do Instituto Inovação e sobre o contexto da inovação tecnológica no Brasil.
Ao final, no tradicional espaço para perguntas, o prof. Francisco Vidal fez a pergunta: “Por que o Brasil não inova?”. E completou: “Como inovar?”.
É claro que essa pergunta é muito mais complexa do que o que qualquer simples resposta pode dizer. É muito fácil responder dizendo que é uma questão cultural. O conceito de cultura é amplo o suficiente para justificar quase qualquer coisa.
Mas tentei responder, delineando como os agentes da inovação tecnológica no Brasil estão posicionados.
Academia
- Desconhecimento das leis e caminhos da propriedade intelectual.
- Incentivo a publicação, em detrimento do patenteamento e proteção do conhecimento
- Carência de perfis com comportamento empreendedor
- Ausência ou estágio muito inicial de agências e escritórios de transferência de tecnologia (embora o fato de elas começarem a existir seja excelente e louvável)
Mercado Empresarial
- Baixo nível de investimento em pesquisa e desenvolvimento.
- Tradição de importação ao invés de P&D próprios, o que leva a uma tendência de cópia do que existe lá fora e não de inovação
- Ausência de instrumentos e ferramentas de gestão inovação
- Foco excessivo no curto-prazo, dificultando investimentos em pesquisas mais longas (as que geram inovações mais disruptivas)
- As multinacionais, que têm P&D e deveriam/poderiam ser exceções, confirmam a regra, já que não há autonomia para investimentos em pesquisa foram das matrizes estrangeiras
Governo
- Educação básica de baixa qualidade
- Estrutura de propriedade intelectual (INPI) ineficiente
- Distribuição dos recursos de investimento à pesquisa sem critérios relacionados ao desenvolvimento de inovações tecnológicas (temos visto grandes avanços nesse sentido nos últimos anos)
- Carência de legislação específica sobre inovação (Esse ponto também passou por avanços estrondosos com as Leis de Inovação e do Bem, que agora, precisam ser efetivamente aplicadas e terem sua atuação expandida por versões nas esferas estadual e municipal)
Para responder como inovar, é só fazer o inverso. Observar esses pontos principais e desenvolver propostas para atacar cada um desses problemas. Por exemplo, com o Embate, que é o seminário focado em pesquisadores, que desperta o comportamento empreendedor aqui do Inovação. Ou com o PDI, que busca estruturar processos de análise e avaliação de novas tecnologias pelas universidades. Ou modificando e criando políticas públicas, de incentivo à inovação, como o SIMI - Sistema Mineiro de Inovação, do Governo de Minas.
E assim, vamos construindo caminhos e “comos” para que a inovação ocorra, de fato. Nós aqui do Inovação, acreditamos nesses caminhos e que eles ajudam não só universidades e empresas, mas o país, trazendo desenvolvimento para toda a nossa sociedade.
1 comentário 19 de Setembro de 2007 às 11:25 Felipe Matos